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Poeira

   Não há mais nada que se possa fazer quando, depois do início, tudo começou. Basta, não bastante, esperar, por um insólito momento, o fim. Não adianta querer construir o futuro e saber, ao mesmo tempo, da entropia que o leva a desordem.
   Não há muito o que pensar, o tempo passa e se demorar demais vem o que não se sabe e o que acontece só depois constará em uma memória que talvez, incociênte, almeje voltar. Voltar para para pensar e errar outra vez, vez que não há mais. Por isso é fazer e fazer do resultado também um novo fazer.
   Dito isto estou sendo um pouco de quem quero dizer. Era um sábado frio, porem seu corpo estava quente, tão quente que sobrou apenas cinzas. Sim, ela o queimou. Resolveu fazer como ele, sem pensar e fez. Agora que esperava os resultados e que a colocariam em frente a uma vida que perdera e outra que perdia, não se arrependeu. Não se arrependeu por um motivo simples: a casa queimou junto e os peritos não acharam nada que levasse a ela, além do mais, tinha um álibe inquestionável. Só um humano mais que humano para encontrar as provas que a levariam a culpa.
   Sim, esse foi o seu fim. Não importa muito a vida ao seu redor, muito menos sua vida. A vida de seu pensamento sim é que importa, a mim pelo menos, senão somente.
   Quando, tarde, incontornável também, descobriu que era nada, que semelhantes a ele terminaram por seguir o trem de trilhos tortos e já se acorrentava nesse mesmo destino, viu-se em chamas. Uma angústia o atacou, mas não morreu angustiado. A fúria das chamas foi o presente de libredade.
   Ah, ele foi um desastre interrompido. Pensava ideal. Quando o acesso de informação fazia para ele o caminho belo, cheio de flores e lindo como a Beleza, ele teve esperança e viu sim o futuro Bom.
   Mas também, tudo isso não passa de uma ilusão, chutar a pedra e não sentir dor está longe de ser realidade. Ainda mais que não confiamos na certeza, não queremos ser felizaes.
   As vezes sinto-me culpado por ter sido a vida dele como foi sendo que poderia fazer dela um novo universo. Mas para quê? Já existe um perfeito, só falta muitos como ele, que vêm essa perfeição.
 
   
Aljebr
Enviado por Aljebr em 21/07/2006
Código do texto: T198833
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Sobre o autor
Aljebr
Uru - São Paulo - Brasil
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