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O fazendeiro

Eu já viajei muito por este Brasil afora e conheci muitas pessoas estranhas, e foi em uma de minhas viagens que eu conheci uma pessoa que me chamou atenção, nada em particular, apenas o seu modo de falar, quanto ao resto era um cidadão humilde por assim dizer, pois suas roupas eram bastante usadas porem limpas, e ao ouvi-lo falar com um amigo que estava a seu lado, deixava a entender que era uma pessoa educada, e que também devia ter estudado muito, e no momento em que ele se despedia do amigo, eu me aproximei chamando atenção do pessoa que conversava com ele, e, que aguardou por mim, embora estranhando a minha presença foi cordial e atencioso para comigo, eu lhe pedi desculpas e lhe disse o que gostaria de saber. Ele atenciosamente me convidou para sentarmos a mesa de um Bar no outro lado da rua, pois a historia era longa, disse-me ele.
Entramos no Bar nos acomodamos em uma mesa, me pediu licença chamou o garçom e pediu algo para beber, só não lhe convido disse-me ele, porque o meu dinheiro é pouco e mal dá para pagar esta bebida que pedi, e, eu lhe respondi, que não se preocupasse pois a despesa era por minha conta, já que ele tinha uma historia para me contar. Então ele passou a me contar a historia daquele menino como ele chamava, embora aquele menino como ele carinhosamente chamava, já beirava aos quarenta anos, disse-me ele que aquele rapaz era um excelente advogado e embora pouco tenha exercido a sua profissão, pois ele vinha de uma família muito rica das redondezas, seu pai fora em vida um grande fazendeiro e criador de gado em várias regiões do estado só por isso era bastante respeitado, mas, poucas pessoas gostavam dele, porque ele era muito mau para com seus empregados, e sua própria família.
Este menino só estudou por exigência da mãe, que queria ver seu filho formado
em alguma faculdade não importava em que profissão tanto fazia ser medico ou advogado, o que importava era o Diploma. E, que mesmo sendo criado entre o gado e peões ele nunca desistiu de estudar, e também porque respeitava muito sua mãe, e como ele era um bom filho fazia tudo o que a mãe queria e quando podia estava sempre a seu lado tanto na igreja como nas festas da cidade, para seu pai pouco importava o que seu filho fosse advogado ou
não. Ele sempre dizia que para ser um rico fazendeiro como ele não precisava estudar, já que ele nunca estudou, esse era o argumento que ele usava para se justificar perante os amigos e a própria família.
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Só que o velho fazendeiro jamais contou para ninguém como conseguira sua fortuna, que fora adquirida a custa da desgraça alheia e muita violência, descobriu-se mais tarde, que em sua juventude ele havia feito de tudo para ganhar dinheiro, desde roubar, até ser grileiro de terra, jogador e trapaceiro, contam também que ele fora um temível pistoleiro, servindo a quem pagava mais, o que importava era o dinheiro recebido, não á dor de suas vítimas, e foi assim que passou de bandido á um próspero fazendeiro só
que longe de sua cidade de origem, os anos se passaram e a sua má índole continuava, sempre que podia roubar alguém,ele roubava porque sabia que ninguém diria nada, pois quem teria coragem de acusá-lo, já que todos acreditavam em sua honestidade, e assim foi
aumentando sua fortuna cada vez mais.

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Um dia se baseando na proteção que o dinheiro lhe dava, e acompanhado de sua maldade resolveu a voltar á sua cidade natal, onde cometera a maior parte de seu crimes, e foi na sua cidade de origem que começou seu castigo, todo começou num bar noturno onde ele entrara para beber alguma coisa e encontrar alguém para conversar, como também para ver se era reconhecido por alguém, coisa que ele acreditava ser impossível já que fazia muitos anos que ele havia deixado a cidade, e sua fisionomia não era mais a mesma pois havia mudado muito com os anos, mas, existe um ditado que diz que, “quem bate esquece, mas, quem apanha jamais esquece”, e assim será por mais anos que vivermos, e foi neste mesmo Bar que uma noite ele conheceu uma moça de vida fácil, digo assim por dizer, este
fora o seu primeiro encontro com esta moça, que se tornaram constates, no decorrer dos dias e meses que se seguiram, e sua permanência na cidade já era um fato, pois ninguém o havia reconhecido, e como se apaixonara pela moça resolveu ficar e morar com ela, e no dia que a convidou para morar com ele ela aceitou sem titubear, e foi morar com ele num apartamento luxuoso na zona Nobre da cidade. Quanto a sua família já não ligava mais, como as fazendas que ele abandonou, pois o amor pela moça fora mais forte.
E foi atravez dela que ele voltou a jogar e perder fortunas para os jogadores das casas de jogos, e sempre voltava incentivado pela moça que já não era mais tão fácil assim,
Pois já era considerada uma dama, e como tal já freqüentava festas na alta sociedade sempre acompanhada de seu suposto marido, pois todos acreditavam que eles eram casados. Um dia chegou a notícia que ele perdera tudo, dinheiro fazendas, e também a família, e o que não havia perdido no jogo, ela havia feito ele colocar em seu nome, pois ela soube se aproveitar dele e lhe tomou um verdadeira fortuna, quando ele comunicou a ela que estava pobre e que nada mais lhe restava além da roupa do corpo, ela lhe disse podes ir embora esta não é mais tua cidade.
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Pois a divida que tinhas com ela tu acabou de pagar, porque perguntou ele, eu não entendo o que está acontecendo, e porque dizes que minha divida com esta cidade está paga, ela apenas olhou para ele e disse, você pensou que ninguém o reconheceria depois destes longos anos ausente deste lugar, pois este foi teu maior engano, pois eu te reconheci desde o primeiro dia em que nos encontramos, pois sua foto sempre esteve presa a parede de meu quarto, pois meu pai fora uma de suas vitimas, e para que eu nunca esquecesse o algoz de meu pai, minha mãe me deu sua foto de presente quando eu era criança, e eu jamais esqueci este rosto por todos estes anos, também aqueles rapazes que ganharam toda a sua fortuna no jogo, pois todo somos vitimas de suas maldades do passado, e tudo que ganhamos de você hoje,está sendo empregado em hospitais e escolas da cidade, e agora que não tens mais a tua riqueza, e nada mais tens para fazer aqui, podes ir embora e faça um bom uso da lição que aprendestes aqui, e agradeça a Deus, por não sermos vingativos e atentarmos contra sua vida, pois não temos o direito de julgarmos, este direito nós deixamos ao encargo de Deus, que com sua benevolência saberá o que fazer, para que pagues por seus erros.

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Eu e meus amigos, só sentimos pela sua família, que nada tinha a ver com isso como nossas famílias; que um dia foram arruinadas por você, e podes crer, o que fizemos não foi vingança, tanto é que continuamos do mesmo jeito que antes, eu voltarei a ser prostituta e meus amigos voltaram aos seus afazeres normais,como sempre fizeram. Quanto
á seu filho ele ficara bem, pois é um excelente advogado, segundo comentários que ouvi na sua cidade, cidade onde passastes vários anos de tua vida escondido, e jamais deverias ter saído de lá, embora nos lembrássemos de você jamais o procuramos, pois pensávamos que já estivesses falecido , e por isso nos surpreendemos quando o encontramos aquela noite naquele Bar, e não culpe ninguém pelos acontecimentos de hoje.
A tua família nada sabe sobre o seu passado, e tem você como um cidadão exemplar, e vão continuar pensando assim, apezar de você ter sido mau para com eles, eles te amam muito, e acreditam eles que fostes vítima de uma prostituta e um grupo de trapaceiros, e assim será, porque ninguém alem de mim e de meus companheiros estão sabendo o que aconteceu aqui, volte para sua família e peça perdão a Deus e a eles por todo mal que causastes, pois ainda tens tempo para ser feliz ao lado deles. Agora vá embora
que tem um quarto no hotel esperando para ser ocupado, pelo menos por uns dias não dormirás na rua, isso é o mínimo que posso fazer por ti no momento, pois como tu bem sabes eu sou pobre, e vivo do que meu corpo me dá,já que eu sou uma prostituta.

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O velho fazendeiro pegou suas malas que já estavam prontas, e partiu para o quarto de hotel, onde teria que passar um dias, uma semana se passara quando uma noite os hospedes do hotel foram acordados com o som de um tiro de revolver, assustados correram para fora de seus quartos, e foram em direção ao quarto do velho fazendeiro a quem todos conheciam, quando chegaram a porta do quarto entenderam a razão daquele tiro, o velho fazendeiro havia se suicidado com um tiro na cabeça, e seu lado estavam a arma e uma carta aberta onde ele narrava todos os seus crimes praticados naquela cidade, e, em outras cidades por onde passara em suas jornadas de violências. E no final da carta ele escreveu um pedido de perdão a Deus, e a todos aqueles a quem prejudicou em vida, e implorava pela misericórdia divina, pois apezar de seus crimes ainda acreditava em Deus, e na sua benevolência para com seus filhos, porque um dia ele também fora um cristão!

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Esta parte da historia eu ouvi anos mais tarde de uma velha Senhora proprietária de um modesto Bazar no subúrbio da cidade, onde estes fatos ocorreram, então me lembrei do que o velho peão me contara sobre aquele advogado, unindo uma historia a outra deduzi que esta Senhora era aquela moça, á prostituta que fora usada como instrumento para castigar o fazendeiro, naquilo que lhe era mais precioso, a sua fortuna!
A pergunta que me faço é? Será que o suicídio foi por arrependimento, ou para fugir da justiça humana! Quem sabe?


Volnei R.Braga
Volnei Rijo Braga
Enviado por Volnei Rijo Braga em 03/06/2005
Reeditado em 10/12/2010
Código do texto: T21686
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Volnei Rijo Braga
Pelotas - Rio Grande do Sul - Brasil, 69 anos
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