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UMA FLOR MORENA

UM BEIJA-FLOR
Naquele dia especial, um pássaro, mais especificamente, um beija-flor, estava pensativo. Seus pensamentos circulavam em torno e em direção de uma flor muito charmosa e especial. Sentiu vontade, cada vez mais, de estar perto daquela flor que ele denominava Morena, a qual ele  já considerava íntima. Contudo, como algumas  vezes ouvira dos homens que se diziam sábios, entre 8 e 80 existe muitas variações de intensidade. Até aquele momento ainda não pudera proporcionar à Flor Morena o tanto que gostaria. Até entendia, mas não se conformava que as oportunidades de beijar a sua flor preferida não fossem todos os dias, visto que as oportunidades de alçar vôo, dado o regulamento existente no seio da organização dos pássaros, não estavam sendo tão freqüentes quanto gostaria que fosse. Às vezes imaginava que a flor tivesse dúvidas quanto aos seus sentimentos e transparecesse quando, até em alguns momentos que com ele se comunicava. Ficava um tanto triste, pois desde a primeira vez que a vira que seu coração se ligou a ela. Talvez nunca tenha lhe assoviado, na linguagem que ela entendia, mas quando uma vez passara perto dela... e sentiu seu calor aquecendo-lhe o corpo, isto lhe proporcionara um prazer intenso que o fez sonhar naquele momento tê-la envolta, quem sabe um dia, nas suas asas. Quando foi para comunicar àquela flor o quanto ela era especial, temia pela sua reação, porém não podia mais se conter e resistir à vontade de lhe revelar o segredo que há muitos anos guardava no seu coração. Não sabia como era visto pela flor, mas, por si mesmo, a considerava como sua namorada, sua namorada querida. Passou um dia, dois dias, sem que a flor desabrochasse suas pétalas para que ele pudesse beijá-la e ele, talvez já acostumado a beber do seu doce néctar, estava com uma vontade enorme de voar na sua direção, mergulhar no seu interior para sorver-lhe o néctar e dizer-lhe, sussurrando o quanto ela era  importante para si. A sensação de que “andava circulando” a sua flor, mesmo quando esta aparentemente estava com suas pétalas fechadas (houve dia, em especial, em que voou mais de 15 vezes na sua direção, sem lograr tocar-lhe, exceto nos seus sonhos, nem mesmo as suas meigas pétalas), de algum modo o incomodava.  Não tem sido muito confortável para o beija-flor. Ele tinha vontade de chegar até a sua flor e dizer que jamais a vira apenas como uma flor casual, apenas proporcionadora de néctar e perfume, mas que ela é merecedora de toda sua consideração por todo amor, perfume e doçura que lhe tem dado. Mesmo que a flor não queira dar mais nada do seu perfume, continuará lhe amando, pois sabe que o perfume e néctar inebriantes que tanto aprecia continuará existindo porque o beija-flor, diferentemente talvez de alguns humanos, entende que amor é um sentimento que não tem regras e independe da vontade de quem ama.  Ele tinha vontade de que a flor pudesse ouvi-lo e que soubesse que mesmo estando aparentemente voando ao longe e tem-se dito que, conforme um escritor  já dissera, “Longe é um lugar que não existe...”, seu coração estará sempre perto da sua flor querida.  Mesmo que aquele pequeno pássaro não quisesse, não poderia ignorar o encanto que aquela flor especial lhe causara. O que sabe é que a quer sempre por perto, mesmo quando não seja Dia dos Namorados!
Elmano de Santos
Enviado por Elmano de Santos em 07/06/2005
Código do texto: T22757
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Sobre o autor
Elmano de Santos
Ariquemes - Rondônia - Brasil, 63 anos
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