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Devaneio primaveril

Na noite passada, aconteceu uma grande festa no meu jardim imaginário. Os organizadores estavam com os nervos à flor da pele, preocupados em averiguar cada detalhe, desejando que aquela noite fosse inesquecível. Vindas de diversas regiões, as Orquídeas, anfitriãs da festa desse ano, usavam vestidos das mais variadas cores e estilos e, aguardavam ansiosamente a chegada da convidada mais ilustre da festa. Ao notarem a aproximação de uma carruagem dourada, puxada por cavalos alados, todos brancos como algodão, os Cactos, responsáveis pelos fogos de artifício, coloriram o céu que já estava pintado de estrelas. Enfim, chegava a Primavera, despejando lá do alto, milhares de pétalas de rosas brancas, amarelas, vermelhas... Trazia consigo um valioso presente, uma chuva suave, da mais pura e cristalina água. Margaridas, Ipês, Trevos e todos os demais convidados reverenciavam a rainha que desembarcava de forma grandiosa, porém humilde, saudando a todos com aceno e olhar maternal.  Copos de leite, responsáveis pela escolta da rainha, a acompanharam até o centro do jardim, acomodando-a numa confortável almofada feita de Painas. Formigas devidamente trajadas, serviam água da chuva em taças de cristal. Todos ergueram um brinde em homenagem a mais uma festa da Primavera. Num enorme palco formado por Cogumelos gigantes, uma orquestra de Morangos silvestres regida por um impecável Jasmim tocava orgulhosa a Nona Sinfonia de Bethovem. O baile adentrou a madrugada com os pares apaixonados dançando sem parar, sendo observados carinhosamente pela grande rainha Primavera. Num canto mais isolado da festa, quatro jovens Lírios do campo, todos de terno e gravata, usando enormes franjas no cabelo, tocavam Sergeant Pepper's Lonely Heart's Club Band, levando algumas Hortênsias e Violetas adolescentes à loucura. Fui acordado de meu devaneio primaveril pelo forte estrondo de um trovão. Custei pra perceber que havia sido expulso daquela festa magnífica. Levantei-me, fui até a janela do quarto e fiquei alguns minutos observando a chuva que caía. Senti uma enorme paz interior, não resisti e fui ao encontro dela, antes, porém, peguei uma taça que não era de cristal e debaixo da chuva deixei que ela se enchesse daquela água que também não era tão pura e cristalina. Fiz um brinde à rainha Primavera, pedindo que seu reinado seja de muita paz, amor, flores e poesia.





ERB
Mendes, setembro de 2006
Elano Ribeiro
Enviado por Elano Ribeiro em 24/09/2006
Reeditado em 24/09/2006
Código do texto: T248216
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Sobre o autor
Elano Ribeiro
Mendes - Rio de Janeiro - Brasil, 42 anos
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