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Passeio urbano


Outro dia eu estava na rua, e como estava sem nada para fazer, e tambem estava próximo a um ponto de ônibus, tomei um ao acaso, sem um destino definido, eu apenas queria passear pela cidade, e sentir de perto o comportamento das pessoas que se utilizam deste meio de transporte coletivo,depois de várias horas de saltar de um coletivo para outro, eu saltei em um bairro na periferia da cidade, para andar um pouco, pois, eu estava preci- sando desentorpecer minhas pernas, porque jamais pensei que andar em ônibus coletivo, fosse tão chato e cansativo,nada contra aos usuários,mesmo porque passei horas agradáveis, entre pessoas maravilhosas, que me deram a maior atenção, conversando comigo me contando historias,algumas absurdas, mas eu aprendi muito com aquelas pessoas simples e humildes que me acompanharam neste meu passeio urbano. E, é com certeza que eu farei outros destes passeios, pois várias pessoas me deram endereços e números de telefones para eu ligar, quando necessitasse de alguma coisa, motoristas atenciosos que ás vezes tão criticados, pelo menos comigo foram gentis e educados, me apontando locais, como lancherias onde eu poderia fazer um lanche em segurança, se acaso eu precisasse lanchar, e como eu disse a pouco que havia saltado do ônibus para andar um pouco, e foi realmente o que eu fiz, caminhei por ruas estreitas e cercadas de casebres de madeiras, sem as mínimas condições de moradias, ruas lamacentas onde valetas e esgotos ao céu aberto faziam parte do dia-a-dia daquelas pessoas, que na maioria eram crianças que brincavam no meio da rua, que na sua inocência não percebiam o perigo que corriam deixando sua saúde comprometida, mas isso é tudo o que eles tem, sem saúde ou escolas o que resta a eles?
Voltei ao ponto, de ônibus para retornar ao centro da cidade, eu estava triste e chocado com tudo o que eu tinha assistido nas minhas andanças por aquele bairro, embora
eu já tivesse ouvido falar das más condições em que vivem estas pessoas, eu jamais pensei que a realidade fosse tão dura, a miséria em que vivem é bem maior que aquela que as televisões ou jornais nos mostram ou dizem, eu pergunto, culpar a quem? Se ninguém olha por eles. Com estes pensamentos tomei meu ônibus, e foi neste ônibus que eu conheci uma pessoa, que a meu ver era bastante interessante, era um rapaz que com a sua cadeira de rodas subiu sem ajuda de ninguém, pois disse ele ainda tenho duas mãos, e foi ai que eu reparei que lhe faltavam os membros inferiores de suas pernas, e que me deixou mais perplexo foi a rapidez com que desmontava e montava sua cadeira de rodas, e com ela na mão subiu no ônibus, com um sorriso feliz no rosto e pelo jeito que falava ele pouco estava ligando, se lhe faltava seus membros inferiores, eu o admirei em silêncio, e pensei comigo: por que meu Deus? A vida tem que ser assim! Uns com tanto, e reclamam que a vida é injusta para com eles, e, este que nada tem além de sua deficiência física, é feliz porque mesmo em sua dificuldade,ele sabe que é útil a nossa sociedade,ás vezes tão injusta e cruel, e preconceituosa, sociedade esta que vê, defeitos em outros, não vendo seus próprios defeitos, e por isso transformam pessoa humildes em miseráveis, pois só assim, se sentem felizes.
Com estes pensamentos eu cheguei ao centro da cidade, saltei do ônibus juntamente com o rapaz da cadeira de rodas, que sem dificuldade alguma saltou do ônibus,
armou sua cadeira, sentou-se se despediu de mim, e foi embora feliz da vida, sem queixa alguma, contra quem quer que fosse. Caminhei um pouco, e como já era noite, eu entrei num bar conhecido, onde seguidamente eu me reunia com meus amigos, que logo me perguntaram por onde eu havia andado, já que eu andei sumido o dia todo, então expliquei para eles tudo o que fiz durante dia, contei para eles da minha peregrinação pelos ônibus e bairros da cidade, contei para eles da pobreza, da miséria tão bem escondida pelos nossos noticiários, falei para eles do rapaz da cadeira de rodas, e do quanto eu aprendi com a humildade daquelas pessoas. Um amigo, que jamais alguém o viu triste, pois a vida para ele era só sorriso,olhou para mim rindo e perguntou,em que mundo eu vivia,e disse mais, como eu estava fora da realidade, e nada sabia sobre a vida lá fora: --Amigo aqui no perímetro central nós só vemos o que eles querem, culpa dos veículos de comunicações? Não sei disse ele, e na continuação disse-me ele, o que tu viu lá fora, não vende jornais, ou dá, status aos nossos bem intencionados políticos, por isso nada sabemos por aqui. A periferia é um mundo aparte, que só é visitado e lembrado por Deus!
Eu curioso perguntei para ele: --Como sabes tudo isso, se tu moras aqui na cidade, pelo menos, desde que eu te conheço, e já nos conhecemos faz anos, e sempre morastes aqui no centro da cidade, ele me respondeu com seu jeito bonachão de sempre e com aquele largo sorriso nos lábios, o que lhe era peculiar: --Como você, eu também
venho do interior, só que eu vim deste bairro pobre que hoje visitastes,onde tanta miséria tu vistes, lá moram meus pais e meus irmãos mais jovens, e eu trabalho aqui para poder ajudá-los, e lá eu passo meus fins de semanas e podes ter certeza, lá eu me sinto bem mais feliz do que aqui,mesmo tendo amigos maravilhosos como você eu não consigo esquecer minhas origens, e se quizeres voltar lá, e passar um fim de semana com minha família desde já estas convidado. E lá, verás que a humildade não faz mal a ninguém, porque Deus está presente no coração daquelas pessoas humildes, que te receberam de braços abertos, o convite está de pé, é pegar ou largar, é claro que aceitei na hora, não sei porque, mas, eu tinha a certeza, que ,já estava esperando por este convite.
Obrigado amigo, pela tua sinceridade, pelas tuas palavras, enfim obrigado por tudo, você foi maravilhoso e convincente em tudo que me disse.
Obrigado meu Deus...Por me mostrar um mundo que eu não conhecia, um mundo movido pela Fé e esperança, como disse meu amigo, “ um mundo só visitado e lembrado pelo SENHOR”!

Volnei R.Braga
Volnei Rijo Braga
Enviado por Volnei Rijo Braga em 18/06/2005
Reeditado em 10/12/2010
Código do texto: T25594
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Volnei Rijo Braga
Pelotas - Rio Grande do Sul - Brasil, 69 anos
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Volnei Rijo Braga