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Maternidade Solitária (NORMANDA) Lia de Sá Leitão - 9/10/2006

Um dia ela se deu conta que estava esperando um nenem, não sabia se risse ou se chorasse, não sabia se abrisse as comportas do coração e gritasse para a humanidade aquela maternidade. Com o papel dos exames, as pernas ainda tremiam entre o susto e a alegria setou-se num branquinho da praça, num local um tanto reservado e deixou os olhos planarem nas várias brincadeiras das crianças, lembrou-se daquelas que brincou com os amigos e primos no pátio da casa grande. Mas. a razão tirou o pensamento do devaneio e bateu forte, naquele instante perdeu chão, sem saber o que fazer, como seria o futuro?
Uma criança se preparava para a grande viagem dos nove meses a um mundo lindo porém desajustado, a um mundo cor azul mas tão cheio de sangue, e se encontrase os percausos naturais de uma mãe que poderia perdê-la como se perde um pensamento diante o verde esmeralda e das rendeiras do mar.
Como seria aquele filho tão esperado, tão amado, e já abandonado? A loba jamais abandonaria sua prole, mas o macho dominante aquele que foi instrumento de amor, já dissera tantas inverdades, já mostrara tantos desconfortos e decepções que  o sentimento mais profundo era de ignora-lo, esquecê-lo.
Não precisava saber do filho que ainda é uma florzianha
no ventre da mulher, ele permaneceria sem compromissos continuasse a vida promíscua que desvelou em tempos seguidos contradizendo o ato, maculando o momento de êxtase, desmentindo as juras,  as palavras doces sussurradas na calada da noite.
Sinceramete, não era necessário o susto de ser presente, de ser pai que o apavoraria, não! Era o medo das cobranças. Ela olha as nuvens, e sente uma alegria em poder  sustentar um filho e pensa no pai com pesar, de tantos males uma benção, o filho que carrega em seu ventre.
O que dizer a um homem que desfila em plena luz do dia    diante dos olhos da mulher que na noite anterior consagrou única, mostra uma e outra à porta de sua casa, bazinhos, nas estradas nuas as diferentes mulheres que compartilham a sua cama, uma a cada dois dias. O que pedir a um homem que mil juras fez com o mais singelos e os mais belo discurso quando na prática a arma maior da enganação e mentira fazia sangrar o coração da mulher que o amava inconste?
Seus olhos marejavam em lágrimas, decepções, ela apaixonou-se, entregou da forma mais pura seu corpo, sua alma, seus desejos, seus sonhos,e agora?
Ele imagina-se forçado a cumprir deveres, ela tranqüilamente agradece a benesse dos céus pelo filho qaue etava a caminho. Guardaria no silêncio o seu ventre entumescido de vida.
Pensa em despedir-se do ex companheiro numa oportunidade propícia com uma fala firme e elaborada, com o firme propósito que ele mantenha a feliz da forma que sempre soube utilizar, livre para as amantes, livre para os amores temporários, livre para o mundo, sem nenhuma responsabilidade com a  vida que mais cedo ou mais tarde se fortalecerá, crescerá, e no dia que perceber na Escola os amigos acompanhados com seus pais questionará, mãe quem é meu pai? E Ela olhará a criança com muito mais ternura, sentará no banco da mesma pracinha à beira mar onde outras crianças brincam  e dirá, seu pai é o homem mais lindo e forte, deve ser o mais amado do mundo. Ame-o e a força do seu amor o tocará, fluirá do seu coração uma energia que ele onde estiver sentirá que uma estrelinha sempre estará velando por ele na hora de nanar e isso será o grande prêmio, um exemplo de vida é jamais deixar de amá-lo mesmo sem  saber quem ele é e como ele é. Apenas ame-o!
Nomanda
Enviado por Nomanda em 10/10/2006
Código do texto: T260677

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Sobre a autora
Nomanda
Olinda - Pernambuco - Brasil
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