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A LENDA DO SOL !

Por: Diogo Raphael Simione 21/08/2006

  A muito tempo atrás, havia na terra somente a escuridão e as trevas, as noites eram intermináveis,  e no céu haviam somente pequenas estrelas e a grande e prateada lua!

  Cada uma das estrelas era batizada com um nome pelos indígenas, inclusive uma estrela pequenina e quase sem luz que fora batizada de Solany.

  Em uma destas noites na aldeia dos Guaynã uma índia deu a luz a uma linda porem debilitada menina. O índio Cayora marido da índia, então olhou para o céu e procurou a estrela com menos luz, achou e fez uma promessa para a estrelinha Solany que era mais fraca do céu.

  A promessa era que se a estrela ajudasse a filha dele a sobreviver ele seria eternamente seu guardião  e dançaria todas as noites para os outros deuses para que eles transformassem Solany na estrela mais brilhante do céu!

  Dentro de alguns meses a pequena indiazinha que ganhou o nome de Solany em homenagem a estrelinha, melhorou e como por mágica se transformou na criança mais sadia do aldeia.
Cinco anos depois o índio Cayora esqueceu de sua promessa, deixando de cantar e dançar para os deuses. Como que por mágica a menina adoeceu.

  Mesmo doente a pequena Solany começou com uma mania estranha. Ela saia da oca todas as noites e dançava e cantava por horas sempre olhando para a estrelinha.
 
  Segundo a lenda daquela aldeia as estrelas traziam alimentos e prosperidade a eles, e eles começaram a perceber que com a dança da menina as outras estrelas estavam ficando cada vez mais fraca e a pequena estrelinha cada vez mais iluminada.
 
  Muitos índios não entendiam porque ela fazia aquilo.

  Eles achavam que ela estava provocando a ira dos deuses que os davam alimentos e abrigo.
 
  Uma reunião na aldeia então foi feita, inclusive com os pais de Solany, e ficou decidido que se ela dançasse de novo seria severamente punida, pois ela estava colocando em risco todos os moradores da aldeia.

  Durante dois dias Solany não saiu da oca para dançar. Mais dois dias depois os índios puderam ver que de nada adiantou alertá-la, pois ela continuava dançando e cada dia mais!

  Isso irritou muito o pajé da tribo que decidiu puni-la oferecendo sua alma ao deus fogo.
Os pais da menina deveriam então levá-la até o topo do vulcão e arremessá-la lá dentro.

  E assim foi feito. No caminho para o vulcão a pequena Solany, e seus pais foram andando e chorando muito, eles estavam acompanhados por três guerreiros da tribo sendo que o pajé e o resto dos moradores da aldeia ficaram ao pé do vulcão cantando e dançando para o deus do fogo.

  Chegando na boca do vulcão o pai de Solany já tinha idéia do que ia fazer, ele lutaria e jogaria os guerreiros da tribo no vulcão, depois fugiria com sua filha e sua esposa para a mata fechada da floresta.

  Frente a frente com a boca do vulcão, eles pararam. Os olhos de Solany ainda lacrimejados olharam para a lavra dentro do vulcão e puderam ver o reflexo da estrelinha.

  Com uma tristeza enorme no coração Solany puxou a mão de sua mãe e de seu pai para que eles se abaixassem, após ele se abaixaram ela deu um beijo no rosto de cada um deles e saindo correndo pulou dentro do vulcão de encontro ao reflexo da estrelinha sendo assim queimada de imediato.

  Os pais de Solany ficaram perplexo e gritavam muito. Mas neste momento algo mágico aconteceu. O vulcão explodiu e entrou em erupção jorrando lavra tão alto que foi até no céu, a lavra como se fosse jogada com as mãos foram direto de encontro a estrelinha assim ficando grudada nela fazendo com que seu tamanho quadruplicasse e que ela agora tivesse o maior brilho de todas as estrelas no céu, e não só estrelas, seu brilho era maior até que o brilho prateado da lua!

  Então a noite começou a virar dia, as trevas deram lugar a luz.
 
  Os índios, assustados, cantavam e dançavam para seus deuses, procurando a salvação.
 
  Mas devido ao calor da nova estrela, aos poucos eles caíam morrendo de calor e de sede.

  Aquela estrelinha agora tinha um brilho tão forte que os índios que olharam para ela ficavam cegos.

  Dentro de pouco tempo essa tribo desapareceu completamente, ficando apenas dela o índio Cayora pai de

  Solany que mesmo sendo coberto pela lavra não morreu, ele parecia ter ficado imortal. Dizem que a Indiazinha Solany virou a estrelinha Solany e que o Índio Cayora apenas vive, pois é quem tem a obrigação de proteger a estrelinha Solany que conhecemos hoje como sol, e colocá-la para dormir quando a noite chega...

  Para quem não acreditar na nesta lenda, é só fechar os olhos quando o sol estiver bem forte. Você sentira em teu rosto a fina e delicada mão da indiazinha Solany lhe fazendo um carinho, e no por do sol de um lugar bem alto poderá ver a mão de alguém passando em volta dele e o puxando para seu sono.


                             FIM
Diogo Raphael Simione
Enviado por Diogo Raphael Simione em 11/10/2006
Reeditado em 18/03/2014
Código do texto: T261919
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Diogo Raphael Simione
Pedreira - São Paulo - Brasil
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Diogo Raphael Simione