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Eu entre Eros e Tanátos... a caneta oscila em um divã

                                            "...cette voix
                            Qui se connaît quand elle sonne
                            N'être plus la voix de personne
                             Tant que des ondes et de bois"
                                               Paul Valéry

Eu sou não sou um mero ser humano, eu não sou capaz de pensar como um deles. Eu sou uma criatura da noite, eu oscilo entre o hippie e o nerd, eu sou capaz de atravessar todos os paradigmas de pensamentos e modelos e ainda assim eu não consigo me encaixar em algum dos propostos.
Tenho todos os problemas do universo e nenhum.
Eu não sou nada,  eu nunca serei nada.
Toda uma acronia incomum me cerca, mil e uma alergias, todas as dúvidas mais reais, dúvidosas, fabulosas, imagináveis e absurdas. E mesmo com estes pontos de interrogação eu sou capaz de conclusões filosóficas como a minha célebre frase; “TE MONEO”.
Eu não tenho grandes preocupações,  eu não teço vãs conjecturas sobre o nada. Depois da morte existe apenas a hipótese.
Eu não desenvolvi nenhum método no sentido de um ‘mundus universalis’ que possa explicar a mim, as grandes teorias (todas as plausíveis não foram capazes e eu não acredito que outro ser humano seja capaz disto).
Eu não sou alguém de quem se posso dizer que seja transparente, eu vivo entre as palavras e as coisas. O contato humano se tornou para mim apenas hipotético.
Eu realmente não acredito em mundo dos intelectuais, estes, os intelectuais, nunca os encontrei. Encontrei pessoas que escrevem romances e pessoas que curam os doentes. Pessoas que estudam economia e pessoas que compõem música eletrônica. Eu encontrei pessoas que ensinam, pessoas que pintam e pessoas de quem não entendi se faziam alguma coisa. Mas  eu jamais encontrei intelectuais.
Pelo contrário, eu encontrei muitas pessoas que falam do intelectual. E, por escutá-los tanto, construí para mim uma idéia de que tipo de animal se trata. Não é difícil, é o culpado. Culpado um pouco de tudo: de falar, de silenciar, de não fazer nada, de meter-se em tudo... Em suma, o intelectual é a matéria-prima a julgar, a condenar, a excluir...
Não penso que os intelectuais falem demais, porque para mim não existem. Mas eu sou capaz de pensar e portanto penso que o discurso sobre os intelectuais esteja passando do limites e isto é algo insuportável!
Entre todas as coisa eu sou alguém ainda capaz de sonhar, mesmo perdendo meu telefone móvel a cada quinze minutos (já desisti de manter um perto de mim), eu gosto de poemas, eu sou capaz de sentir o “tu, só tu, Puro Amor” camoniano, mas ainda assim também o “ isso a que vós chamais de felicidade não passa de um tumulto dos sentidos, uma tempestade de paixões que atemoriza mesmo quando vista da praia” de madame Merteuil.
A saudade não passa de uma melancolia feliz, é o segredo de pensamentos perdidos.
Eu habito além dos princípios  de realidade, das garantias de verdade, das coisas que se compreendem em si mesmas.
No fundo sou uma pessoa sem grandes leis, uma vez que a lei é que faz o pecado.
No fim ainda eu ainda acredito em tanta coisa que eu pensava não existir, mas deixo um simples conselho: “Perdoe seus inimigos, mas jamais esqueça o nome deles” e o principal “a questão não é por quem se é amado, mas o amor que se sente e como se ama” (Platão).
Se ainda tiveres dúvida de quem sou me busque nos grandes poetas e ainda assim eu não sei se serás capaz de me compreender, afinal a mesma parede que nos separa é a mesma que nos une.
Não quero ter de explicar o Quasímodo ou mesmo o D.Quixote que há dentro de mim. Em mim nada é falta ausente, mas uma essência antológica presente.
Eu sou aquele que reside nos olhos glauco da mais altiva Atena dos mais belo jardim do Olimpo... sou eu o repuxar traiçoeiro do sorriso da Monalisa, sou eu aquele que perverteu a mãe das raças...
Eu posso beber das águas do Létis e ainda assim minha consciência não se alivia do remorso do que eu tive do que sofro.
Eu tenho esperanças, sou alquem que é levado a força à um futuro por um pérfido anjo barroco, mas sou capaz de esperar por um doce Sonho de Valsa vindo não de uma mão amiga, mas de alma que tanto anseio. De Deus não espero mais nada, por que Deus é uma grande prostituta, está para todos sempre...
Eu habito o limite da transgressão, sem garantias de verdade.
 
Ev
Enviado por Ev em 17/10/2006
Código do texto: T266843
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Sobre o autor
Ev
São José - Santa Catarina - Brasil, 29 anos
56 textos (2760 leituras)
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Ev