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Contradição

Estava decidido. Realmente faria isso; pensara muito, muito mesmo, e faria. Seria aquela noite. De manhã, então, quando acordou, decidiu ir ao centro da cidade para comprar a corda. Voltou, almoçou. Pensou até no poruqe de estar almoçando sendo que a noite daria fim a sua própria vida. Mas deciciu comer, decicdiu viver o dia normalmente. Lembrou-se de quando era criança e sua irmã mais velha lhe perguntava o que ele faria se soubesse que era seu último dia na terra. Sorriria desta lembrança se estivesse bem. Mas não estava. Sentia como se o mundo caísse sobre sua cabeça. Estava confuso, tudo dara errado. Todos planos traçados estavam frustados. Pensou que traçar planos era ótimo. E realmente era, o problema é que a realidade que vinha depois não era exatamente o que ele queria.
Verificou mais uma vez o horário que o trem passava a cinco quadras de sua casa. E viu que realmente era à meia noite. Às oito horas da noite tomou banho, deixou a casa arrumada, tudo no seu devido lugar. 11:20, saiu de casa.
A noite estava fria e ele, com a corda na mão, em direção ao trilho do trem. Pensou se tinha pego todos seus documentos, mas que bobagem, pensou ele - não precisarei mais deles.
11:40, deitou no trilho. Amarrou-se no trilho. Cinco nós do lado direito, cinco do lado esquerdo. Como o trem não chegava, ficou olhando para o céu. E começou a pensar. Pensou em tudo. No que acabava de fazer, em suas derrotas, pensou em sua infância. E, de repente, não viu motivo nenhum para estar ali. E em seu coração começou a bater um desespero.
Neste momento, a cena mais contraditória aconteceu: um suicída lutava por sua vida. Preocupado com o horário, conseguiu desatar os cinco nós do lado esquerdo. Desesperado começou a desatar os nós do lado direito, quando olhou, o trem ................................
No dia seguinte, um bando de curiosos em volta do corpo de bombeiros para ver o que havia acontecido. Um homem, esmagado nos trilhos do trem. Mas de um modo diferente, ele estava de lado. Com as mãos em cima dos nós do seu lado direito. A multidão comenta:
- Deve ter sido preso ai e tentado escapar.
- Não, não. Só quis morrer de um modo diferente.
- Na verdade, acho que tentava se matar, mas desistiu e tentou se livrar, porém não conseguiu.
Todos riram e ,neste momento, um bombeiro disse:
- Tudo bem pessoal, acabou o espetáculo.
Carolina Felício
Enviado por Carolina Felício em 15/11/2006
Reeditado em 15/11/2006
Código do texto: T292196
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Sobre a autora
Carolina Felício
Guarapuava - Paraná - Brasil
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Carolina Felício