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O MONGE

   Na virada do século havia um monge tibetano muito conhecido.
   Desde criança no mosteiro, aprendera como ninguém a meditar, entrar em sintonia com o alem e manipular todas as formas de energia, o que lhe possibilitava muitos prodígios, inclusive curas.
   Muitos o consideravam um enviado especial, mas ele sabia que não era ninguém especial, apenas desenvolvera um potencial que todos têm.
   Passava as semanas meditando e aperfeiçoando suas técnicas e aos domingos o mosteiro se abria para que as pessoas fossem curadas de seus males.
   Numa manhã de domingo próximo ao nascer de um novo ano, ao impor suas mãos sobre a fronte de uma bonita jovem, sentiu uma corrente energética que o fez estremecer. Era a primeira vez em sua vida que sentia medo.
   Conhecedor de todos os segredos da natureza dominava seus sentimentos e o medo era algo desconhecido para ele.
   Pensou se tratar de uma enviada das forças do mal, mas auscultando-lhe a alma percebeu que suas vibrações não eram más. Dominando seus temores passou a conversar com aquela criatura, quebrando rígidas regras daquela secular instituição.
   Notou então que sua vida mudou. Na semana seguinte o vento não soprava mais igual. Os pássaros cantavam diferente, as flores ganhavam novas cores. Qual poder mágico cercava aquela jovem?  Seria uma feiticeira? Mas, ele mesmo não conseguia mudar os rumos de uma brisa? Por que então essas dúvidas angustiosas?
   No fundo de sua alma ele notara que não poderia ser mais o mesmo. Sua vida não mais pertencia a ele. Lembrando as palavras de seu primeiro mestre quando iniciou-se naquela ordem escutava uma voz interna dizendo que chegara o momento da opção. Formou-se uma encruzilhada em seu caminho como nunca acontecera. O jovem monge necessitava ardentemente de uma luz que mostrasse o caminho a seguir.
   O fim da história nunca pode ser confirmado, pois os mestres tibetanos são muito reservados. Sabe-se apenas que alguns anos depois,  uma criança se apresentou ao mosteiro pedindo guarida. Dizia-se filho de um casal que morava a poucos quilômetros do mosteiro numa cabana no topo de um lindo morro. Contou que seus pais se amavam muito e eram muito felizes até que sua mãe adoeceu e seu pai que passou grande parte da vida curando estranhos não conseguiu curá-la.
   Quando sua mãe faleceu seu pai o mandou para o mosteiro com uma carta de recomendações e disse que precisava ir para a floresta. Esse menino cresceu e seus poderes eram ainda maiores que o do outro monge. Ele dizia ter os poderes dobrados, pois o espírito de seu pai estava sempre a seu lado.
Edson Montemor
Enviado por Edson Montemor em 20/11/2006
Reeditado em 20/11/2006
Código do texto: T296177
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Sobre o autor
Edson Montemor
Rio Claro - São Paulo - Brasil, 53 anos
100 textos (16419 leituras)
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Edson Montemor