PORTA ABERTA
 
O ônibus já estava parando na esquina quando Gerusa puxou a porta e saiu correndo fazendo sinal para o motorista esperá-la. Não reparou, porém que a porta não tinha fechado e foi tranquilamente passar o dia fora.

Emília era uma amiga muito íntima e querida. Ambas eram sozinhas, não tinham maiores compromissos e um dia todo juntas batendo papo era tudo de bom para elas.

Naquela manhã quando Emília chegou, viu a porta aberta, foi entrando e falando:
—Bom dia! Vim almoçar com você!

Andou pela casa toda e não encontrando ninguém guardou o peixe que trouxera para o almoço na geladeira, sentou-se na sala, ligou a televisão e ficou tranquilamente esperando a amiga que não devia demorar.

O tempo passava e como a outra não aparecia resolveu preparar o peixe.

De repente ouviu um barulho no quarto do fundo onde não tinha entrado.

Meio temerosa foi espiar o que era e teve a surpresa de ver uma cadela que acabara de parir quatro cachorrinhos.

Gerusa não era chegada a animais. Dizia que eles davam trabalho, faziam barulho, tiravam a liberdade de sair de casa sem hora para voltar.

Queria só ver o que ela ia fazer com a família canina que resolvera mudar-se para sua casa!

A cachorra estava maltratada e faminta. Comeu com apetite os restos de comida que Emília encontrou na geladeira e deu a ela.

As horas passavam e nada da amiga aparecer.

Resolveu ir embora. Fechou a porta e saiu, imaginando o susto da outra quando chegasse e visse que tinham entrado em sua casa.

Não deu outra.

Horas depois o telefone tocou na casa da Emília.
—Você não imagina o que me aconteceu. Fui passar o dia fora e entraram na minha casa, não roubaram nada, mas deixaram uma cachorra com quatro cachorrinhos.

Fingindo surpresa Emília perguntou:

—Que coisa! A porta foi arrombada?

—Não! Estava fechada, do jeito que eu deixei.

—Não pode ser. Você deve ter deixado aberta!

—Não sei, eu puxei, ela fecha por dentro, mas... Eu estava com tanta pressa, talvez não tenha fechado... Mas, não é só isso. Tinha um peixe preparado na geladeira.

—Você comeu o peixe?

—Não! Acho que vou dar para a cachorra...

—Não faça isso. Coma o peixe e compre ração para a cachorra.

—E se o peixe estiver envenenado ou enfeitiçado.

—Por que estaria? Isso deve ter sido uma amiga que esteve ai e quis fazer-lhe uma surpresa!  

—Será?

Gerusa começava a desconfiar.

—Você? Foi você que esteve aqui?

—Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

—E aquela cachorrada...?

—Bem, isso já não é nada comigo. Deve ser o Papai Noel que deixou para você!

—Agora vá comer o peixe que está uma delicia, modéstia a parte, e da próxima vez feche a porta antes de sair, pois pode acontecer-lhe algo pior do que ganhar um jantar e mais alguns animais de estimação ... Hahaha! 

                                          
 
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Este texto faz parte do Exercício Criativo - PORTA ABERTA.
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Maith
Enviado por Maith em 16/05/2011
Reeditado em 16/05/2011
Código do texto: T2973496