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A SOMBRA DO PASSADO



                         
Sinezio e Walda têm dois filhos, Wagner de 16 anos e Kacia de 10,  casal de classe média vivem competindo com os vizinhos do condomínio.
A troca de carro novos, roupas, jóias e viagens, Walda é mais vaidosa e cobra muito de Sinezio  que é diretor numa empresa multinacional. Walda tem uma idéia, pede de presente de natal, um iate, para completar sua vaidade. Sinézio já envolvido com muitos empréstimos bancários, tem dificuldade e arranjar tanto dinheiro. Procura um amigo de vida incerta, Telis e conta sua ultima preocupação. Telis o tranqüiliza, informando que isso não era problema, que ele tinha uma solução. Sinézio telefona para Walda, dizendo que estava perto de realizar seu sonho.
Telis marca uma reunião em sua casa com Mauricio,  conhecido na alta classe como o maior agiota do Rio de Janeiro, porem o mais perigoso, pois acumula um grande patrimônio às custas dos desesperos e vaidosos homens da classe media alta.
Walda prepara a reunião com requinte, afinal, o tal agiota tinha que sentir firmeza com quem emprestaria tão alta quantia. Chega o grande dia, Sinézio chega mais cedo em casa, tudo estava como recomendara, Walda contratou até um buffet para impressionar. A reunião iniciara, o agiota Mauricio de poucas palavras, mais observador, não tirava os olhos do decote de Walda. Então pergunta a Sinézio de quanto ele precisava, e o mesmo informou. O agiota, passa a mão nos cabelos, fingindo preocupação, fazendo o casal acreditar que seria preciso uma garantia, nesse momento Kacia entra na sala chorando pôr que seu irmão Wagner ordenara que ela fosse dormir. A reunião foi interrompida, mas logo que reiniciada, a garantia que Mauricio queria era aquela casa e uma outra que eles tinham em Angra. Wagner olha para Walda , esta ansiosa acena positivamente com a cabeça, pois acreditavam que poderiam pagar em tempo.
Realizaram o sonho. A família navegava quase todos os finais de semana, mas o tempo foi passando, as primeiras parcelas foram fáceis, mas um dia Sinézio recebe a notícia que a empresa estava em situação prestes a fechar. Nesse dia o peso da vaidade fica preocupante, chega em casa e relata a Walda a situação perigosa. Esta não exita, informa ao marido que iria procurar o agiota para negociar a seu jeito. E foi ao seu escritório, disfarçado de imobiliária. Conta o que estava acontecendo, e lógico ela já esperava um convite para jantar, a mesma aceita, só pede licença para informar ao marido que chegaria mais tarde.
Após o jantar foram parar num hotel de luxo, ela ansiosa, após satisfazer ao agiota, deitados na cama, ela pergunta o que ele poderia fazer para ajudá-los, para sua surpresa, ele diz que entregaria toda a papelada, esqueceria a dívida com uma única condição: queria dormir com a filha do casal, a Kacia de apenas dez anos. Walda dá um pulo da cama, assustada com tamanha audácia, mas contem o desespero e arruma-se para ir embora, as lágrimas rolavam em seu rosto, uma mistura de nojo e medo daquele maníaco. Chega em casa desesperada, depara com Kacia brincando em seu quarto. Quando Sinézio chega, Walda relata o que acontecera. Para sua indignação, Sinézio diz que não tem outra saída, ou dão a filha para o asqueroso agiota, ou iriam todos pra rua, pois até o iate ainda estava nas mãos do agiota. O casal não dorme a noite, o drama começara, os dois amargando o preço de suas vaidade, viam-se naquela situação dramática. Wagner era o irmão protetor de Kacia, eles se davam muito, o carinho entre os dois era um contraste ao casal ambiosos e vaidosos. Wagner notara o clima de tensão, pôr várias vezes perguntara aos pais o que acontecia, mas negavam qualquer informação.  Os dias foram passando, até que uma noite, o agiota liga para o casal, o pagamento estava atrasado e ele já não  tinha muito tempo para Sinézio, que pedia prazo. E o telefonema foi ficando mais freqüente, o casal desesperado, não teve alternativo. Marcaram o dia de levar a jovem Kacia para as mãos do agiota. Foi um dia torturante, Walda chorava, Sinezio silencioso, marcaram que estariam às vinte horas num hotel escolhido pelo agiota. Kacia arrumada,  não entendia para onde iriam. Aproveitariam que Wagner estaria no curso pré-vestibular e não sabia de nada. A viagem transcorria silenciosa, Kacia cantarolava uma canção infantil, Sinézio dá um grito para que ela parace com aquela música, Walda abraça os joelhos em gesto nervoso e começa chorar. Chegam na rua dos luxuosos hotel, o transito complicado, Walda torce que demore o máximo, olha para as luzes da cidade, era noite de inverno, a praia vazia, uma chuva fina lavava as calçadas, Sinezio vai dobrando a rua quando depara com um carro da policia, sente um gelo percorrer suas veias, logo adiante outro, mais outro, um carro do corpo de bombeiro uma pessoa na calçada coberta com um plástico preto, uma turma de estudantes olhavam atônitos para o morto, Walda sente um aperto no peito, lembra que Wagner estuda ali perto, o pavor vai tomando sua alma e no desespero de mãe, abre a porta do carro, corre, abre espaço na multidão, os policiais tenta dete-la. No carro, Kacia abraça o pai sem entender, Sinezio também larga o carro, de mãos dadas com Kacia corre em direção a Walda, que grita pôr Wagner, chegando perto do morto, vai abaixando para tirar o plástico preto, um policial tenta dete-la, mas Walda é mais rápida, retira o plástico e fica parada olhando aquele rosto ensangüentado, esfacelado, mas com os traços inesquecíveis do agiota Maurício. Olha em volta, Sinezio chega perto, fica de pé parado de mãos com sua filha, chama Walda para saírem dali, num sorriso de alivio, saem da multidão, explicam em rápidas palavras aos policiais que pensaram em seu filho que estudava ali perto.
Voltam para casa, aliviados, abrem a porta, o telefone toca,  Kacia corre para atender, entrega a Sinezio, do outro lado da linha o policial pergunta se ele era pai de wagner, que atirara o Mauricio da janela do hotel.
Ficam parados olhando-se, num abraço de dor, retornam para a delegacia, chegando lá são informados que Wagner estava detido. Sem coragem de olhá-lo de frente, o casal senta perto de Wagner, este informa que ouvira a conversas pelo telefone, e não tivera outra saída.
O caso fora entregue ao Dr. Talis, que era um grande advogado, Wagner fora absolvido pôr uma justa causa. A família recupera as propriedades, entregam o iate ao governo, e aprendem uma lição de simplicidade.
Lira Vargas
Lira Vargas
Enviado por Lira Vargas em 04/07/2005
Código do texto: T31151
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Sobre a autora
Lira Vargas
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil
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