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Diante de mim

     Coloquei aquele objeto que havia acabado de comprar em cima da mesa e fiquei olhando. Não era tão bonito nem tão interessante, mas me hipnotizava. Sentei-me e passei um bom tempo fitando-o com estranheza. Tinha alguém vivo dentro dele! Tinha uma alma, uma reação correspondendo o meu olhar! Eu podia sentir sua respiração, seu pensamento, seu pedido de socorro, seu sofrimento, sua presença, sua funebre sensação de estar ali, preso! Com certeza havia alguém ali!
      Uma dor controlou meu comportamento, eu podia sentir ela passar de nervo a nervo, dos pés a cabeça, o sangue parecia transporta-la. Eu não podia mais sofrer, eu sentia... o ser ali preso precisava de ajuda mas eu não sabia como ajuda-lo! Fiquei desesperado, nervoso, triste, impotente...
       Ouvia cada vez mais aqueles gritos melancólicos, gritando uma melodia triste e desesperada. Uma agonia cortante me fez chorar por eu ser tão fraco e não saber como salvar aquela vida que estava acabando, e sem pensar, como estivesse sendo controlado, como estivesse de olhos fechados e de mente vazia, senti uma faca cravada em meu peito. Abri meus olhos e vi o vermelho colorindo o chão da sala, o sangue dançava alegremente por todo o meu corpo. Aí eu me dei conta do que tinha feito. E no ultimo instante da vida eu olhei para o objeto, lá parado, da mesma maneira que eu havia colocado, tive a impressão que ele me olhava, icógnito, indiferente. E numa explosão enorme percorrendo o meu corpo, eu olhei para ele mais um pouco, e senti uma saudade terrível, nunca mais iria lhe ver... eu estava morto, ele estava vivo.
Calor do cão
Enviado por Calor do cão em 25/07/2005
Código do texto: T37427
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Sobre o autor
Calor do cão
Salvador - Bahia - Brasil, 28 anos
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