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Minha carta

Hoje fiz uma carta. Não tinha remetente. Nem endereço. Mas era uma carta.Sem explicação, sem muitas bordas, muitas farsas. Era bonita, tinha cola e tudo.Mas não era pra mim. Era pra alguém. Então, estou esperando a resposta até hoje. Devem ser os Correios né ? Eles demoram muito pra achar o lugar. Mas não tem problema, eu tenho toda a calma do mundo. Às vezes até me esqueço dela. Da carta. Mas daí, quando me lembro, me dá uma dor! Ela passa, mas volta, e volta, e volta... O que me preocupa é que não sei a reação. Não tenho a mínima idéia. Talvez não tenha as respostas que quero. Mas tudo bem, não vou brigar por isso. Aliás, quem as têm? Mas a carta não era de papel. Tinha me esquecido. Sou mesmo um bobo. Eu que deveria tê-la escrito. Não era pra ser usada assim. Nem assado.Sentia-se o gosto das palavras, mas não tinha uma linha, uma acentuação, uma exclamação.Minha vida deveria ser de confete, em que todas as portas se abririam. Mas não é...Linda, linda, minha carta era linda. Linda como uma amiga minha. Pena que não me recordo dela. Mas era carta. Só que uma carta de flores, de amigos, de passarinho, daquelas que a gente manda como um beijo pra afilhado. Carta de bom dia, de parque no domingo, de pipoca na chuva, em casa assistindo a um filme. Bonita. Era, era sim. Só que com o tempo ninguém se lembrava dela. Era carta de esquina. Dessas, de boteco. De papel de pão. Toda amassada. Foi de Maria, foi de João, agora é minha. Sozinha, ela voltou. Não acharam o endereço. Também, não tinha... É, o segredo mesmo, é que a carta era pro Amor.
Fernando de Camp
Enviado por Fernando de Camp em 21/02/2005
Código do texto: T4888
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Sobre o autor
Fernando de Camp
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 33 anos
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