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A moça alegre e o ofício de ser triste

Hoje a moça alegre desmaiou triste nos braços do dia. A dor, de tão melancólica, era quase devagar. Os ponteiros, ao contrário, eram muito rápidos e carregavam o tempo. Acordou com um sono bom de ficar na cama. Olhou os minutos, todos eles muito apressados, e decidiu esquecer a pressa.
Hoje a moça alegre ficou dormindo triste a tarde toda.
Quando caiu a noite foi a um barzinho e sentou-se numa mesa discretamente iluminada. Ela esperava alguém, embora soubesse que ele jamais viria. Acontece que isso lhe era necessário para viver. Todos os dias verificava a caixa do correio, todos os dias olhava os ponteiros por alguns minutos, todos os dias fingia esperar alguém atrasado. Ela era um pouco mais feliz assim. Algumas vezes até conversava um pouco com ele, às vezes dançavam após um copo de vinho. Era muito triste pensar na vida sem aquele sorriso meio bobo; por isso ela namorava uma sombra que nem sempre aparecia. Talvez um dia ele voltasse, talvez ele a amasse novamente ...
Sentada timidamente na mesa de um bar vazio ela continuava esperando, era esse o seu ofício. Se alguém pudesse ler os seus olhos não hesitaria em abraça-la e chorar junto. Se alguém pudesse realmente entender o que aquela moça sentia, talvez nunca mais conseguiria dormir sem pensar em alguém que já não existe.
Mas hoje a moça alegre entendeu a solidão e ficou triste.
luana vignon
Enviado por luana vignon em 06/10/2005
Código do texto: T57360
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Sobre a autora
luana vignon
Araçatuba - São Paulo - Brasil, 35 anos
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luana vignon