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APENAS UMA FÁBULA MENOR




Enquanto voava perdia-se em nobres pensamentos a pequena mosca -Como diminuir a liberação de poluentes no ar? -Como resolver a questão política nos países subdesenvolvidos?-Qual é a minha responsabilidade ética e moral no mundo hipermoderno? – A paz no Oriente médio depende do esforço mútuo das moscas de diferentes etnias e credos somente? – Sou resultado apenas de uma evolução e, portanto, responsável apenas pelo meu bem estar ou tenho o dever de prover a devida condição para outros seres menores a também evoluírem? –Qual o sentido metafísico da existência ou estamos...bem, deixemos a pequena mosca a voar e a pensar, ou, se nos prendermos aos seus devaneios talvez comecemos a ser partícipes de sua maldição.
Estava a um canto da casa uma aranha. Pragmática e predadora, a caçadora via voar sem rumo a pequena mosca.Limpou as patas, esticou um fio transparente de teia e, com olhos fitos na presa começou a fiar sua armadilha. Não calculou, nem precisava pensar, sabia instintivamente o que tinha de ser feito e começou de um lado ao outro da sala a amarrar as pontas de sua teia.
A mosca voava, a aranha tecia, a mosca pensava, a aranha balançava de um lado ao outro, a mosca sentiu algo grudar as suas asas, a aranha começou a salivar, a mosca começou a se debater, a aranha lentamente se aproximava, a mosca começa a suplicar: - Por favor, sou tão jovem! – Você pode ser melhor do que isto, não notas que sou um ser vivente? – Não percebes que sinto, penso, existo? – Por que não falas comigo? – Ó nobre aranha, tenha piedade, juntas poderíamos mudar o mundo!!!
A aranha lentamente amarra a mosca, seu zumbido lhe era indiferente, nada entendia, apenas lhe dava mais vontade de matar o zumbir das moscas, lhe apertou, espremeu, silenciou, comeu.
Como toda fábula digna de ser devo eu terminar esta com uma conclusão, uma moral, uma idéia que dê sentido à barbárie da aranha e ao martírio da pobre mosca, devo deixar algo que sacie o atento querer do nobre leitor, preciso responder os porquês, os principais conceitos geradores de tensão, a ética por trás das aranhas, as idiossincrasias que fazem com que ler a uma fábula seja um exercício intelectual excitante. Mas não posso, sinto algo grudar em minhas asas.
Daniel Medeiros
Enviado por Daniel Medeiros em 27/08/2007
Código do texto: T626181

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Sobre o autor
Daniel Medeiros
Bragança Paulista - São Paulo - Brasil, 38 anos
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Daniel Medeiros