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Modelos # 2

Ela cheirava com uma condenada, como se a Colômbia fosse encerrar as exportações do seu produto mais vendido. As colegas já estavam preocupadas com o vício dela e avisavam dos perigos. Citavam casos de outras que como ela acabavam na sarjeta, sem fama e grana ou mortas por doses excessivas em moquifos do subúrbio.

Tudo tinha começado em uma festinha de embalo oferecida por algum milionário, por mera curiosidade. Uma carreirinha em cima de uma mesa de mármore. Várias das amigas experimentaram ou já eram adeptas convictas e ela não via mal algum naquilo, além de ajudá-la a se manter esguia como era preciso.

No começo ela consumia com moderação, depois de certo tempo perdera o controle e metia o nariz com tudo no estimulante pozinho branco.

Seus conhecidos e amigos estranharam quando passou a andar com um notório traficante e adquirira um discretíssimo .22, cabo de madre-pérola, que só faltava a assinatura de um estilista famoso, e cabia com perfeição mesmo na menor das bolsas que tinha.

Sua má fama começava a precedê-la e os trabalhos, sempre bons e vantajosos em termos financeiros, garantindo muita visibilidade para outros tantos, começaram a ficar escassos até sumirem por completo.

Estava se tornando um caco, um verdadeiro farrapo humano para usar um chavão, sem a menor similitude com a viçosa garota que adornava perfeitamente tantas capas, editoriais e passarelas. Sua magreza tornara-se assustadora e as poucas amigas que continuaram em seu convívio a convenceram da necessidade de se tratar e ficar limpa. Aquelas mesmas garotas que, se não a haviam apresentada formalmente à cocaína, eram as que faziam esporádico uso recreativo da substância.

Depois de uma intervenção, coisa de americano, ela se viu acuada por tantos argumentos para começar o processo de reabilitação e se internou numa clínica. O namorado traficante perdeu uma das maiores clientes, apesar de vender para ela com um desconto camarada do preço de tabela. O que realmente o preocupava era que ela se constituía um verdadeiro arquivo ambulante. Ela sabia de tudo que ele sabia. Pressionado por seus subordinados precisava dar um jeito nisso.

Ninguém acreditou quando ela foi encontrada chorando perto do corpo do ex-namorado em seu quarto naquele spa, com a pequena pistola ainda fumegando no chão. Ela havia se livrado da dependência química, mas um mau hábito por vez e sorte dela ter o mimo mortal ainda à mão, debaixo do travesseiro de sua cama.
Leandróide
Enviado por Leandróide em 29/08/2007
Código do texto: T629202

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Sobre o autor
Leandróide
Florianópolis - Santa Catarina - Brasil
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