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Nada na janela

Acordou no meio da noite, suando, tremendo, e olhou pela janela.

Nada.

Coçou a cabeça de nervosismo. Respirando fundo. Era uma terrível sensação de que eles poderiam entrar no seu quarto a qualquer momento. Olhos arregalados, gosto ruim na boca. Tinha medo. Olhou pela janela.

Nada.

Ele sabia que não existiam extraterrestres. Claro que não existiam. Era pura paranóia dele. Mas não teve coragem de levantar. Tinha medo de acender a luz e dar de cara com um alienígena. A escuridão era uma proteção. Deitou novamente, fechou os olhos. Suspirou. Pensou na cena dos extraterrestres entrando no seu quarto, com suas mãos impossíveis tocando nele. Iriam abduzi-lo. Abrir seu corpo. Ou talvez ele já tivera sido levado por eles. Mas não se lembrava. Talvez daí vinha seu medo. Talvez aquilo tudo fosse a sensação de presença dos alienígenas. Levantou depressa. Olhou pela janela.

Nada.

Ele se sentia ridículo com aquele medo insano. Mas parte dele olhava o desconhecido do universo e concluía que era óbvio que eles estavam ali. E agora era a vez dele ser levado. Estudado. Ou não. Talvez ele tivesse tido seu cérebro lavado depois da última abdução. O medo era arrepiante. A qualquer momento luzes estranhas surgiriam do céu. Um facho entraria pela sua janela e formas humanóides entrariam no seu quarto. Eram os extraterrestres. E ele teria que olha-los. Ele temia muito olhar para eles. Sua aparência devia ser assustadora. Mas o que mais assustava era a idéia de existirem extraterrestres ali, na sua casa. E eles viriam lá toca-lo. Passou a mão na testa suada, estava sentindo frio, e ofegava. Olhou aflito pela janela.

Nada.

Resolveu não mais pensar nisso. Não adiantava nada mesmo. Afundou a cara no travesseiro. Respirou fundo. Concentrou-se até que o medo insano vira-se um leve desconforto. Resolveu imaginar como seria seu dia. E pensou em coisas diversas para espantar os extraterrestres. Aos poucos o sono foi chegando. E a aflição ia virando sonhos estranhos, sonhos aflitivos. Antes de dormir de vez ele deu uma olhadela para a janela.

Nada.

Aí dormiu. E dormia quando uma luzinha cruzou o céu da cidade. E depois...

Nada.
Guilherme Drumond
Enviado por Guilherme Drumond em 25/10/2005
Código do texto: T63414
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Sobre o autor
Guilherme Drumond
Rio Bonito - Rio de Janeiro - Brasil, 37 anos
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Guilherme Drumond