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Mateus

Finalmente matei o cretino... Tomei cuidado de acertar o coração bem na primeira bala; depois foi só descarregar o resto no peito do filho da puta. Ele sangra muito. Vou deixar o presunto aí mesmo. Lugar desse tipo de gente é na sarjeta.

Não sei o que está havendo, mas acho que não quero sair daqui... Confesso que se pudesse, ficaria aqui até ver ele apodrecer. Mas infelizmente eu tenho mais o que fazer... Antes que o sangue dele molhe minhas botas, eu saio de perto do falecido e ando para o bairro com a arma guardada.

É estranho para mim, estar aqui. Sei que o cortiço das garotas fica neste lugar, mas esta não é minha jurisdição. Na verdade eu sempre deixei claro para o Daniel que este seria o último lugar que eu gostaria de ver. Assim, quando meu informante soube e me avisou que Lucius passou pelo cortiço, preparei toda a trama e o segui até aqui para executá-lo. Assim o Daniel não desconfiará de mim, e vai achar que ele foi assaltado ou coisa assim.

Um vento sopra mais forte, Faz frio...

A baixada do Glicério é um lugar desagradável para mim. Não é ruim pela pobreza e nem pelo caos por estar no centro de São Paulo, mas pelas lembranças de velhos fatos ocorridos. Na verdade foi aqui que eu me criei. Aqui eu fiz minha vida e me fiz homem.

Meus pais compraram um sobrado pequeno em uma das ruas aqui (eu a evito sempre que preciso passar por estas ruas)... Ali eles montaram seu grande sonho. Sonho simples, de pessoas pobres, mas que foi erguido com amor e a esperança de com muita luta, criar ali uma família, uma vida e um lar.

Algum tempo depois, eu vim ao mundo. Nunca tive muito luxo... Filho de pais pobres. Mas tinha muito amor pela minha família. E meus pais sempre foram muito presentes e ótimos educadores.

Tudo correu bem durante quatorze longos anos, a não ser pelo ano em que minha mãe perdeu um filho vítima de uma hemorragia interna. Foi um ano triste, mas que logo foi superado pelo amor que havia entre nós. Mas estes quatorze anos se passaram...

Comecei a trabalhar num açougue de um amigo de meu pai. Fiquei muito feliz durante esse tempo, me sentia realmente homem com um emprego a zelar, e com dinheiro suado ganho no final do mês. Meu pai costumava dizer que um homem tinha que aprender a se sustentar desde cedo, para não ter que depender de ninguém. Hoje, mais que ninguém eu sei disso.

O dinheiro que recebia era sempre de uso pessoal meu. Meus pais diziam que ele servia para comprar aquilo que eles não poderiam me dar. Eu estava ainda entrando na adolescência, e lembro-me de que aquela foi uma fase muito divertida em minha vida...

Na escola, sempre fui um aluno exemplar. Tinha boas notas, era muito astuto, e aplicado com os estudos. Entre os colegas, não era muito bem visto, pois era mais pobre que a maioria deles, e era discriminado por isso. Confesso que fui nutrindo um ódio quase mortal por eles. Tornei-me um garoto sério, com um lado social muito defasado. Não ia às festas, quase não me relacionava com garotas e não participava dos assuntos dos outros garotos. Era um adolescente fechado, e com uma inteligência acima do normal.

Meu pai trabalhava em uma fábrica de pneus, e na época este trabalho o expunha a uma fumaça tóxica, que lhe corroia os pulmões aos poucos. Houve tempos durante minha infância em que ele ficava doente, e não podia trabalhar por semanas. Minha mãe cuidava dele. Ela trabalhava de enfermeira em um hospital público, onde papai ficava internado.

Alguns anos se passaram. Meu pai teve uma crise mais forte, e um tumor foi detectado em seu pulmão esquerdo, e infelizmente ele já sabia que era irreversível e que tinha pouco tempo de vida.

Completei dezoito anos. Como me dediquei muito aos estudos durante o colegial, recentemente concluído, tentei entrar na USP para fazer medicina. Era o curso mais concorrido do país,mas eu tinha a capacidade e a dedicação necessárias.

Passei na prova. Dois dias antes de saber o resultado, meu pai falecera...

Mamãe ficou abatida. Entrei em depressão e larguei o curso após dois anos, pois a situação financeira havia piorado muito depois que meu pai partiu. Neste mesmo ano, minha mãe parou de trabalhar, pois fora demitida do hospital. Ela realmente ficou acabada depois disso. Ainda sentia falta de meu pai. Ele dava segurança a ela. Segurança que eu não poderia dar, mesmo gerenciando toda a parte financeira da casa, agora trabalhando como supervisor de uma empresa de carpintaria. Ela se sentia só. Viúva, parentes ausentes e com um filho com personalidade de vidro.

Minha mãe estava fragilizada, e precisava de algo para aplacar a dor. O álcool surgiu na vida dela durante dias em que eu saía para trabalhar e deixava algum dinheiro. Ela comprava garrafas de cachaça e vinho barato. Com o tempo, tudo se tornou uma bola de neve, e uma noite ela faleceu, vítima de um coma alcoólico que se sucedeu durante uma crise de tristeza paralisante que ela teve durante a tarde.

Lembro-me de ter chegado em casa e encontrado-a desmaiada, molhada pelas lágrimas e cheirando a pinga. Fiquei desesperado, levei-a ao pronto-socorro, mas ela não resistiu.

Pensei seriamente em suicídio naquele ano. Meu estado era tão crítico que eu fui demitido por não estar em condições de trabalhar, porém meu chefe não se importava com isso.

O seguro que minha mãe recebeu depois da morte de meu pai era uma quantia até significante, mas havia acabado depois de sua morte. Realmente as coisas estavam muito mal em minha vida. Quando olhei à minha volta, notei com tristeza que, apesar do inferno ter passado, e agora tudo estar mais calmo, minha vida desabara e eu não tinha mais onde me apoiar.

Passei fome. Minha necessidade era imensa, e eu precisava trabalhar. Fiquei sem dinheiro, e a única fonte de vida que eu tinha era meu ódio por todos. Questionei muito minha vida. Minhas idéias conflitaram e minha ética ficou em xeque. Fiquei com medo de me tornar um daqueles que meus pais sempre me disseram para ter medo.

Mas a fome foi maior. Pedi ajuda a um parente e ele me mandou para um albergue de mendigos, e simplesmente me deixou ali. Fiquei com ódio, e decidi que não iria mais pedir ajuda a ninguém. Precisava seguir minha vida, e aquilo era o que eu ia ter, não importava mais o preço que me custaria... Honra... Ética... Nada mais importava. Eu era agora um animal. E tinha fome de viver.

Voltei a morar na velha casa de meus pais. As contas estavam se acumulando, e a minha sujeira também. Logo a luz foi cortada, e eu entrei em desespero. A comida havia acabado outra vez e não havia dinheiro para comprar mais. Recebi um recado da prefeitura falando em despejo, mas nem me importei, a prefeitura não se importa com um lugar desses.

Naquela noite, tramei um roubo a uma videolocadora do centro, e decidi que iria executá-lo para poder comprar algo para comer.

          Um pé de cabra foi tudo o que precisei.

Destruí um cadeado para abrir a porta dos fundos, que se encontrava em um beco ao lado do estabelecimento. Após entrar, guardei o pé de cabra no cinto e peguei um extintor de incêndio. Com ele eu consegui quebrar a gaveta do caixa, e vi que ali havia dinheiro. Não era muito, mas dava para passar a semana. Guardei o dinheiro no bolso. O roubo estava feito. Agora era só sair dali e ir embora para casa.


Estava saindo da loja, quando uma porta perto de mim se abriu. Uma velha irrompeu no salão escuro e gritou...

--- Ladrão!!! Pega ladrão!!!

Ela tinha mais ou menos sessenta ou setenta anos. Havia medo no rosto dela, mas ela fixa os olhos em mim e grita desesperada.
Meus olhos a fixam. Um animal toma conta de mim. Não consigo mais conter a fúria bestial que me toma. Perco a sensibilidade nas mãos e vejo-as golpeando a velha com o extintor no meio do estômago. Uma vibração mínima do chão denunciava a queda que meus olhos mostravam mas que eu não enxergava. A velha caíra no chão e gemia de dor, implorando que eu não a matasse...

Meus instintos nunca estiveram mais fortes como naquele momento. Realmente meu controle havia se perdido completamente. Minha razão estava tomada pelo ódio por tudo e todos, e agora era usada para cometer o crime de forma a não ser pego pela polícia depois. Meus pés, descontrolados, chutavam insistentemente a cara da velha, que já desfigurada, chorava e gemia enquanto o sangue escoria por seu nariz e boca, além dos cortes deixados pelo meu sapato.

Senti um calafrio, meu coração batia num ritmo tão acelerado que chegava a doer no peito. Se estivesse são, acharia que estava enfartando. Mas não estava. E sentia uma espécie de prazer nisso. Meus braços novamente entravam em ação... Levantaram-se... a velha chorava… eu comecei a rir… o animal venceu... o extintor agora desce... desce com força...

Meus ouvidos registram minha crueldade com o som de um baque... o crânio da mulher se espatifa em pedaços, espalhando sangue e os miolos dela por todo o chão. Estava feito. Ela estava morta e eu tinha o dinheiro. Voltei para casa correndo, como um animal em fuga. Desci pelas ruas tradicionais do centro, agora vazio. Uma sirene toca. A polícia entra na rua, com suas luzes piscando e girando. Corro como nunca e me escondo em um canto de uma praça entre os arbustos em volta de um monumento. Espero pacientemente eles passarem, volto a correr para casa. Ao chegar recupero a consciência e um remorso vem.
Quero morrer. A culpa me corrói. Lembro-me de meus tempos de criança, de meus pais, de tudo que eu havia vivido até aquele momento. Como meu castelo havia se desmanchado!!!

Chorei. Passei aquela noite em claro, chorando e olhando para o teto. Precisava de algo para fugir dali.

Mas o tempo foi passando. O remorso foi morrendo... o ódio foi crescendo à medida que o dinheiro acabava. Outros crimes seguiram-se após aquele, e outras mortes ocorreram. Decidi ir embora. Mudei-me para um barraco na favela do Heliópolis, onde vivo até hoje.

Após algum tempo, comecei a me infiltrar no meio dos traficantes que comandavam a favela e decidiam quem vivia e quem morria. Ali eu conheci o Daniel. Após algum tempo, eu comecei a comandar a venda de armas e a fazer alguns serviços sujos para ele, o que sempre me garantiram o alimento de cada dia. Aprendi a matar e não sentir remorso.

Às vezes sentia tristeza de ver o que me tornei, vendo meus sentimentos evaporarem-se e misturarem-se ao céu poluído da cidade.
E aqui estou eu outra vez, na origem de todo o mal. Amaldiçôo este lugar. Pego minha moto e saio daquele viaduto. Merda!!! Ao cruzar uma rua próxima à cena do crime, uma viatura da polícia vem atrás de mim. Alguém deve ter me denunciado. Preciso fugir.

Virando algumas ruas, entro na rua onde me criei. Deixo ali minha moto, escondida num terreno baldio. Troco o pente da arma. Os policiais não podem me ver aqui, mas preciso fugir. O frio aperta, meus sentimentos deram lugar ao animal outra vez. Avisto minha velha casa. Abandonada, com vidros quebrados e tudo que ali foi deixado.

Um celular vibra em meu bolso. Atendo. Uma voz de mulher. Um grito de desespero. Uma mistura de horror e tristeza. Um grito seguido de um lamento típico de quem se vai. Sussurro que tantas vezes já ouvi em meus dias de crimes. Muitos homens, mulheres e até crianças que matei costumavam sussurrar assim enquanto agonizavam. Em geral pediam, imploravam para que eu terminasse logo com suas vidas e tirasse a dor e o sofrimento que eu causava em seus corpos.

No íntimo eu acho que me sinto como essas pessoas. Imploro de certa forma para morrer. Vivo uma vida perigosa, e me entrego à adrenalina que ela me proporciona. Andando sempre em companhia da morte, esperando apenas o momento em que ela me estiver esperando para ceifar minha vida.

Entro na casa. Os móveis ainda estão no lugar de sempre. A poeira tomou conta deles. Acho que agora eles deverão servir apenas de morada para os cupins, que não se importam com as memórias ali contidas. A poltrona do meu pai ainda está ali. Agora é apenas um trapo velho, mofado e sujo... tão podre quanto a carcaça de meu pai...

Sigo para a cozinha. Ao chegar na porta, ouço uma voz, que faz sentir calafrios de horror. Uma voz familiar. Rouca, em meio a pigarros e tosses, típica de alguém com problemas respiratórios. A voz do meu pai.
--- Oi filho... Chegou tarde hoje. Como vão as coisas? Conseguiu passar no vestibular?
Olho para trás e fito a poltrona. Vejo uma sombra curvada e jogada sobre o assento. Como pode ser? Está escuro, mas as luzes da rua mostram um rosto triste no homem da poltrona. Não pode ser meu pai, mas minha mente sente de novo o amor por aquele ser. Há tempos não me sentia assim. Achei que tivesse esquecido tudo isso. Olho nos olhos dele. Preciso responder algo.
--- Sim, passei.
--- Que alegria...
Uma lágrima cai de seus olhos. Ele tosse e volta a falar...
--- Nunca me senti tão orgulhoso de você filho. Hoje, sei que se eu tiver que partir, partirei feliz de saber que todo o trabalho que tive durante sua criação serviram para te tornar um homem de bem. É pena que não poderei ver você se formando, nem te ver trabalhando como médico, pois este tumor logo vai me matar. Queria que você soubesse que tenho fé que você ainda será um grande homem. Te amo, meu filho...

Após dizer isso, ele tosse um pouco e começa a se apagar. Uma última lágrima rola por seus olhos. Ele sorri contente para mim e desaparece no ar. Tudo é silêncio agora. Caio de joelhos no chão empoeirado. Meus olhos explodem em lágrimas. Sou uma vergonha...
Olho agora à minha volta. As sombras se movem lentamente, dançando ao som do canto silencioso da noite e moldando-se pela luz da rua que atravessa a grande janela da sala e toca as cortinas de seda branca, agora amarelada pela sujeira do tempo, balançando pelo toque do vento que vem de fora através dos vidros quebrados.
Entro na cozinha. Tudo permanece em seu antigo lugar. Panelas, geladeira, fogão… Todos parados, formando uma pintura grotesca já amarelada pelo tempo... Por falta de sol, cuidado e amor, as plantas agora estão secas e endurecidas. Mortas como a própria casa. Lembro-me de um pé de feijão no parapeito da janela. Eu plantei-o quando criança. Ele cresceu bastante e eu sempre cuidava dele. Agora ele está morto, seco e sem viço. Fico triste ao ver que aquelas belas folhas que desciam pela parede abaixo da janela, com seu caule torto e cheio de galhinhos em forma de espiral de onde saíam as folhas e as sementes… Tudo secou, junto com minha alma criminosa. Os galhos agora pendem como pedra na terra infértil do vaso.
Subo as escadas. Há muito bolor agora nas escadas que eu e minha mãe cuidávamos com tanto carinho.

Um vulto passa pelo corredor ao fim da escada. Me assusto... Será que há mais alguém aqui? Pego e recarrego minha arma. É uma Magnum de alta classe. Um tiro bem mirado pode explodir o rosto de uma pessoa. O peito do Lucius deve ter ficado bem aberto...

Subo as escadas com cuidado, passo pelo corredor e entro no velho quarto de meus pais. Não há ninguém. Apenas a cama de casal com lençóis bagunçados e mofados… Os armários e a velha penteadeira de minha mãe...

Outra alucinação surge... ou será real? O espelho mostra a imagem dela se arrumando como que para sair, com um vestido azul que ela gostava muito. Ela olhou para mim, e deu um grito. Um grito que fez meus ossos gelarem de pavor. Grito de desespero, como se tivesse ficado com medo de me ver. Ela desaparece, mas ainda ouço a voz dela...

--- Assassino!!! O que houve com o garoto que sempre me deu orgulho? Será que morreu também??? Parece que você ficou descontente e ainda por cima virou um safado, que se aproveita da desgraça dos outros.
Lágrimas caem de meus olhos como uma cachoeira... Caio de joelhos e peço num grito para que ela me leve. Quero morrer; quero morrer...


--- Você acha que merece morrer? Eu digo que não... Quero que você padeça e sofra com sua própria consciência! E para isso, eu te condeno a ouvir sempre os gritos de dor daqueles a aquém você destruiu...
Não posso crer no que ocorre. Os rostos de todas as pessoas que matei surgem em minha mente. Todos gritando com ódio, sufocando meu choro... A porta da sacada se abre... Corpos desfigurados de pessoas que foram minhas vítimas vêm em minha direção, murmurando lamentos bizarros. Chega!!! Tenho de ir embora deste lugar... Desço as escadas e sigo para a sala, onde todas as vozes desaparecem. Meu pai surge de novo na porta que leva para a rua. Ele me olha triste, decepcionado.
--- Como pôde fazer isso comigo, meu filho? O que mais você quer de mim? Já levou minha alma, minha felicidade, meu orgulho, minha esperança; o que mais você quer?


--- Me perdoe, pai...


Ao dizer isso, aponto a arma para minha cabeça. Não posso mais continuar com isso. Vou terminar com todo esse sofrimento. O espectro de meu pai começa a se decompor. Tudo apodrece até que se torna um esqueleto que se desmonta no chão. Atrás dele aparece uma outra sombra. Esta apenas ri, dando gargalhadas de satisfação. Mais uma vítima minha. Lucius. Aparece agora sem o terno e a camisa. Seu peito agora não tem ferimento algum.

--- Não é engraçado? Imaginei que você iria ter vergonha na cara e esperar para que eu te matasse. É mais covarde do que eu imaginei. Agora eu vou realmente tirar a sua vida, mas de uma forma bem lenta. Achou que tinha me matado com um monte de tiros no peito? Aí vai uma novidade... Não se mata quem já morreu.
Ao dizer isso, ele move uma das mãos. Eu miro e atiro outra vez no peito e na barriga do desgraçado. Tenho medo. Muito medo. A sombra da poltrona agora se move em minha direção, e minha arma cai no chão, atingida por um golpe desta.
--- Assustado??? Olhe para mim, seu cretino!
Os ferimentos se fecham como se nunca tivessem sido feitos. Lucius olha para mim com ódio. Ele abre a boca em tom ameaçador e mostra seus dentes muito brancos e animalescos. Seus caninos cresceram, e seus olhos tornaram-se brancos. Entro em desespero... Como é possível? Não há como! Não tem volta... Não tem volta...

--- Pois assim é, Mateus. Depois dessa noite em família acho que não é tão anormal assim você se encontrar com um vampiro, não é? Você é tão esperto... Achei que você acabaria descobrindo por si mesmo. Vejo que me enganei. Mas foi divertido brincar com seus sentimentos. Eu te segui até aqui desde o viaduto. Parabéns, você me pegou de surpresa. Mas eu levantei e segui seu rastro. Chegando aqui, vi que você estava todo emotivo e decidi usar algumas ilusões para te deixar com remorso... Agora chega. Eu vou te fazer um favor. Vou dar aquilo que você tanto esperava e desejava.

Ele segura um de meus braços. Tento escapar, mas ele é forte demais. Com facilidade, ele leva meus braços até sua boca e crava seus caninos em meu pulso. Neste momento, uma dor absurda toma conta do meu corpo. Estou paralisado. Um lapso de vontade de viver surge repentinamente em meu ser, mas agora é tarde demais…
Após muito tempo, ou assim pareceu tamanha era a minha agonia, a dor começa a desaparecer, e minha vista lentamente escurece. Penso novamente em toda a minha vida, e concluo que tive minha chance de evoluir, mas joguei-a fora. Agora me restam os caminhos escuros e incertos, que precisarei percorrer pela cidade para buscar talvez por toda a eternidade a minha tardia redenção...
Tiago Bosquê
Enviado por Tiago Bosquê em 04/09/2007
Código do texto: T638534

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Sobre o autor
Tiago Bosquê
Santo André - São Paulo - Brasil, 30 anos
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Tiago Bosquê