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A porta entre os mundos

  Naquela manhã nublada tudo corria normalmente. Carros na pista, guarda na calçada, crianças na faixa de pedestre e pássaros no céu.
Na verdade, estava quase tudo tranquilo, pois um curioso percebeu algo estranho no canto da pista. Parecia uma fumaça, mas se você olhasse direito, ia parecer uma placa.
  O guarda estranhou o curioso e foi ver o que ocorria, mas também foi atraído pelo estranho objeto. Segundo o guarda, era um 'outdoor' coberto pela neblina, por isso era pouco nítido. Mas um motorista interveio e disse que estava muito perto para ser um 'outdoor'.
 Quanto mais gente chegava, mais o objeto tomava forma. Chegou uma professora e disse que era uma alucinação. Veio um padre e disse que era arte do demônio. Mas uma criança, muito ousada, disse:
  "É uma porta!"
  Realmente, o objeto tomava forma de uma porta. A princípio parecia uma porta grotesca, de madeira antiga. Depois, a madeira foi ficando dura e se transformou num ferro. O ferro enferrujou, e a porta parecia que iria despencar. Assustados, os admiradores da porta se preparavam para ir embora, mas foram tomados por um brilho. era um brilho tão forte que doía os olhos, mas relaxava a alma. Tomaram conta que a porta era de ouro.
  "Estou vendo coisas. Nunca mais bebo tanto" pensou um mendigo que por ali passava. Mas os admiradores da porta nem sequer tomaram conta que a porta estava entre nada e lugar nenhum. Estavam apenas admirando-a.
  Então, outro motorista indagou:
  "Para onde essa porta dá?"
  Ninguém respondeu essa pergunta, pois tinham vergonha de falar besteira. Quer dizer, só os adultos tinham, pois adultos valorizam sua imagem de tal forma que impedem seu coração de falar, a fim de conservar seu pensamento. Mas, uma criança, das mais inocentes do grupo, respondeu:
  "Acho que vai para outro mundo!"
  Essa resposta abalou o grupo, que preferiu ficar calado à rir da resposta da pequena, que parecia ser tão imbecil. O guarda, procurando o bom senso, disse:
  "Vamos voltar à nossa rotina. Não podemos viver questionando isso nem se aventurar no desconhecido. Vamos, essa porta pode ser perigosa." E todos se afastaram da porta, e a medida que se afastavam, a nitidez do objeto diminuia, até voltar a ser aquela estranha fumaça.
  Mas a porta continuava viva e quente para a inocente menina, que olhava para a porta como um guloso olha para um bolo. E também ficava olhando como seria esse outro mundo que os adultos ignoravam.
  Quando falamos outro mundo, não quer dizer outro planeta, pois este é do nosso mesmo mundo. outro mundo quer dizer outras dimensões, outros seres, e outros desejos.
Athos Krochensko
Enviado por Athos Krochensko em 05/09/2007
Reeditado em 06/11/2009
Código do texto: T639993
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Sobre o autor
Athos Krochensko
Taguatinga - Distrito Federal - Brasil, 50 anos
18 textos (832 leituras)
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