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Guerra

Caminhávamos á três dias, o sol parecia derreter nossos cabelos, erramos em cinqüenta, cinqüenta corpos na exaustão, corpos pesados pela farda e pela missão imposta.
Cantávamos enquanto íamos ao nosso destino, destino traçado por nossa própria espécie, o canto preenchia nossas mentes e não pensávamos mais em nada, somente na luta com os próximos inimigos. Tinha 22 anos e deixara para traz, minha mente já trazia as conseqüências de meus atos inconseqüentes, meus valores mudara e na mão não tinha flores e sim uma pesada arma que já não mais suportava segurar, estava no meio do pelotão ao lado da minha nova família, de vez enquando o som forte dos aviões nos despertava do sono e do cansaço. Um grito ordena para pararmos, estávamos chegando a mais uma exterminação de humanos, iríamos invadir uma aldeia inimiga e aniquilar com tudo e com todos, descansamos um pouco, carregamos as armas e marchamos rumo ao sangue.
Estávamos a cem metros da ladeia, e já se escutava o choro das crianças e das mulheres, estávamos incumbidos de destruir tudo e matar a todos, em nossas mentes perturbadas não havia o questionamento daquela ação, eles não tinham armas, estavam indefesos, avançamos com tochas e ateamos fogo nas casas, o corre corre foi grande, e sem defesa os corpos iam caindo, o som dos tiros se misturava com os gritos agonizantes de dor, fui correndo junto com minha loucura, e matar era um ato comum, já não pensava m,ais em nada, só queria matar e acabar logo com a vida “inimiga” para podermos descansar, quase no final da aldeia, observei uma casa ainda de pé, me aproximei e pude perceber que a maioria das crianças estavam lá tentando escapar do que elas ainda não entendiam.
Meus olhos fixaram aquela cena, em meus pés algumas delas imploravam o perdão, minha mente explodiu em consciência, tentei achar um motivo, uma razão, mais não existia nada para ser perdoado, os pais daquelas crianças não tinham feito nada, alem de terem nascidos em outro país, minha vontade no momento era de pegalas no colo e salva-las, quando comecei a chorar entraram na casa alguns soldados, olhei assustado e ali pressenti o pior, um deles pegou uma criança no colo e usou sua arma, o tiro despedaçou aquela pequena cabeça, eu sem ação e com o coração revolto assisti sem fazer nada meus irmãos matarem uma por uma, no chão o sangue cobria meu coturno, escutamos um choro, era a ultima criança, nos seus olhos o desespero e a dor transbordavam na forma de lagrimas, mais nada podia ser feito, e o tiro calou suas ultimas palavras de dor.
Não ouvia mais o choro, ouvia a risada dos soldados em retirada, sentei no chão vermelho, peguei uma criança, e como se pudesse, comecei a ninar aquele corpo já sem vida. Fiquei ali por alguns minutos cuidando de crianças mortas, foi quando percebi que perdera toda minha sanidade, se pe que tinha alguma, comecei a recordar o ultimo dia em minha casa, o ultimo almoço com minha família, as ultimas risadas, vi de novo a mão da minha filha tentando segurar na minha na hora em que o trem partia, olhei novamente ao meu redor e vi em cada corpinho no chão o fim da minha vida, usei a mesma arma que tirara a vida de tanta gente para tirar mais uma, a minha, e fui, não andava, mais voava, voava baixo pois o peso que adquiri penitencia, mais isso não resolveu, não apagou a dor que causei a meus irmãos e a mim mesmo, continuarei voando para ganhar altura e um dia poder levar ao céu aqueles que sem assa deixei.
Fabiano Zappala
Enviado por Fabiano Zappala em 06/09/2007
Código do texto: T640978
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Sobre o autor
Fabiano Zappala
São Paulo - São Paulo - Brasil, 41 anos
3 textos (57 leituras)
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