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Os Cavaleiros do Apocalispe I


Uma lenda antiga

Tudo iniciou quando o homem sentia a perda de tudo que há de justo e possível. A escuridão alastrou-se pelo tempo e a luz esmaeceu-se em focos sumidos dentro do caos. A ordem foi destruída pelas sombras e o caos dominou o tudo e o nada. Muitos mortais foram assassinados para que apenas o mal reinasse. Aqueles que foram expulsos do céu se reuniram e destruíram a esperança e a possibilidade de vida. Um murmúrio frio andou pela terra anunciando a chegada de um mal inominável. Muitos lutaram contra as trevas, mas a luz já não existe e a batalha foi vencida pelo negro dos olhos sombrios. Os homens tornaram-se mortos em vida a vagarem pelos lugares cobertos de sangue.

O sol deixou de existir. E a lua encheu o céu de um brilho impossível e opressivo. O firmamento parecia oprimir os seres que corriam do horror que rasgava os corações. A vida vegetal foi encardida por uma maldição antiga: tornaram-se negras e cheias de melancolia. Os demônios ganharam o poder de personificação e passaram a conviver com os humanos. O homem transformou-se em escravo dos seres do mundo inferior.
A terra foi deformada pelo poder desse ser inominável. Três são as terras que existem agora: as terras negras, as terras da morte e as terras da desesperança.

Alguns ainda resistem ao Mal. Vivem escondidos nas florestas em lugares escuros e úmidos como insetos peçonhentos. São magos e bruxos que sobreviveram à chegada do maligno. Eles se reuniram para lutar contra esse medo grande. E essa luta começará sem a possibilidade de vitória. Não haverá esperança. O fracasso é o caminho que guiará os loucos que tentaram impedir um Mal maior: O apocalipse.

O apocalipse é uma profecia antiga. Quando a guerra tomar conta dos humanos, a escuridão vai destruir a luz. Os homens esqueceram desse aviso e deixaram a ambição se assentar  em seus sonhos. Tudo foi engolido pela escuridão, o sumo Bem foi acorrentado e condenado à morte. A princesa criança foi presa na Torre da Cyte (cidade dos demônios).

Temendo a chegada do fim, um grupo de guerreiros se reuniu em torno de um esforço corajoso: trazer do tempo cinco jovens que possam lutar contra o Apocalipse. Três rapazes e duas moças. Eles terão de aprender a correr de encontro ao impossível, passarão a lutar contra os demônios e os seres da escuridão. Seu objetivo fundamental será impedir a chegada do fim de tudo. Para impedi-lo, eles precisarão caminhar por lugares inóspitos e guerrear com armas na mão. Pedir ao Deus não os ajudará, pois ele não existe nessa terra.

Nossa luta começa aqui.


Era uma hora repleta de silêncio, o que de inicio contrastava com os sons de desespero que sempre se ouvia dentro da floresta de árvores negras. Abriram os olhos com a pressa de uma corrida. Acordaram de um pesadelo? Não. Iniciaram agora o maior pesadelo de suas existências. Os corpos estendidos no chão de areias brancas, começaram a se erguer com um enfado de quem acaba de acordar. O frio ajudou a perceber que não estavam em suas camas confortáveis. Olharam-se mutuamente com uma curiosidade risonha de descoberta. Após a primeira impressão passar, começou um desespero de tristeza inesperada. Onde? Como? Por quê? Que segredo é esse que está começando a coçar no peito. Eu poderia ter morrido? __  pensou um. A morte caminhará com eles em todos os instantes.

Sentiram uma voz em si como se saísse de si mesmo, dos seus cérebros. A voz rouquejada, que lembra um velho de idade muita avançada, saiu da floresta sob a forma de um anão. Um velhinho de vestidos negros e olhos brancos, sem os círculos negros das pupilas. O velho olhou nos olhos dos adolescentes e disse em seus cérebros:

___ Vocês estão nas terras negras. Aqui a esperança acabou e a desgraça domina os corações dos homens. O medo corrói tudo.  Enfim chegaram, por muito tempo estive esperando por vocês.

O que mais estranhou os jovens foi a forma como essa figura falava: não abria a boca e a sua voz vinha de dentro deles como se falasse para dentro de seus corpos. Ele continuou:

___  Mas não temos tempo para apresentações mais apuradas, pois eles poderão nos encontrar. Vamos. Depressa! Eles chegarão com a morte para perseguir-nos. Corram o mais rápido que puderem, pois se nos encontrar o fracasso será a morte de todos nós.

Os jovens ainda assustados com o lugar e a situação, não entenderam o dizer da figura estranha a suas frentes, mas sentiram um repuxo que os levaram a se levantar e correr.

___  Corram, crianças!

O velho entrou na floresta e eles seguiram. O anão corria a frente a passos rápidos.

___  Mais rápidos!! Gritava a voz dentro deles.

A floresta mais parecia um cemitério. Árvores contorcidas, neblina cava a correr pelo chão,  um grito muito agudo de tempos em tempos, cheiro de naftalina e um sabor de angústia no ar. Ás vezes, se ouvia um ruído que saia da terra como maldição que perfura o infinito.

Após alguns minutos, a misteriosa figura gritou:

___  Não há mais tempo. Vamos entrar nessa cabana.
Uma cabana de palha surgiu no horizonte gélido. A palhoça fedia a cupim. O velho entrou e os jovens o seguiram. A voz disse:

___  Quietos todos! Procurem esvaziar suas mentes, agora!

Eles, que não tinham notado que o velho segurava um cajado de madeira, viram-no balançá-lo com muita agilidade. A expressão do ancião era de horror e angústia. Na ponta desse cajado havia um círculo de um metal muito escuro com uma pedra branca que flutuava dentro deste. A pedra agora brilhou e o casebre se encheu de luz. Então, pela primeira vez, ele abriu a boca e em voz alta disse:
 
___  Öto Eocam, Öto Eocam, metrifá. Öto Eocam, Metrifá, Metrifá!

O cristal brilhou ainda mais forte. O ancião apontou o cajado para a porta do casebre como se temesse algo terrível. Notaram que sua mão tremia muito. Estava o velho com medo? Medo de quê? O que poderia haver de tão tenebroso naquela terra?

A resposta a essa pergunta surgiu instantes depois, quando na entrada da casinha de barro passou vultos negros em corrida larga. Ouviram um barulho que os fizeram tremer sem entender o porquê.  Sentiram que a multidão tinha passado, mas o velho continuou tremendo e gritando cada vez mais alto:
  ___  Öto Eocam, Öto Eocam, metrifá. Öto Eocam, Metrifá, Metrifá!

Quando menos esperavam um vulto pôs a cabeça pela porta e olhou para os lados como se não visse os habitantes que ali se encontravam.  Tinha os olhos amarelos, grandes olhos amarelos e assustadores. Era negro como tudo que havia naquela floresta. O ser maligno abriu a boca cheia de dentes pontiagudos e lançou um hálito que cheirava a enxofre. Um brilho morto de coisa assassina. O velho voltou a repetir agora com mais ainda força:

___  Öto Eocam, Öto Eocam, metrifá. Öto Eocam, Metrifá, Metrifá!

Os jovens sentiram o gosto ácido da morte. O vulto saiu e, tempos depois. o bosque era mudo. O silêncio é o pai das descobertas e a mãe do susto. O ancião baixou o cajado e deixou-se cair. Correram para segurá-lo. Ele respirou fundo e lentamente. Precisava recuperar suas forças. Mas.... ainda conseguiu falar:

___  Onde está o quinto elemento? Está faltando um.... Que o Bem o proteja!

 Próximo capítulo: Os jovens sozinhos na cabana começaram a discutir a loucura que acabaram de viver e sem ajuda de seu guia caminhará para fora de seus esconderijos. O Grande Mal já sabe dessa tentativa e abrirá o primeiro selo sagrado.
Não deixe de ler o próximo episódio: O primeiro Selo Sagrado

 
Amael Oliveira
Enviado por Amael Oliveira em 27/10/2005
Reeditado em 31/10/2005
Código do texto: T64177

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Sobre o autor
Amael Oliveira
Aracaju - Sergipe - Brasil
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Amael Oliveira