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A Saga de Constâncio e Fabiana (4)


Naquela manhã, Fabiana acordou sentindo-se bonita, feliz. Quando era assim ficava com um misto de vergonha e medo.Porque seria? Vergonha, por quê.Era uma moça bonita só de se ver pela primeira vez. Nem muito alta nem muito baixa. Tinha umcorpinho muito bem distribuído.Era esguia. Lembrava uma gazela. Seu corpo, ela nunca o tinha visto Era norma no Orfanato Sto Antônio Todas as meninas tomarem banho frio ás 5 horas da manhã, de camisola branca, pois as madres diziam que era pecado umas çbservarem os corpos das outras; Fabiana detestava aquela camisola molhada, grudada no corpo, sob o chuveiro, aumentando ainda mais a sensação de frio;Mas com o tempo, acabou se acostumando;
Sua mãe entrou um dia no banheiro pra lhe levar uma toalha nova e se assustou com a filha tomando banho de camisola..Depois dela explicar que era o costume lá no internato .Dª Maria Fel  falou carinhosamente pra filha:”Mas aqui, minha filha você está sozinha no chuveiro, não tem mal nenhum...além do mais deve ser muito difícil se lavar direito com esse pano molhado por cima. Deixa de bobagem,aqui você está na sua casa.” A partir desse dia, a moça passou a gostar daquele banho sem a camisola molhada e ainda por cima com água quente, do chuveiro elétrico que seu irmão fulo, tinha instalado. Achava uma delícia. Passou até a cantar enquanto tomava banho;Sua mãe achou engraçado.
Seu irmão mais novo, Nazon, tinha acordado gripado com febre e passou aquele dia todo deitado tomando os chás que a m~e preparava.Olavo tinha ido pra Escola então Dª Maria Fel chamou a filha e disse:” Nega”, hoje é você quem vai levar o café de Fulôás duas da tarde lá na fábrica, Só hoje pois Nazon ta caidinho.Explica pra Fulo, antes que ele encrenque com você, viu ,minha filha? “Deixa mãe!” respondeu fabiana, subitamente alegre.
Dias antes,Constãncio foi levado pelo empresário que o trouxe, até a pensão de Dª Santa, perto da Igreja, onde tratou com a proprietária um acerto mensal para “casa, comida e roupa lavada” pro rapaz; “Deixa Dª Santa que esse aqui é protegido meu.
É tudo por minha conta”.
”Tudo bem Dr Alexandre. Se é indicado pelo Sr, só pode ser gente boa!”  Concordou a mulher.Dª Santa até aquele dia só hospedava moças, mas o homem era um dos donos da Fábrica de tecidos, como é que ia dizer um “não” pra ele?Em seguida levou Constâncio pra conhecer o campo do Cedro Esporte Clube e a “Fábrica de Tecidos Cedro/Cachoeira”Constâncio combinou com o técnico do time que começaria a treinar naquele dia mesmo, no final da tarde.Fêz três gols naquele treino e empolgou os torcedores presentes, que só comentavam sua atuação em toda rodinha que se formava.”O rapaz é rápido como um foguete e tem duas bombas nos pés, pessoal;tanto no esquerdo como no direito, vocês têm que ver!”
Foi justamente numa destas rodinhas, no pátio da Fábrica que Constâncio estava conversando com os seus futuros companheiros, inclusive “Fulô”, que perguntavam como podia ter uma forma física daquelas; O rapaz tinha físico de lutador de “boxe”.
É que lá em Januária, minha terra, eu era acostumado a nadar no Rio São Francisco, que passa na porta, pelo menos uma hora todo dia, pra manter minha forma..Explicava Constâncio;.
Fabiana foi chegando de mansinho e sem querer interromper a conversa encostou em “Fulô” e entregou a cestinha de vime que a mãe carinhosamente preparara, para o irmão mais velho.não é preciso dizer que a conversa se interrompeu assim mesmo, só com a presença de Fabiana que estava misteriosamente mais bonita naquela tarde; Cadê Nazon? Perguntou Fulô, sério. Amanheceu com febre e Olavo foi pra escola;Mãe me pediu que trouxesse seu café da tarde, só hoje, ta?sussurrou Fabiana.
Tudo bem, Nega, disse Fulo. Fabiana passou os olhos rapidamente pela roda dos operários e seu olhar demorou um  pouco mais quando cruzou com os olhos negros do moreno de cabelos encaracolados, talvez porque era o único que não usava uniforme; Mas que sentiu um formigamento no peito, sentiu.

Aecio Flávio
Enviado por Aecio Flávio em 12/09/2007
Reeditado em 06/10/2007
Código do texto: T649526
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Sobre o autor
Aecio Flávio
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 76 anos
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Aecio Flávio