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A muralha e os escombros

        Certo rei moveu grande quantidade de serviçais, até mesmo idosos e crianças empenharam-se com vigor em um esplendoroso engenho do monarca. Dias e noites, suor e lágrimas, pedras após pedra foram então delimitando as proporções de uma imponente muralha.
Dizia o rei que nunca mais seria atacado por saqueadores furtivos que espreitavam as esperançosas florestas do seu reino...
Dizia ele também que toda a fé que houvesse em sua alma agora seria depositada na confiança para com a proteção que a imensa muralha poderia trazer.
Sua amada esposa, sempre tão escolástica no viver, conduziu com encanto os empregados no adornamento das paredes internas da muralha. Foram trazidas tapeçarias do oriente, pinturas de Provença e vasos mandarins. Até mesmo, trovadores foram contratados para preencher de ritmo, com cantigas diversas, os interiores do castelo.
Após longo período de construção, finalmente a muralha estava pronta. Uma grandiosa festa foi oferecida para a inauguração da nova residência real. Real e segura residência sem dúvida! Pratos com iguarias diversas foram servidos e por fim, cervejas e vinho deram conta de animar todos aqueles nobres espíritos. Como se divertiram! Cartas jogaram e até danças ousaram! Eram espíritos felizes até o amanhecer!
Nos dias em que se seguiram, nobres, aristocratas e cavaleiros dos quatro cantos do império vieram visitar o rei e conhecer a tão falada muralha.
Certa data, apareceu às portas da muralha um magnífico cavaleiro, de armadura reluzente e índole de corsário, que se dizia vitorioso de inúmeras batalhas em longínquas terras venais. Só de espiar a beleza e pensar a virilidade dos heróicos combates que travou, o cavaleiro causava clamor por entre as donzelas da redondeza.
Clamor tão intenso que acabou enfeitiçando a regrada cabeça da onipotente rainha. Que logo caiu de amores insanos pelo bravo cavaleiro. Insana majestade! A rainha estava louca!
Mas o cavaleiro deveria partir, pois o dever o chamava de volta aos campos estéreis da batalha.
Então, tendo seu desejo ilegal recompensado, a rainha entre longas juras de amor eterno, combinou de reencontrar seu coração, agora separado, no sétimo crescente lunar após a partida.
A rainha suspirava e de cada dia de espera fazia longos anos de solidão. Insana majestade, agora a rainha ainda mais louca ficara! ...
Então, o tão esperado dia chegara. A rainha, conforme combinado, deixou as portas do monumental castelo abertas para que antes da aurora o cavaleiro adentrasse...
Quando o canto auspicioso de uma ave noturna findava, uma imensa tropa de soldados invade de assalto o castelo. Como um turbilhão mágico, esta terrível horda varre a residência real com saques, fogo, destruição.Ouve-se o cavaleiro a comandar seus homens com fortes brados: - Avante companheiros, as muralhas ao chão iremos colocar!
E assim foi que por entre os escombros da imponente muralha a rainha extremamente arrependida, põe fim à própria vida com uma adaga presenteada pelo amante traidor.
Márcio Jarek
Enviado por Márcio Jarek em 31/10/2005
Código do texto: T65562
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Sobre o autor
Márcio Jarek
Tijucas do Sul - Paraná - Brasil, 35 anos
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Márcio Jarek