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O Côro da Igreja (...A Saga.12..)

Depois da serenata naquela noite, Constâncio parou no Bar do Laudoni e pediu uma cerveja pro amigo Tóti e um guaraná para si mesmo. Adorava o sabor do guaraná. De cerveja, não gostava. Pinga, então, nem pensar...Não entendia como os rapazes de sua idade gostavam tanto de cerveja.
Tinha provado uma vez e achou que parecia “água xóca”...E só por ver o estado em que ficavam os sujeitos que tomavam pinga, passou a odiar, sem nem mesmo ter provado.
Depois da paradinha no bar,se despediram e cada um foi pra sua casa.Esse Tóti parecia ser um bom companheiro.Adorava futebol, mas não se aventurou a jogar porque se achava muito magro pro seu tamanho.Tinha jeito, dominava uma bola, mas morria de mêdo de levar um “tranco” de um jogador do físico de Constâncio, por exemplo e quebrar algum osso,”Deus me livre”,dizia...Ir pro hospital, engessar um braço ou uma perna...queria não.se contentava às vezes em atuar como Juiz,ou Bandeirinha,nos treinos do time do Cedro.
Se realizava com as jogadas dos seus amigos “craques”. Constâncio era um deles.Era muito rápido e tinha “um canhão” em cada perna,na opinião  de Tóti.
A bem da verdade, toda a torcida do “Cedro Esporte Clube”, já tinha essa mesma opinião.Inclusive Fulô, que adorava assistir futebol,mas preferia caçar codornas e perdizes no cerrado, com sua espingarda de chumbinho e seus “cachorros perdigueiros”, criados no quintal de casa.
Foi Tóti quem contou pra Constâncio que Fulô era fã de seu futebol..
.Fulô era apaixonado por tudo que dizia respeito ao Cedro, sua terra ,a cidade mais gostosa do mundo,dizia ele. O Time do Cedro era o melhor de Minas Gerais e os panos que faziam na Fábrica,os mais bonitos de todos os que enfeitavam as vitrines do Cedro,Sete Lagoas e Paraopeba, suas vizinhas.
Achava também que sua irmã,Fabiana, era a moça mais bela do Cedro, e não era qualquer pé-de- chinelo dali que se casaria com ela, não se dependesse dele e de Maria Fel.Constâncio custou a pegar no sono, pensava se Fabiana tinha ouvido a serenata,se sabia que era ele, se tinha gostado...De manhã cedo,foi pro trabalho na fábrica e passou o dia inteiro pensando num jeito de entrar pro Côro da Igreja. Contava com Tóti para ajuda-lo nisto.Só pensar na possibilidade de estar ao lado de sua escolhida, nos ensaios e aos domingos na missa das oito,já ficava alegre e cheio e coragem.na hora do café, no pátio, encontrou com Tóti e ficou “sondando” sobre entrar pro coro. Tóti achava a idéia muito boa e disse que daria um toque na Maestrina que era sua amiga.  .Constâncio já tinha metido na cabeça que iria lá naquela noite.E assim foi.
     Depois do jantar na Pensão de Dª Santa, que aliás,elogiou muito sua estréia na Banda, Tomou outro banho,escolheu uma camisa que valorisava seu físico de atleta,caprichou no penteado e foi pra pracinha da Igreja,clarinete debaixo do braço. Tóti apareceu minutos depois a tempo de assistir a chegada da maestrina do Coro,chamando--a para perto para apresenta-la ao amigo Constâncio.È um clarinetista de primeira, mestra e somamos muito bem nossa sonoridade,durante  serenatas pelas noites do Cedro. Que tal fazer uma experiência no coro com a gente?.”Por mim,tudo bem,disse a mestra. O único problema é que não temos como paga-lo.Teria que ser uma colaboração mesmo...”Não tem problema mestra.Já tenho mais de um salário fixo e minha intenção é mesmo diversificar o repertório para clarinete. Pra mim será um prazer.Gostaria de experimentar fazer um contraponto com a voz da Fabiana na Ave Maria de Shubert, a senhora me permite? “Claro...Constâncio,não é”? Vamos experimentar hoje ainda.Olha,Fabiana está chegando aí..”Fabiana,querida,venha até aqui,por favor...Este é Constâncio,clarinetista, que vai fazer uma experiência conosco,algum tempo...Fabiana estendeu-lhe as duas mãos,dizendo:"Oi, muito obrigado por ontem à noite.Adorei ouvir Branca em serenata,viu?"
“Que bom você ter gostado,disse ele. Achei que poderia já estar dormindo”...
“E estava, disse ela.. Fui acordando aos pouquinhos, com aquele som maravilhoso,invadindo meu sono e meu quarto.ai,é muito bom.Que presente você me deu...nem imagina. E com “Branca” de Zequinha de Abreu...amo esta música. ouço sempre no rádio.A Maestrina chamou Constâncio e Fabiana e sugeriu que ele fizesse um contraponto com o mesmo arpejo do Harmônio,enquanto Fabiana fazia o solo da “Ave Maria.”.Tóti, que tinha um ótimo ouvido, Começou a tocar notas paradas no violino,que harmonizavam perfeitamente com as melodias dos dois.Ficou realmente muito bom e a Maestrina ria, de orelha a orelha, de satisfação.Terminada a música ela foi a primeira a aplaudir..” Gente,mas como combonam os timbres de Clarinete  violino com a voz feminina,é impressionante. E o auxílio luxuoso deste harmônio bem tocado, completou Constâncio.Fabiana sorria com o rosto todo.
Duas minúsculas lágrimas de satisfação brilharam em seus olhos;
Estava começando ali,uma parceria de almas que duraria uma vida inteira...
Aecio Flávio
Enviado por Aecio Flávio em 18/09/2007
Reeditado em 06/10/2007
Código do texto: T658125
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Sobre o autor
Aecio Flávio
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 76 anos
139 textos (21100 leituras)
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Aecio Flávio