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O dia do primeiro pagamento (A Saga.13..)


E assim correu o primeiro mês de Constâncio trabalhando e levando uma vida como todo simples e bom “cidadão Cedrense”.
Trabalho na fábrica, diariamente,das 6 hs da manhã,às 5hs da tarde, duas horas pra almoço (na pensão) e uma hora pro café da tarde no Pátio. Ensaio do Côro da Igreja,às 2ªs feiras às oito hs da noite; treino do time de futebol, às terças(de manhã) e quintas(à tarde) e ensaio da Banda de música às 4ªs feiras à tarde.Uma vida social bastante agitada para um jovem recém-chegado na cidade, que até a um mês atrás, só se preocupava em nadar e pescar no Rio São Francisco e tocar no Clube aos fins de semana,em sua cidade natal, Januária,no norte de Minas.
Estava um pouco assustado,mas feliz de perceber o quanto sua vida mudara(pra melhor) num espaço de um mês.
Ao chegar na fábrica naquela manhã, recebeu um recado para encaminhar seus comandados ao departamento financeiro,no escritório, para receberem seu ordenado mensal. Cada um recebeu seu envelope com o dinheiro em espécie,porque até então, não havia agência bancária no Cedro.
Após todos serem atendidos,Constâncio foi chamado para acertar a sua parte.;Foi recebido pelo próprio Dr Alexandre que o apresentou ao Diretor financeiro da Companhia.
Dele, recebeu para sua surpresa, três envelopes de pagamento da “Cia de Tecidos Cedro/Cachoeira”(que afinal,era quem patrocinava tudo):Um com o salário da fábrica,outro,com o salário da Banda de Música e o terceiro,com o salário do Time de Futebol. Nunca tinha visto tanto dinheiro junto, de uma só vez e sorriu, satisfeito.
Tia Mirinha e “mãe Laura” não iam acreditar quando contasse... Dr Alexandre deu-lhe os parabéns por sua atuação nas três empreitadas e perguntou curioso: “Me disseram que você vai atuar também no Coro da Igreja...Você tem fôlego pra isto, rapaz?” “Ah, tenho Dr.Pra música e a bola eu sempre tenho.”respondeu o operário.Despediu-se para voltar ao trabalho.O Diretor providenciou uma sacola de plástico, com o timbre da Cia, para o rapaz levar aquela”dinheirama” pra casa sem chamar muito a atenção.Aquilo é que era um verdadeiro ,honesto e suado “Mensalão”!
Antes de sair,Constâncio perguntou ao patrão se poderia ajuda-lo a enviar parte do dinheiro,pra sua família em Januária;Claro,Constâncio;deixe aqui com o diretor,a quantia que você quer enviar,com o nome e endereço da pessoa,pra quem quer mandar.Nós temos um representante lá que vai providenciar tudo direitinho pra você,pode ficar sossegado.É gente de confiança. Constâncio, deixou tudo anotado e separou o envelope com o salário da fábrica, pra mandar pra família.Ainda restaram o da Banda e o do Clube para fazer umas compras que precisava(roupas e sapatos...) e ainda fazer uma poupança mensal, debaixo do colchão.Pensou em convidar Tóti,pra ir com ele até Sete Lagoas que tinha um comércio maior e variado, para fazer as compras.Era só meia hora de Ônibus.
Ficou combinado que iriam no sábado depois do almoço, pois a fábrica aos sábados fechava ao meio dia.Convidou Nazon pra ir com eles, pois o pobre rapaz nunca saia de casa.O recado foi e voltou atravéz de Fabiana...Nazon aceitou e ficou muito alegre com a novidade,segundo a moça...Era um político nato esse Constâncio..não?Ah, queria comprar também uma boa bicicleta,pra transitar pelo Cedro e também fazer um pouco de exercício,já que não tinha mais a sua natação no São Francisco.Antes de comprar as três passagens, na venda de “Seu” Juca, pai de Mozart, perguntou ao motorista se dava pra trazer a bicicleta no bagageiro.”A gente dá um jeitinho,” respondeu Mozart,torcedor doente do time do Cedro.Sábado depois de almoçarem, se encontraram os três, na porta da venda de “Seu Juca”,em frente ao Campo do Cedro,de onde o ônibus sairia.
     Fabiana,que tinha ido acompanhar o irmão caçula Nazon, deu um adeuzinho  e cochichou um “Boa viagem”...que Constâncio,já na janela do ônibus, respondeu com um largo sorriso e outro asceno de mão...Eh,felicidade, hein,sô!
Aecio Flávio
Enviado por Aecio Flávio em 18/09/2007
Reeditado em 06/10/2007
Código do texto: T658612
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Sobre o autor
Aecio Flávio
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 76 anos
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Aecio Flávio