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Sete Lagoas (a Saga.14..)

Sete Lagoas( A Saga...)

A viagem de ônibus do Cedro a Sete Lagoas,foi tranqüila, Nazon sentou-se no banco ao lado de Constâncio e ia mostrando pra ele os lugares mais conhecidos ,na saída da Cidade.Tóti, sentou-se no banco ao lado direito do corredor. Ia caladão, o que era um sacrifício pra ele,falastrão do jeito que era.Quando surgiu um pequeno povoado de casinhas velhas,Nazon explicou a Constâncio: Aqui é o “Cedro Velho”,onde moram alguns amigos de mãe.Zé Pequeno e seus filhos violeiros e mais gente conhecida. Povo bom, esse daqui!
“Vocês já moraram aqui, Nazon? Sua família?” Perguntou Constâncio
Minha mãe morou,, quando meu pai era vivo. Depois que construíram a Fábrica de Tecidos no Cedro, quase todo mundo daqui,se mudou para lá .pois não tinha condução e a pé, era longe pros empregados. A fábrica construiu algumas daquelas casinhas  e vendeu pros operários a perder de vista.São pequenas mas boazinhas.Todas têm um bom quintal com mangueiras e pé de jaboticaba” .Aqui  no Cedro Velho,tem muito “pé” de pequi e Articum, conhece? Ainda não.,respondeu o companheiro.Minha mãe é de Sete Lagoas,continuou Nazon.... Falando nisso,já estamos quase chegando...Olha ali uma das Lagoas..Tem sete em volta da cidade e uma bem no Centro!.Tenho uma tia e primos por lá,ainda. Nós já nascemos todos no Cedro,mas a “Nêga” foi criada em Belo Horizonte. Só voltou a gora,depois de dez anos.
“Quem é a Nega”? perguntou Constâncio,curioso.
É a Fabiana minha irmã caçula... Pra nós lá em casa, é a “Nêga”!. O ônibus chegou ao centro da cidade.Onde seria a praça principal em qualquer cidade do interior, havia uma linda Lagoa,bem tratada,com folhagens nas bordas, e bancos de ferro onde as pessoas descansavamAo redor de toda a Lagoa, se espalhava o comércio local. Lojas de todo tipo, farmácia,bares, Armarinhos, padaria,Sorveteria,  Agencia do Correio, 1 ou duas agencias Bancárias, Um Cinema e o Ponto final do ônibus na esquina onde tinha um bar.
Constâncio achou a cidade bonitinha,mas já era “Cedrense” de coração!Os três começaram a procura nas lojas. Onde tivesse alguma coisa que interessasse,Fabiano entrava,seguido pelos dois.a quem pedia sempre opinião:
Olha essa camisa.Quê qui ce acha, Tóti?,gostou Nazon? Pra um “magrelo” e um “Nanico”,como nós,não serve,mas prum atleta com seu físico,deve cair muito bem”! responderam...Vou experimentar,dizia Constâncio.Tudo,realmente, lhe caia muito bem.Tinhaaos 23 anos, um físico invejável, As moças do Cedro já tinham notado isto e comentavam...Fabiana às vezes ouvia,mas fingia que não prestava atenção...Depois de entrar em várias lojas,Constâncio já estava de posse de tudo que viera procurar.Calças,camisas, dois bons pares de sapato, barbeador,creme pra barba, loção,essas coisas...Deixou a Bicicleta pro final.Vamos fazer um lanche ali na sorveteria,Vocês são meus convidados...disse;
Se acomodaram numa mesa de esquina onde podiam continuar vendo o movimento da Cidade.Lancharam à vontade, até ficarem satisfeitos.Gente,falou Constâncio. Hoje, tou muito feliz e recebi meu primeiro pagamento.Quero comprar uma lembrança pra vocês.Enquanto caminhamos vocês pensam no que querem...tá?Os dois concordaram com dois sorrisos marôtos.
Tóti escolheu um chapéu de couro que viu e gostou...Vai lá e pede ,experimenta e manda embrulhar,sô!E você Nazon? Falou Constâncio...Gostei daquela sandalha de couro ali na loja do lado. ...respondeu o baixinho.
”Então vai lá e faz a mesma coisa,enquanto eu pago a conta aqui do lanche” organizou Constâncio..Os dois saíram na frente e Constâncio chegou logo atrás,pagando no caixa, pelos embrulhos.Todo mundo ria de contente...
Valeu,bahiano,´Brigado Constâncio...disseram...Agora quero que me ajudem a escolher uma bicicleta bacana pra mim....Bicicleta? É verdade? É gente .Agora vou desfilar “de carro” no Cedro,Cês vão ver só!.Tóti perguntou alguma coisa ao dono da loja que anotou num papel e lhe deu.Tem uma loja aqui na praça de trás que vende,. exclamou.Vamos até lá...
Acharam a tal loja e custaram a se decidir, tantos eram os modelos de bicicleta.que haviam ali.Escolheram uma preta, com garupa, bombinha de encher pneus,jogo de chaves,farol,campainha,toda equipada,uma beleza.
Moço, agora o senhor manda embalar bem pra viagem, porque vamos leva-la pro Cedro e não quero que amasse nada.disse Constancio.
“Não se preocupe ;tem uma embalagem de papelão que veio de fábrica. Vai sair no ônibus do Mozart? Mando o vendedor carregar até lá pra você!”disse o logista.Constâncio foi até o caixa,pagou a bicicleta ,recontou o dinheiro e esperaram o vendedor pra chegarem juntos no ônibus; Encontraram o Mozart,tomando café no Bar da esquina quando o vendedor chegou com a “máquina”.”Deixa comigo,Constâncio.Vou amarrar caprichado,lá em cima de toda a bagagem...disse Mozart,todo solícito.Constâncio entrou no ônibus e recostou no banco,feliz e cansado.Tinha descoberto, que Dª Santa tinha um cofre escondido no armário e pediu a ela que guardasse ali, suas economias do mês.Com todo prazer meu filho,tinha dito ela. Quando  comprava as camisas, Constâncio viu numa loja pequena ao lado umas bijuterias e comprou para Fabiana,um lindo conjunto de brincos e broche de ametista, que ali eram encontradas facilmente,por ser caminho da terra do garimpo,em Minas. Mozart entrou no ônibus e deu a partida. Os três já cochilavam nos bancos,um pouco cansados da maratona no comércio em Sete Lagoas...Só acordaram mesmo, quando o ônibus fez a curva final e passou em frente á casa da mãe do Lipão,o negão beque central do time do Cedro, a casa de Zora,de Maria Fel,e parou em frente ao campo de time e a “Venda de Seu Juca”,pai de Mozart.
“Ô Constâncio, quer uma ajuda pra montar a “bichinha”?
Quero sim,Tóti,C~e me ajuda mesmo?É claro,companheiro,vai ser um prazerNazon deu um abraço nos dois, agradeceu e foi pra casa.Tóti e Constâncio,foram carregando o pacotão de papelão até a pensão,na praça da igreja.,para curiosidade dos passantes,naquela tarde de sábado.Desfizeram o pacote em frente à pensão e começaram a motar a “Pantera Negra, como dizia Constâncio.Ás seis horas, já estava montadinha e lustrando. Dá uma volta aí pra testar os freios,Tóti!,pediu Constâncio.Não precisou falar duas vezes. O magrelo já estava doido de vontade..Era muito linda a “Pantera”,pensou Constâncio.Vou estrea-la amanhã cedo quando for para a missa,tocar no côro...
Aecio Flávio
Enviado por Aecio Flávio em 19/09/2007
Reeditado em 06/10/2007
Código do texto: T659230
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Sobre o autor
Aecio Flávio
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 76 anos
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Aecio Flávio