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RUÍNAS


Logo acima depois do Brejão, perto da nascente d’água, numa fazenda quase abandonada, é o local do velho engenho incrustado nos morros. Ali, tempos passados, pessoas mil o trabalho atraia no fazer de açúcar preto, melaço e rapadura.

Agora, nem mesmo pessoas estranhas passam querendo esse trabalho. Estão furtando ou então praticando vandalismo.
Caminhantes que seguem a estrada comprimida e plana, arenosa de terra úmida, onde borboletas coloridas se refrescam e aterrissam na friagem beira mina, vão dar ali bem na aguada, água mineral mata a sede de qualquer um.

Mas antes da chegada a esse velho engenho, a estrada não contribui para outro tipo de transporte. Estrada não ajuda. Usavam uma tropa de mais de meia dúzia de burros conduzia cana-de-açúcar, vinda da Fazenda Pessegal. Seus proprietários entram em acordo e combinados, um cedia o engenho, outro a matéria-prima. O produto final era dividido entre eles.
Os produtos de subsistência – a rapadura simples, a rapadura misturada com outros ingredientes, o açucrão e o melado – eram carregados pela mesma tropa, só agora com latas de 50Kg.

Daí o encontro de velhos companheiros e outros encontros fortuitos foram o modo de refazer antigas amizades, deixando rixas e rusgas abandonadas.

Casos novos, brincadeiras, gargalhadas. Mentiras e verdades... nos dias de hoje o velho proprietário do engenho sente o tempo pesado, deixando-o patife e braquiado, muito correu na vida, e não obteve resultados favoráveis.

O engenho de boas histórias seria desta vez a última moagem, a última barganha de mercadoria. Não foi vendido. Ninguém mais o quis, lá naquelas bandas. Dele restou apenas uma paisagem de pedras invadidas pela grama e mato ordinário. E os espaços de terra, agora, estão ocupados pelos troços da engenhoca enferrujados no meio de juá, carqueja e picões. Voam borboletas no azul da sombra mínima.
                                       
                                         &&&&

Este conto é subtítulo do capítulo: Muros de Pedra do livro Um Carro de Bois que Transportava Logos .; pg 59.

Autor do romance lírico infanto-juvenil Um Carro de Bois que Transportava Logos e de coletâneas como: Rio das Velhas em Verso e Prosa (Prêmio Projeto Manuelzão/UFMG/Morro da Garça/2006); Letras Mínimas (Ed.Guemanisse/2007); Elos e Anelos – Menção Honrosa (Teresópolis/2008).

Newton Emediato Filho
Enviado por Newton Emediato Filho em 20/09/2007
Reeditado em 03/09/2009
Código do texto: T660236

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Sobre o autor
Newton Emediato Filho
Belo Vale - Minas Gerais - Brasil
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