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Horsth

O teto se veste de luzes e holofotes.Olhares curiosos e impacientes se voltam para a mesma direção aos milhares.Ele surge faustoso em seu fraque cor de azeviche.A suntuosidade da vestimenta não oculta a humildade de quem ergue o olhar aos cèus e agradece o presente da vida.O porte de um semideus, os olhos de um monge.O riso tímido tem a austeridade de um pai zeloso e a meiguice de um menino.Nas faces, a raríssima beleza que o espelho deNarciso jamais tivera o infinito prazer de refletir.
Passos firmes,bem compassados, conhecem cada centímetro daquele chão. Seu lugar está alí.O velho piano conhece a perfeição de sua genialidade.O gesto dos braços estendidos como asas de um Anjo, ela conhece de longa data.O silêncio toma o recinto por um breve momento, para que finalmente ele possa inebriar cada alma com a suavidade de sua música.
Ela não perde um só gesto de quem há muito se apossara de cada sonho e pensamento seu.Era um misto de paixão terrena e amor sacrificial iniciado nos verdes anos de sua adolescência; temia e desejava que perdurasse para todo o sempre.Não tivesse ele existido e talvez achasse seu coração descanso e tranqüilidade na quietude da conveniente apatia do não amar para não sofrer.Não tivsse ela existido e não teria se visto radiante como uma noiva naqueles olhos cujo fulgor não se deixara ofuscar pelas finas lentes.Ah, se o Pai se descuidasse por um momento do livro da vida e o deixasse cair; o tomaria ainda que por segundos e escreveria um lindo final.Não seria aquele ser cabalístico sua loucura e lucidez,tempestade e porto seguro...a confusão aritmética e as expressôes algèbricas que aterrorizam  vestibulando, calmarias e intempéries de uma vida.O estalido das palmas a remetem à realidade.Passos lépidos na saída, pés alígeros no acelerador,olhos de lince no veículo à frente.Não mais haveria que dividir com meio cento de admiradores um quinhão do seu carinho.
Ele caminhava com vagar,pés descalços, olhos no infinito,lábios semi-abertos a se fartar de brisa e lua.
_Horsth!
Voltou o corpo calmamente em direção à voz.
Entre encantada e assustada,ficou a observar aquele ser magnânimo de olhar bizarro,dócil e envolvente.As pernas não acompanharam  rítimo do coração.Restava a espera.A aproximação não tardou.As mãos ágeis e os dedos mágicos tocaram seu corpo com a suavidade e perfeiçao de quem toca o piano.O instrumento ganha vida em suas mãos; ela soma vida à sua vida e luz à sua luz.Os longos braços cingem seu corpo de sìlfide e os lábios deslizam em sua alma remetendo-a ao Èden.
Em lânguido aceno, a lua se despde dando lugar ao dia.Ele entra no mar e desaparece na espuma para retomar sua orígem.
O sol dardeja raios frágeis de ouro sobre a areia molhada despertando-a com uma morna carícia nas faces.Olha para os lados, ném um vivente.Volta o olhar para o mundo de águas azuis e acena para o boto com o coração em festa.
_Horsth!











































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































Silas Santos
Enviado por Silas Santos em 20/09/2007
Reeditado em 17/06/2013
Código do texto: T660690
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Silas Santos
Diadema - São Paulo - Brasil
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