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Alcestes e Admeto

Dela brotavam fontes de sangue. Sobre o calçamento de pedras, sua vida se esvaia escoltada pela sombra perplexa dos curiosos. Todos os testemunhos se comprimiram num só. Ela tinha aceito morrer no lugar do marido. Seus olhos languidamente perdiam a forma do amado, o desenho da felicidade borrava seus traços. Alcestes morria no lugar de Admeto. Com os joelhos fincados no chão, ele lançava suas mãos sobre as fendas, não alcançava deter a enxurrada de vida que se perdia como o licor de uma garrafa partida. O licor vertido, convertido em dor. Desesperado, esmurrando o peito, lançou gritos como flexas de fogo. Com o corpo exaugue de Alcetes erguido entre seus braços, chorando, pediu clemencia: "misericórdia, misericordia". Naquele instante, único, quando o tempo que resta é um reflexo, um eco que volta minguado, cansado de sua viagem, Deus acolheu aquele amor e deixou-o viver como a sua mais bela gesta. Nenhum amor imita o de Alcestes por Admeto.          
Luis Navarrete
Enviado por Luis Navarrete em 26/09/2007
Reeditado em 27/09/2007
Código do texto: T669997

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Sobre o autor
Luis Navarrete
Goiânia - Goiás - Brasil, 50 anos
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