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(32) a Vizinhança (a Saga...)



Fagundes, o chofer de caminhão lá do Cedro, acabou também arranjando um trabalho na Fábrica.
       Arrendou seu caminhão e sua mão de obra para as obras das casas populares e por bons serviços e  responsabilidade, acabou contratado definitivamente,assim que terminaram as obras,  como chofer principal e de confiança da Direção da Fábrica.
Tinha ficado amigo de Constâncio desde a saída do Cedro e se ofereceu pra fazer a mudança do amigo, entre a Vila Ipiranga e a Renascença. Foi uma mão na roda...
     Em um mês, as casinhas já estavam praticamente todas ocupadas pelos operários sorteados, que tinham todos um sonho parecido:Conseguir estabilidade naquele novo emprego e mais tarde, conseguirem a posse definitiva das casas, que seriam financiadas a longo prazo para seus ocupantes,conforme deixara escapar um dos Diretores, por ocasião dos sorteios.
       As famílias transitavam muito durante o dia,entre as ruas da vila operária, quando aproveitavam para se conhecer  e fazer novas amizades. Era um povo do bem,sofrido, que vinha de situações adversas e aquela mudança, era uma espécie de ascenção para eles.        O  bairro da Renascença era dividido em duas partes distintas,separadas pela rua Jacuí(a do final do bonde).
     Do lado da fábrica o povo mais pobre,os operários e suas famílias,muita criança e do outro, acima da rua jacuí, Os que tinham casas próprias,diferentes umas das outras, algumas tinham jardim e carro na garagem,poucas crianças, ou seja,tipo uma “classe média média”. A Igreja de Sto Afonso,estava sendo construída deste lado,na parte mais alta, enquanto o Campo de Futebol era construído no lado dos “pés-de-chinelo”.Que por sinal, era muito mais animado e divertido, com portas abertas, gente pelas ruas, brincadeiras infantis.
       Bem diferente do “Lado A,” que parecia desabitado,janelas e portas sempre fechadas, pouquíssimas pessoas nas ruas onde às vezes transitavam uns poucos carros. Perto da rua Jacuí,no final do bonde,haviaumpequenocomércio,com:Padaria,Açougue,Farmácia,Arma--zéns, Casa de Tecidos etc.além do Grupo Escolar. Quase em frente à fábrica, do outro lado da rua,a Companhia construiu e mantinha um enorme Armazém onde os empregados se abasteciam com suas compras mensais ,assinavam uma lista com os nomes dos produtos consumidos e a conta era deduzida no pagamento dos salários no final do mês.
       A Fábrica disponibilizava para os que quizessem,macacões de brim azul, fabricado e feitos por ela. Claro que todos queriam,pois economizavam na roupa diária pra ir pro trabalho.
       Então ,apesar de se vestirem parecidos e comerem praticamente a mesma comida, pareciam ovelhas felizes com aquela convivência e dificilmente se desentendiam ,os moradores do “Lado B”.Constâncio e Fabiana sempre tiveram a sorte de terem bons vizinhos apesar das casas serem geminadas...
Aecio Flávio
Enviado por Aecio Flávio em 08/10/2007
Reeditado em 08/10/2007
Código do texto: T686365
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Sobre o autor
Aecio Flávio
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 76 anos
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Aecio Flávio