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UMA PAZ ESPIRITUAL

    Todos os dias ao acordar, faço a higiene pessoal como qualquer ser que se digne de alguma personalidade e asseio.
Depois, antes de sair para a rua, tenho obrigatoriamente de passar pelo quarto do meu pai. E é aqui neste instante que me detenho sempre a contemplar o retrato d eminha mãe, que se encontra numa mesinha a um canto deste compartimento.
 "Primeiro estranha-se, depois entranha-se". Já assim o dizia Fernando Pessoa no seu poema "mensagem".
Decerto estranho também a ausência desse Ser que me deu a vida, ao olhar tão somente a cama onde o meu pai está deitado, e que poderia não estar tão vazia, se uma doença fatal não me a tivesse levado tão cedo desta vida. Claramente, escrevo estas páginas pensando Nela e nas recordações boas que me deixou.
Ensinou-me valores éticos e morais que se devem manter durante a nossa existência.
  Conto-vos , com uma tristeza no coração, que também sofreu um pouco comigo. Digo isto, porque hoje, que já não a tenho junto a mim, muitas vezes sinto-me revoltado.
  Mas certamente, e porque certas noites rezo por Ela, espero que esteja junto de Deus, e já me tenha perdoado pelas coisas menos boas que lhe possa ter causado.
  tenho a alma tranquila, porque nos seus últimos momentos tudo lhe dediquei, e roguei-lhe que me desculpasse, para que quando fechasse os olhos, pudesse descansar em Paz.
  Assim, ao mirar a sua fotografia, por vezes correm-me as lágrimas pelo rosto, e por isso neste pequeno conto real, pretendo desabafar mágoas e encontrar a Paz que tanto preciso, a Paz interior e Espiritual, porque a Paz constrói-se à maneira de cada um.
  A Paz pode existir onde não haja guerra, onde as crianças tenham brinquedos, onde haja pão para tragar.
Até um pobre mendigo pode encontrar a Paz, se durante uma noite fria, ao procurar abrigo, ele arranjar sítio para se aconchegar e descansar calmamente, mesmo ouvindo o vento assobiar.
  Também s epode encontrar a Paz, num lar de família, onde reine a União entre todos os membros e se possa contemplar uma harmonia singela, ainda maior, se aí houver petizes para alegrar o coração.Tive que, apesar de complicado e de ficar marcado para o resto da vida, entranhar, a inquietude que suportava e habituar-me como é óbvio à ausência da "Flor" que me dava aroma à vida.
  Apesar do meu pai, também ter problemas de saúde, de eu ser solteiro e de ter de fazer a comida, também neste momento, posso no entanto dizer que a Paz reina dentro de mim.
A certeza que me confere essa calma, existe pelo facto de ter três sobrinhos que me ajudam a superar, apesar de traquinas, os momentos mais complicados pelos quais possa estar passando.
   Ajudam-me a descontrair, jogando comigo no computador ou na consola de vídeojogos.Um outro, e talvez o principal motivo dessa Paz que transporto no peito é saber que, apesar do mundo, cada vez mais cruel, existem pessoas no meu local d etrabalho apoiando-me a todos os níveis, dando-me força para erguer a cabeça e não deixar baixar os ombros a factos que por vezes possam ter algum significado digno de registo.
  É pois, também no local de trabalho, que posso encontrar Paz.A razão tão simples é o facto de todos os dias ao acordar,poder dizer que me estou a preparar para ir para o emprego.
  Se não existisse, não me daria decerto vontade de continuar,porque apesar do ser humano hoje estar agarrado cada vez mais a valores materiais, a Paz era impossível, sem dinheiro,mais não fosse aparecer alguém para me sustentar.
  No meu corpo entranhou-se uma serenidade tal, a ponto de poder dizer, que o facto de me dedicar à feitura de quadras, décimas e outros poemas me faz sentir nas nuvens, como se estivesse a ir ao encontro da minha mãe.Algo me dis, talvez um sexto sentido, que é Ela que me incentiva a escrever e inclusivé elucidar-me de que onde estiver se sente orgulhosa do filho que teve,que já ganhou alguns prémios em concursos de poesia, já participou em concursos televisivos e que concretizou um sonho, um projecto de há muitos anos. a projecção d eum livro, dedicado às suas memórias, à sua família e que fala como não poderia deixar de ser na Paz, cada vez mais imprescindível no mundo.

Essa Paz tão necessária                  Deixem em Paz os meninos
É feita à nossa maneira                   Queria deixar a mensagem
Fosse sempre verdadeira                 Ainda é longa a viagem
E nunca imaginária.                        Mas ouvir-se-ão os sinos.



Uma virtude espiritual                     Esperamos que chegue o dia
Com bom senso á mistura                De haver Paz p`lo mundo fora
Podia ser bem real                         De existir mais harmonia
Com a lama humana mais pura.        Se as guerras forem embora.
O Poeta Alentejano
Enviado por O Poeta Alentejano em 14/10/2007
Código do texto: T694078
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Sobre o autor
O Poeta Alentejano
Portugal, 50 anos
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O Poeta Alentejano