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DIÁRIO DE UM DOENTE

Estou doente, ou estive, sei lá. Diante disso e até descobrir, muitas coisas se sucederam para eu decidir escrever sobre isso. Pra começar prefiro não julgar como e nem onde surgiram os primeiros intrusos no meu organismo.
Depois, entre febres e dores no corpo, imaginando ser uma gripe qualquer ou uma simples baixa imunidade, fui jogar meu futebol, tomar soverte com minha adorável namorada e andar pelo mundo como sempre faço.
Na dúvida e na ausência da melhora aderi aos remédios básicos, eventuais e que tinha em casa, sem o menor medo do que pudesse vir ou ser. Surpresa minha e do meu corpo que, na segunda-feira à tarde, minha cútis começou a repelir algo que não estava fazendo bem ao meu organismo, também pudera, o que não é bem vindo certamente será bem ido.
Entre corpo “pipocado”, dores locais e febre fui ao Pronto Socorro ávido por um resultado rápido, que nunca vem. A esperança da melhora foi decaindo com a mesma intensidade que apontava o número da minha senha no painel do hospital.
Antes de ser atendido, querendo ser esperto, disse à atendente, que perguntou sobre meus sintomas muito mais detalhadamente que o médico, que estava com febre e precisava ser atendido logo, encaminhou-me para a triagem, se eu realmente estivesse mal seria atendido na frente dos outros. Minha certeza era total diante do que sentia, igualmente à minha decepção ao saber que estava com a temperatura normal.
Portanto, uma hora e meia de espera para ser chamado à sala do jovem médico. Entrei, falei, expliquei três vezes com medo dele não entender, olhei, meu corpo ele olhou e nada fez, receitou um antialérgico e se a febre voltasse em três dias eu deveria lá também voltar.
Por meia hora fiquei tranqüilo, o tempo exato de chegar em casa, pois aí a febre já estava assombrando meus glóbulos e minha raiva se dividindo aos meus sentimentos por aquele médico que não me deu 5 minutos de atenção.
Tudo bem, já eram 18 horas e decidi ir a outro hospital, ouvir outra versão de um mesmo profissional, porém, imaginando como lá estaria, decidi esperar a noite cair e a madrugada entrar.
Nem sempre quem espera chega ao longe, pensei. Quando meu relógio do celular deu 10 da noite e a febre seus 38 graus levantei da quente cama, desci as escadas e me surpreendi com meus pais e alguns parentes na sala. Disse que ia ao médico, ou melhor, dessa vez já ia a uns três pra poder, quem sabe, confiar em um. Meu primo decidiu ir comigo, vai que eu fica-se fraco e desmaia-se.
Chegando noutro hospital, diferente do primeiro, tentei o mesmo golpe da febre, mas dessa vez ela realmente estava batendo a casa necessária. A atendente disse que eu passaria pela triagem, que estou esperando até agora. Mais duas horas de aguardo para ser atendido, e sentado na sala de espera de mais um Pronto Socorro morria de febre e calor, olhando com dó para o meu primo, que ali me fazia companhia sem eu poder amenizar seu tédio, a não ser com piadinhas sem graça de quem já devia estar delirando.
Enfim o médio, novo também, com sotaque de fora da cidade, atencioso, me olhou, reparou, perguntou, anotou, e prescreveu. Desta vez falei menos com a intenção dele prestar mais atenção e pedir exames, pediu, não os que eu queria mas naquela altura do badalar da meia-noite já era um lucro. Sai da sala feliz, achando que era um bom médico e que não precisaria ira ao terceiro, meu primo compartilhou da mesma opinião, e lá fui, agora sozinho, esperar a coleta do sangue e urina. Além de mais espera e de assistir ao filme da TV sem som, pediram coleta de urina três vezes. Só rindo mesmo, com febre, claro.
O enfermeiro, de boa vontade e cansado, comentou que toda segunda é fogo. Arrancou meu sangue sem dó, deixando uma boa marca dessa experiência e disse que poderia voltar depois de uma hora e meia. Colhi sangue para hemograma e tomei uma injeção de Dipirona com Antialérgico.
Ao invés de esperarmos, eu e meu companheiro fomos até minha casa, comemos e voltamos após as 2 da manhã. Pegamos o exame e esperamos o médico sair da internet para nos atender. Obvio que o abri e tentei decifrar tudo, como muitos fazem, comparando o lado de lá com o de cá, sempre errando as suposições.
Entrei na sala e me surpreendi. Outro jovem médico, de camiseta “babylook”, agarradinha, bombadinho, de tribal no bíceps, com a gola da camiseta suja de coca-cola e mochila do exército. Meu Deus! Então pensei, não sei se rio, fujo, mostro o exame ou peço um treino pra minha musculação. Enfim, como quem saia à noite toma sereno, mostrei meu exame ao doutor, que sem olhar no meu rosto, sereno, disse que era uma virose, mas não dava pra saber qual. Receitou Tilenol, e de jeito nenhum Dipirona.
Puta que o pariu, pensei e disse. Tomei uma injeção disso, ele perguntou o que havia acontecido com minhas alergias, e realmente elas pioraram. O segundo médico me deu mais atenção e menos qualidade.
No carimbo desse, terceiro médico, descobri que ele era primeiro tenente do exército. Uau, moderno essa trupe hoje em dia, se bem que minha preocupação era como os soldados do meu organismo iriam combater os intrusos ainda desconhecidos. Confio neles.
Portanto, mais dois dias de espera pra ver o que acontece à base de Tilenol, repouso e muito xixi, ou melhor, muita água.
Alguns sintomas novos começaram a surgir substituindo os antigos. Entre o carinho de minha namorada, a atenção dos meus pais e cama, decidi marcar outro médico, agora em consultório. Sabia que minha maior luta, tanto quanto a melhora, seria uma data próxima, que com a sorte ao meu lado consegui pro dia seguinte, num infectologista.
Fui e esperei 45 minutos pra ser atendido.
Entrei na sala já experiente sobre o que falar de mim pra poder ser examinado totalmente. Ele refez perguntas sobre meu estado, sintomas e deu uma breve vasculhada em pontos do meu corpo que demonstravam algum tipo de mudança. Receitou exames mais específicos, eu adorei, e ainda pedi mais alguns que ele incluiu. Sai de lá voando na tentativa de marcar para o mesmo dia, com a indicação dele para um jejum de 8 horas. Liguei no laboratório e disseram que pra esse tipo de exames não precisava disso. Fui fazê-los na mesma hora, ou seja, às 18 horas de uma quinta-feira, antes de um feriado.
Bom, agora, dois dias depois, já vi todos os resultados pela internet, pesquisei no Google, tirei minhas conclusões, estou bem melhor e levarei, mesmo assim, tudo ao médico essa semana.
Na minha mente se confundem a dúvida de qual desses profissionais sabia o que estava fazendo, qual queria me dispensar, como meu corpo está reagindo ao ocorrido lá dentro, o que realmente tenho e como proceder da próxima vez.
A única certeza é que vou seguir o que o último deles me indicou: “Repouso, muito líquido e bastante calorias”. Vou comer muito, mas muito mesmo.


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Sidnei Oliveira
Enviado por Sidnei Oliveira em 15/10/2007
Código do texto: T695013
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Sobre o autor
Sidnei Oliveira
São Paulo - São Paulo - Brasil, 40 anos
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