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Estrada da dor

...Andava na tarde tão bêbada que não via o sol e a noite escura, no céu sem lua ela não via as estrelas que lhe iluminavam o caminho...
No peito trazia um crucifixo vindo de Murano só para ela,e seu dourado era o brilho da Lua que ela não via,e o verde eram as ondas do mar,que respingava em seu rosto,e o sal a acordava ...e podia sentir a areia molhada ...vivia de novo aos poucos,trazida a tona pelo frescor da tarde de verão.Era tão rápido o despertar ... e a ausência de novo ao seu lado.
Sem ver o tempo passar se olha no espelho;a menina de camisola rosada se transforma na senhora enrugada de vestes escuras,e os cabelos dourados soltos pelo rosto,se prendem em um coque ,o brilho dos olhos dando lugar a catarata,e a pele alva e lisa, agora encarquilhada com rachaduras abertas...
Abertas as feridas da alma,sangra o peito que abriga o Deus que ela nem pode ver...
E ainda anda na tarde,e de tão bêbada nem vê o sol se esconder,e o dia que ela perdeu,e a lua que agora desponta...ela não vê a alma que se põe ao seu lado,e lhe acaricia a fronte com docilidade,não sente a proteção ...não escuta o coração,perdida na embriaguez,com a garrafa de cachaça na mão,ela segue o caminho torto,rumo a estrada da dor... e nem vê o sol !
Syl Signoretti
Enviado por Syl Signoretti em 23/10/2007
Reeditado em 31/10/2007
Código do texto: T706623

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Sobre a autora
Syl Signoretti
Itajubá - Minas Gerais - Brasil
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