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Ruanda

Aquela região era um verdadeiro sonho, paisagens lindas dignas de uma aquarela. Mas entre tantas pessoas felizes vivia uma pessoa solitária e muito sofrida.
Há muito tempo houve um largo sorriso naquele rosto, mas o tempo apagou tal expressão. Sua história se confundia com a história daquela terra dizem os mais velhos que ela estava ali antes mesmo deles se fixarem na região isolada. Estamos falando da esquecida cidade de Amarante. E ela sempre fora assim como uma pedra de gelo, séria e ranzinza.
Ruanda, como é chamada, já era uma senhora muito velha. Ninguém sabe ao certo que idade ela tem mais se sabe que é mais de 96 anos. Sua vida foi marcada pela dor e pelo sofrimento. Ela só teve um grande amor que a largou quando soube que ela estava esperando um filho, ela criou seu filho por longos anos até o momento de sua morte pela escarlatina negra.
Nesse tempo de profundo sofrimento Ruanda ficou cada vez mais imersa em sua solidão, e parou até de falar com os vizinhos. Os mais velhos também contam de que mesmo muito depois da morte de seu filho ela ainda conversava com ele. Com o tempo ela foi ficando cada vez mais isolada, e poucas pessoas falavam com ela, diz-se que ela depois do acontecimento passou a ver as almas dos que já morreram.
A partir de então quando alguém morria pediam para chamar Ruand’alma, como passaram a chamar, e ela acabou se tornando uma respeitada senhora apesar de seu temperamento frio. Mas assim como o respeito e temor também tomava de conta das pessoas quando ela passava, ficavam como medo dela fazer alguma coisa.
Passaram-se os anos, e a grandiosa casa de Ruanda ficou abandonada, os morcegos de apoderam dela, e o jardim à tempos não nascia uma planta qualquer e era encoberto por folhas secas, diziam que era a forma de Deus recompensar pelo seu “dom” de ver espíritos, tudo o que ela cuidar com carinho morrer. Mas para a Dona não existia jardim mais bonito, todas as manhãs aguava as folhas imaginando que de chão brotaria uma flor.
Muitos dos mais velhos já passaram pela frente de Ruanda como almas. Mas A senhora da casa de pedra está lá: imponente e fria como a própria casa em noites geladas. Sua casa parece como a eterna noite de um cemitério, assim como sua rotina. Amanhecia e ia para o jardim regar as suas plantas, apesar de estas a muitos anos já estarem mortas, em seguida parecia esperar uma visita que nunca aparecia, diziam que ela aguardava seu filho, mas quando entrava em casa novamante, perto do meio-dia, sempre ia sozinha. Quando não era chamada para nenhuma circunstância especial pelos moradores, ficava trancada em sua casa escura e tenebrosa, como passou a ser sua vida, e ficava chamando pelo seu filho que ela acreditava que havia sumido de sua vida após uma discursão.

Bruno Edson
Enviado por Bruno Edson em 02/11/2007
Reeditado em 18/01/2010
Código do texto: T720781

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Sobre o autor
Bruno Edson
Fortaleza - Ceará - Brasil, 29 anos
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Bruno Edson