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O Egocentrismo de um Egocêntrico

Certa vez, EU levantei-me suado da cama, acabara de acordar de um pesadelo que não vem ao caso, EU, como toda manha, tomei minha xícara de café e parti para mais uma jornada, passei por um loja de discos, resolvi entrar, percebi uma certa antipatia das pessoas em relação a minha presença, notoriamente, EU estava sendo expulso pelos olhos daquelas pessoas, nesse meio tempo de olhares intercalados, percebi que não era a primeira vez que era tratado da mesma maneira em outros lugares, destinado a entender o que ocorria, EU resolvi provocar mais aversão ainda a minha pessoa, abaixei minhas calças e comecei a transitar dentro da loja de discos, como se nada estivesse acontecendo, aconteceu, surpreendentemente, uma garotinha, com seus nove ou dez anos, aproximou-se e disse “moço, há crianças  nesse lugar ”, instantaneamente comecei a chorar, chorava feito um bebe sem colo, até que a mesma garotinha que mal terminara de chamar-me a atenção, me surpreende mais uma vez, diante de toda aquela platéia, a pequena garota subitamente sobe em um púlpito improvisado e declama uma poesia, poesia essa que nunca me esquecerei e que relatarei:
Oh! Deus de amor
Oh! Deus de amor
Me fizeste sofrer todos os dias
As mesmas mágoas desde a infância
Hoje rebelo-me diante de ti
Hoje devolvo-te a minha vida
Obrigado Deus por esses momentos
Que tristemente vivi
Não mereces oh, Deus o meu afago
Me traístes desde o leito
Fez-me triste por vadiagem
Fez-me morta de nascença
E hoje eu  me faço viva
Perante a morte
Provando-te que tu não passas
De uma grande bobagem.

Diante destas palavras, a pequena garota empunhada de uma navalha degola a si mesmo, seu pescoço se abre, e seu sangue escorre como se fosse fios de anjo tingidos de vermelho, atônito diante da situação e ainda refletido sobre a facilidade com que a garota desafiava Deus em seu poema, vomitei perplexo, justo EU, que acha ser a criatura mais prepotente desse mundo sendo superado em frente aquela multidão de mortais abitolados, por uma garotinha má e com algumas palavras ensaiadas. Deixei a cena e parti-me para o despertar, agora sim acordei suado de um pesadelo...

       








Vifrett
Enviado por Vifrett em 05/11/2007
Código do texto: T723923
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Sobre o autor
Vifrett
Formiga - Minas Gerais - Brasil, 29 anos
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