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Pequenos contos contam um ponto

Pequenos contos contam um ponto; são referencias de histórias que podem peregrinar por vários caminhos. Mas baseando-se no fato de que tudo é infinito enquanto dura e de infinito em infinito podemos ver novos horizontes; havia um mago que no passado viu um horizonte e esse mesmo mago coexiste no presente e no futuro.
Um pequeno ponto eu posso contar de uma história perdida no espaço. Uma história sobre duas almas que se juntaram na amizade e iniciaram uma jornada espiritual; no processo da jornada eles fizeram alguns experimentos. Na verdade todos os caminhos que lhes eram apresentados consistiam em revelar a cada um deles as variadas formas de Ágape e o poder da transformação. E lhes foi ensinado que todo caminho deve resultar num único fim: A fórmula espiritual da química entre a paz e o amor de espírito.
O que fazer um homem que habita um corpo, mas se sente mais espírito do que corpo? Esse homem faz amor como os anjos se amam no céu. Existem várias formas de se relacionar e atingir o nirvana num relacionamento; existe um êxtase que explode de dentro, mas sem ser pelo modo convencional explorado por humanos. O melhor êxtase é o consciente. O “vinho” deve ser usado pra se degustar e não para se embriagar.

E esse é apenas um ponto do conto “Dele” e “Dela”:
 
O encontro é marcado. Um motel aparentemente trivial; que ambos desconheciam. Eles sentem a energia do local; ela joga a bolsa na cama... Ele não imagina o que há em sua bolsa... Então, ela pergunta: “Você confia em mim?” e ele diz que sim. Ela pede pra que ele sente na cama; ao mesmo tempo em que tira velas vermelhas e um incenso da bolsa que, após acesos, reinavam na escuridão do quarto. As chamas revelavam as várias faces do fogo e o aspecto mais sagrado que nele habita. O quarto de um motel trivial havia se transformado num templo mágico.

Ela pega duas vendas pretas, e uma delas, coloca cuidadosamente por cima dos olhos dele. E faz o mesmo em si própria.

O que estava acontecendo ali era um ritual de celebração da alma. As mãos sentem muito melhor o corpo e a alma do outro quando a necessidade do tato aumenta perante a ausência da visão. As mãos passam a “enxergar” o que antes só tocavam e não sentiam de fato. Cada toque surge do útero do mundo; como a necessidade de uma criança de explorar o mundo do criador. Ali estavam dois universos frente a frente em busca do portal e do fogo sagrado. Bocas e sexos se transformavam em rosas vermelhas que se beijavam, depois do ritual do toque.

As mãos começaram a se tocar lentamente... um ao outro...com a  ingenuidade de uma criança e com a cautela de um felino ao pisar em território estranho...não havia pressa e nem cobranças...não importava que tipo de desejo eles estavam sentindo e se estavam excitados ou não. Só importava enxergar com os dedos...sentir a beleza que qualquer imperfeição física possa ter e a beleza ainda maior de degustar a alma do outro.

O tempo havia parado... ela tirava a roupa dele...ele tirava a roupa dela...sentindo lentamente cada poro e cada forma apresentada por um mundo novo. O tempo passava despercebido e o tato passou a ser um sentido apreciado como nunca antes. O cheiro do incenso entorpecia o olfato... os ouvidos dançavam num ritmo que oscilava entre o silêncio e a voz da alma...o sabor daquele momento era de chocolate quente.

 De olhos vendados eles se abraçam... tudo parecia acontecer em câmera lenta. Não havia pensamentos na cabeça...o silencio reinava na mente. Eles se “reduziram” a dois corações cuja energia viva pulsava no planeta Terra e como constelações se sentiram mais imortais do que nunca. A alma celebrava o encontro com o Deus interno e acima de tudo, com o Deus UNO.

Velas, vermelho, fogo sagrado, incenso, fumaça, penumbra, vendas, corpos, estrelas, energia viva, beijos, abraços, crianças, deuses, despreocupados, toques lentos, serenos, poros, peitos, sexos, cabelos, olhos vendados, almas desvendadas, reveladas, mistério sem fim, simples assim... num sopro do silencio.

Movimentos lentos do inicio ao fim, num êxtase de paz. E o espírito goza e celebra. E as vendas são tiradas; a visão valorizada como nunca antes... lá estava duas energias vivas apreciando, como se fosse uma sobremesa, cada lágrima de alegria jorrada pelas velas...vermelho vivo, sangue vital, átomos, almas, fogo sagrado.
Nathalia Wigg
Enviado por Nathalia Wigg em 06/11/2007
Código do texto: T725247

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Sobre a autora
Nathalia Wigg
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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