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Vaga é a bunda.

Era um rótulo. Uma obsessão consumida. Uma idéia paga. No outro lado do quarto, um silêncio parece consumir as alegrias que outrora dançavam em seu rosto fino. Os olhos já não brilhavam mais, eram frios, semicerrados pelo acender as luzes. As lágrimas cessaram. Em ambos os rostos. A voz dele, que em outros tempos a fazia se sentir protegida, agora lhe trazia medo e desesperança, as palavras eram frias. Uma vida nova era responsabilidade demais, ele dizia. Era tudo muito "novo" para o seu gosto. Ele procurou usar as palavras certas, insistindo nas promessas antigas: Conforto, felicidade, amor. Mas estava claro que tudo aquilo não existiria mais, claro demais. Aquilo não a cegava mais. Os pensamentos corriam soltos em sua cabeça, sabia que ele jamais voltaria, só não sabia que estava errada quanto ao motivo. Se soubesse que em poucos minutos ele estaria em meio ao limbo ela jamais teria lhe mandado embora. Pra fora daquele quarto. Da sua vida.

Ele concordou, saiu, em meio a prantos fingidos, com um sorriso marcado no peito. A felicidade, agora, era tanta que não pode conter seu lado irracional, não pode conter o fato que era um homem, livre e que a velocidade o satisfaria naquele momento. Tolo. Ele era um homem, apenas um homem. E homens não sobrevivem a explosões para contar suas histórias egoístas. Porém se havia alguém mais tolo nesta história, tinha sido a pequena garotinha que nascera daquela mulher. A pequena garotinha que tinha herdado do "pai" o mesmo gosto pela felicidade, o mesmo gosto pela velocidade.

Pena que ninguém lhe contou o quão ruim são acidentes de carro. Pena que sua mãe não estava lá para lhe dizer o quão canalha seu pai tinha sido, ou para defendê-la das noites de tristeza ao lembrar que a idéia de pais era somente um sonho.

No fim, a garotinha cresceu. Optou por uma "vida fácil", e viu que a única coisa fácil era rotular a forma como os outros vivem. É uma pequena que alguns filhos insistem em seguir o caminho dos pais.
Leonard M
Enviado por Leonard M em 08/11/2007
Reeditado em 17/01/2008
Código do texto: T728020
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Sobre a autora
Leonard M
Austrália, 27 anos
9 textos (236 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 17/10/17 13:51)