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UM CONTO DE NATAL

                 UM CONTO DE NATAL


           Era uma vez um pequeno povoado nos longínquos lugares da Terra. Lá ainda não havia chegado a tecnologia das fábricas. O sustento vinha do campo. A mercearia do seu João era o lugar aonde as pessoas vinham comprar seus víveres e encontrar algumas novidades da cidade.
              Tinha também, a igreja de Nossa Senhora da Anunciação, que ficava na pracinha rodeada de banquinhos. Quando vinha um padre celebrar uma missa, era uma festa só. O povoado todo se encontrava lá e colocava suas conversas em dia. A meninada ficava o Domingo concentrada com medo de fazer alguma estripulia e tomar castigo de não poder ir a igreja. Afinal, era dia de vestir calça e usar sapato, mesmo que fossem os seus que já estavam desbotados e com remendos.
                  Por falar em remendos, aqui entra seu Joaquim, o único sapateiro do povoado. Ele tinha mãos mágicas que conseguia recuperar os sapatos mais inrrecuperáves. Esse ofício ele aprendeu com seu pai, que aprendeu com seu avô, que aprendeu com o pai dele, que aprendeu não se sabe com quem. Todos os dias seu Joaquim corrias as ruelas do povoado levando sua caixa, (que os meninos eram loucos para saber o que tinha dentro) oferecendo seus serviços, sempre com um largo sorriso que não perdia nem mesmo quando a meninada gritava o apelido carinhoso que colocaram nele: “Olha aí seu Joaquim quim quim o pai do meu sapatim”.
                  Seu Joaquim passava a mão na cabeça deles e sorria. Quando tinha alguma bala da mercearia do seu João, distribuía com a garotada, pois havia visto nascer cada um deles. Assim passavam os dias e todos seguiam suas vidas, que não tinha o glamour da cidade, mas tinha a paz inocente do campo.
                     Mais um ano estava acabando, o natal aproximava-se. Essa data alterava a rotina do povoado. Afinal, criança é criança em qualquer lugar e onde elas existem sempre vai existir a magia do natal. Lá não era exceção, os meninos sonhavam com a visita do Papai Noel. Ganhar um presentinho que fosse. Eles não eram exigentes. Uma roupa nova; um livro com figuras coloridas; um carrinho com pneu de borracha ou uma boneca com cabelos.
                     Na semana que antecedia o natal, os moradores do povoado entravam em regime de mutirão. As casinhas eram todas caiadas, as janelas e as portas ganhavam cores novas, que iam do vermelho ao azul, passando pelo verde e o amarelo. Era lindo de se ver. Naquela véspera de natal algo no ar tinha um “cheiro” especial. A lua brilhava mais, as estrelas pareciam querer cair do céu e uma brisa suave trazia o perfume das flores do campo. A igreja de Nossa Senhora da Anunciação estava toda iluminada, embora não fosse ter missa, pois os padres tinham sido designados para as celebrações da cidade. Mas isso, não tirou o brilho daquela noite. As crianças corriam brincando na pracinha, os adultos colocavam suas cadeiras nas calçadas e as conversas seguiam animadas, só as vezes interrompidas para um aceno ao compadre que passava. As horas, em meio aquela alegria, pareciam não querer passar, mas elas seguem o tempo e não teve jeito chegou à hora de dormir. As cadeiras foram recolhidas, as despedidas aconteceram e as crianças, mesmo a contra gosto, tiveram que entrar. Mas antes, colocaram suas caixinhas nas janelas, como faziam todos os anos, a espera da visita do Papai Noel.
                   Durante aquela noite de natal, enquanto todo povoado dormia, os anjos que tomam a forma humana quando querem ajudar, fizeram mais uma de suas obras. Seu Joaquim quim quim, o mágico sapateiro, saiu pelas ruas carregando um enorme saco. Nas janelas ia parando e colocando algo nas caixinhas e assim seguiu por toda noite.
                  Quando o sol veio avisar o nascer do novo dia, as crianças começaram abrir as janelas. Seus olhos pareciam que iam explodir. Os sorrisos brotavam aos “montes”. Em pouco tempo toda meninada estavam nas ruas. Cada um que exibia mais orgulhoso seu presente. Papai Noel não tinha esquecido de ninguém. Os adultos se entreolhavam sem entender como aquilo tinha acontecido. Mas, a alegria das crianças com seus sapatos novos era tamanha, que contagiou a todos. No povoado por muito tempo, não se falava outra coisa: “Papai Noel esteve aqui”. Até que um menino lembrou que seu Joaquim quim quim não estava mas passando com sua caixa misteriosa. Foi aí que todos se deram conta que ele havia sumido. Nunca mais ninguém soube do seu paradeiro. Entretanto, aquela noite de natal jamais foi esquecida. Os avós contaram a seus netos, que contaram a seus filhos, que contaram aos filhos de seus filhos a estória do mágico sapateiro seu Joaquim quim quim e seus sapatinhos nas janelas na noite de natal...


                                 IAKISSODARA CAPIBARIBE.
                     


                       
IAKISSODARA CAPIBARIBE
Enviado por IAKISSODARA CAPIBARIBE em 12/11/2007
Código do texto: T734286
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Sobre a autora
IAKISSODARA CAPIBARIBE
Fortaleza - Ceará - Brasil, 50 anos
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IAKISSODARA CAPIBARIBE