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O Velho Marisa

 
  Em nosso bairro havia uma única rua asfaltada, nessa rua morava minha Tia Conceição, ela era irmã de minha mãe e tinha 7 filhos, não havia pílulas anticoncepcionais naquela época e televisão era coisa de ricos rs, mas como eu estava contando nessa rua asfaltada tem uma ladeira fantástica, e lá andávamos de carrinho de rolimã, bicicleta, patins e jogávamos bola.

  Na rua da tia Conceição que era a enfermeira do bairro e todas ás crianças tinham medo dela porque era ela que aplicavas ás injeções no traseiro de todo mundo, morava uma moça chamada Marisa, ela era linda, alta, loira (loira natural) olhos azuis mas não sorria e não falava com ninguém, nos comprimentava e mais nada.

  Um belo dia Marisa chegou do trabalho e junto com ela estava um senhor que aparentava ter muita idade, cabelos brancos, face enrugada de baixa estatura e um ar solene, a molecada ficou curiosa para saber quem era, o zum zum  foi geral, entraram na casa sem nada dizer.

  No dia seguinte á tarde como sempre fomos para a rua da tia Conceição brincar e brigar com chato do Beto, a algazarra e gritaria está a pleno vapor, estávamos jogando taco, quando o senhor saiu de dentro da casa esbravejando, ele gritava e gesticulava muito, não entendíamos o que ele dizia, com o susto paramos de brincar o senhor voltou para dentro de sua casa, é nos voltarmos a brincar, e de-lhe gritaria.

  Isso se tornou uma constante nos brincando e ele brigando, e nós nada entendíamos, mas respondiamos xingavamos e provocavamos de montão éramos terríveis rs, como não sabíamos o nome dele começamos a chama-lo de Velho Marisa. O problema foi se avolumando, ele soltava o cachorro um pastor alemão enorme que atrás de nós corria, mas nunca pegou nenhum de nós, o Velho Marisa chamava o cão e entrava para sua casa e nós voltávamos para rua fazendo mais barulho ainda, ai já havia virado picuinha.

  Como o cachorro não nos fazia nada só latia e corria atrás de nós brincando com a meninada o Velho Marisa ficou mais bravo ainda, e mudou sua tatica, passou a sair de sua casa com rojões nás mãos e os acendia e mirava nas pernas da criançada.

  Isso se repetia todos os dias, já era pirraça da brava, era um tal de Velho Marisa pra lá e Velho Marisa pra cá e ele mais bravo ficava, chegava a ficar roxo de raiva e nos rachavamos de rir, nós também não éramos flor que cheirasse rs rs rs.

  Um dia o Velho Marisa saiu armado com uma espingarda de chumbo e atirou em nós, meu avô que estava no quintal da casa de minha tia ficou irritado e saiu para brigar com ele, e ai a confusão estava feita o Velho Marisa esbravejava e meu avô também mas um não entendia o que o outro falava e criançada agitando mais ainda, pondo fogo na lenha, ai do nada aparece a joaninha (o carrinho da policia)levou os dois para a delegacia meu avô e o Velho Marisa.

  Meus tios foram junto, e na volta contaram o que aconteceu.
A Marisa foi chama á delegacia e contou que era neta Velho Marisa e que o havia tirado de um manicómio onde ele estava internado por vários anos, disse também que o Velho Marisa era alemão e participou da ultima guerra mundial e tinha traumas de guerra, que não suportava barulho e que os gritos da molecada porque faziam com ele se lembrasse de coisas que havia passado no tempo da guerra.

  Ela era á responsável por ele não havia mais ninguém da família que estivesse vivo somente ela e o Velho Marisa, disse que o trouxe para casa porque não podia mais pagar a conta do manicomio em que ele estava internado, e não havia vaga para ele no manicómio publico.
Nossa família se colocou a campo e junto com outros vizinhos juntaram forças para pagar um local para que ele pudesse ter o tratamento que necessitava o que muito aliviou a molecada toda, a rua é só nossa outra vez ha ha ha...

  E assim foi, Marisa o internou novamente no mesmo local onde ele estava anteriormente e todos pagaram suas cotas durante mais de 5 anos até o falecimento do Velho Marisa.
Marisa contava que ele está muito bem onde estava internado e que lá com a ajuda dos remédios ele estava calmo.

  Depois disso tudo Marisa se tornou amiga de todos do bairro, se casou e teve 3 filhos e um dos filhos dela se casou com a filha de uma de minhas primas.

  O mundo dá muitas voltas mesmo, tanta briga e hoje estamos todos misturados rs rs rs ...


***
Dama De Negro
Enviado por Dama De Negro em 23/11/2005
Reeditado em 23/05/2012
Código do texto: T75109

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Sobre a autora
Dama De Negro
São Paulo - São Paulo - Brasil
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