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EU SÓ QUERIA NASCER

Estávamos, eu e meus amiguinhos anjinhos brincando nos jardins,e de longe, os Arcanjos nos olhava alegres e se divertindo da mesma forma.A cada momento um de nós éramos chamado pelos Arcanjos e la chegando,eram passados uma missão a cada um. Logo em seguida, tiravam-se as asinhas e dai partiam para as suas missões.Eu, da mesma forma, aguardava a minha vez.E naquele dia algo me dizia que teria chegado o momento. Como de fato o foi.Os Arcanjos me chamaram e deram a mim a minha nova missão.
Coloquei minhas asinhas no lugar que todos deixavam e parti para a grande viajem.Depois de algum tempo, me vi dentro de um espaço escuro com uma pequena quantidade de líquido,mas aconchegante,gostoso e morninho.Cheguei bem pequenininho do tamanho de uma semente. Mas logo fui crescendo e cresci tanto que quase não havia espaço para dar uma esticadinha e nem para dar um espreguiçadinha ou tão pouco esticar minhas perninhas.De Repente, comecei a ouvir sons,muito barulho la fora, que eram de minha família,minha mãe,meu pai, e outros da família.
De vez em quando sentia o calor gostoso da mão de minha mãe passando pelos meus pezinhos e em outras vezes eram as de meu pai. Era muito gostoso e acariciante.Vez ou outra, eu ouvia que queriam escolher o meu nome.Nossa, cada um que eu não entendia nada,e cada um queria dar o meu nome.E assim fui crescendo a cada dia que se passava.Uma vez fomos a um tal de hospital. La me apertaram, colocaram um troço frio na barriga de minha mãe que ate eu senti frio nos meus pezinhos.E depois eu ouvi um tal de toc..toc..toc..toc e um tal de médico dizendo a minha mãe que estava tudo bem.Mas um belo dia, todos saíram correndo comigo desesperados.Alguma coisa de ruim estava dando errado.Não sei,mas tudo voltou ao normal.Ouvi meu pai dizer que faltava somente um mês para eu conhecer este tal de mundo.Mas senti que havia muita preocupação por parte deles.Parece que era por causa de uma tal de dinheiro.Minha mãe falava:
-Como vamos fazer José?!
No qual meu pai respondia:
- Na hora tudo dará certo.
E em um dia deste, falaram a meus pais, que ela, a minha mãe,teria que fazer uma tal de cesariana.O que deixou todos em alvoroço.Foi aí  que a coisa pegou.Senti que a coisa não tava muito boa la fora.A família toda preocupada e minha mãe chorando. De vez em quando este tal de dinheiro aparecia na história,de como iriam fazer sem ele.Me parecia que este tal,era mais importante do que eu.
De Repente, todos falaram que estavam passando da hora e todos saíram correndo pro tal do hospital.
Chegando la, parece que não havia vagas.Entretanto correram para o outro e que também não haveria vaga e nem tão pouco este tal de médico.E nisto tudo, minha mãe chorando.
Foi quando ouvi alguém dizer para  minha mãe me levar em  tal de SUS.O que não adiantou nada, pois  alem de não terem vagas, também não tinha médicos.Falaram também numa tal de maternidade, que da mesma forma não houve resultado.Minha mãe desesperada, meu pai desesperado,e eu não entendia muito bem o porque as pessoas não queria que eu conhecesse este tal de mundo.Não sabia se era este tal de médico que não queria eu por aqui, ou um tal de governo...Ha! este eu lembro muito bem porque a todo momento eu ouvia falar dele. Xingatórios, blasfêmias que eles não davam verbas para os hospitais,ou os hospitais usavam o dinheiro indevidamente.Por isto estavam todas estas bagunças.Nunca vou esquecer! Ou este tal de médico era muito bom ou muito ruim. Porque ouvi minha mãe falar que quando eles formavam, eles juravam que iriam salvar as pessoas ricas ou pobres,negras ou brancas, feias ou bonitas gordas ou magras e os mais necessitados.Mas eu não entendia muito porque tudo isto era coisas de gente grande.De repente foi uma correria total. Minha mãe chorando, meu pai desesperado,e quando viram que não tinha jeito eles começaram a gritar pelo meu pai Maior, que la em cima eu o chamo de Deus.E a todo o momento eles o chamava para me socorrer.Acho que de tanto eles chamarem o meu Pai Maior o onipotente resolveu atendê-los.
Quando me vi,estava de frente e de novo com meu Pai Maior, o meu Deus.Me abraçou em um afago dos mais gostoso, me apertou em seu braços fortes,me beijou,e logo em seguida me devolveu minhas asinhas e me disse:
- Vai filho, vai brincar com os outros, logo você terá novamente a sua vez.Voltei a brincar com os outros anjinhos nos jardins e infelizmente ou felizmente não fiquei conhecendo este tal de mundo.Não fiquei sabendo se estes tais de médicos e este tal de governo é que estavam certos, ou se eram meus pais que estavam errados por não terem este tal de dinheiro.
Mas mesmo assim, dizem la embaixo, que a vida continua.


Diney Marques
Enviado por Diney Marques em 25/11/2007
Reeditado em 29/06/2016
Código do texto: T751788
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Diney Marques
Uberaba - Minas Gerais - Brasil
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