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MINHA VIDA

Eu estava deitado em minha cama. Observava o ventilador no teto naquela escuridão, enquanto podia ouvir a chuva que caia naquela noite. Os raios eram a única coisa que iluminava meu quarto, todos pareciam que iriam destruir algo, mas era apenas aquele velho clarão de sempre.

- Porque isso acontece comigo? Porque apenas eu deva sofrer neste mundo maldito? Será que Deus tem algum plano para mim? Ou será que ele nem liga para mim?

Essas e outras perguntas assolavam minha mente, mas eu ainda observava tranquilamente o ventilador ligado, tentava contar algo que eu nem sabia o porque estava fazendo. Mas sei que o fazia.

Virei o meu rosto para olhar a chuva que podia ser vista pela janela do meu quarto. Ela estava forte, mas mesmo assim me trazia uma paz que eu não sei como explicar. Eu podia ouvir meus pais discutindo na sala sobre quem iria ficar com minha guarda. Mas eu nem ligava para isso, pois enquanto eu estivesse ali naquele quarto, parecia que o mundo não existia.

Eu podia ficar ali o resto da vida, mas eu sei que sempre iria aparecer alguém para conversar coisas cotidianas comigo. Tentei procurar a lua no meio daquela chuva, mas estava praticamente impossível identificar algo fora do meu quarto. A conversa dos meus pais estava cada vez mais alta. Quando me dei conta, eu havia me levantando, eu vestia apenas uma calça jeans preta e estava com uma meia branca um pouco suja devido a poeira do meu quarto.

Eu caminhei até a porta e a abri com força, ela foi violentamente contra a parede e por um breve momento meus pais se calaram. Aquilo foi ótimo, logo caminhei até a cozinha, meus pais começaram a me encarar, mas nem liguei. Apenas caminhei até a geladeira e a abri. Olhei para a pia e vi o faqueiro, por um instante veio a vontade de acabar com toda aquela briga. Mas apenas voltei o olhar para a geladeira, peguei uma garrafa de água, olhei para meus pais e a levei até a boca para beber aquela água gelada. Um frio passou em minha garganta enquanto a água passava pela mesma.

Olhei para meus pais e eles já estavam discutindo novamente, sem pensar peguei a faca e andei rapidamente até a sala, comecei a esbravejar e eles apenas me olharam com medo e terror nos olhos, nunca os imaginei com medo de mim, mas estavam e logo o silêncio voltou a reinar, apenas ouvia-se a chuva e os raios que quebravam a escuridão da rua.

- Parem de discutir agora! - falei novamente, e eles apenas se encolheram no sofá. Soltei a faca e logo meu pai pulou em cima de mim para me imobilizar e me afastar da faca. Virei o rosto para o lado enquanto ele brigava comigo, quando menos esperava ele segurou minha camisa e me levantou com seu braço esquerdo, enquanto o direito vinha na direção de meu rosto, o acertando violentamente, logo meu corpo voltou ao chão novamente, olhei para meu pai com vontade de matá-lo, mas minha mãe estava o puxando.

Empurrei meu pai para longe e corri para o meu quarto e bati a porta, logo tateei o criado-mudo a procura da chave, quando a encontrei meu pai socava a porta e gritava para eu deixa-lo entrar. Mas eu apenas tranquei a porta e olhei para a janela. Eu conseguia ouvir os gritos de minha mãe, mas em minha mente não se passava nada, além da vontade de fugir.

Procurei algumas coisas e abri a janela, a chuva ainda estava forte, sai pela janela e comecei a andar rumo ao nada, na esperança de encontrar uma nova vida longe daquele sofrimento de todo dia, uma longa espera por uma mudança, mas tudo era em vão, então apenas segui rumo ao nada.

Durante horas andei sem rumo, a chuva já estava parando, eu estava todo ensopado. Mas foi tempo o suficiente para eu pensar no que eu havia feito. Olhei para trás e o arrependimento bateu, voltei a olhar para a frente.

- Porque eu fugi? Porque eu deixei meus pais? Afinal, durante todos esses anos mesmo eles brigando, eles sempre me deram atenção.

Uma lágrima escorreu pelo meu rosto e logo comecei a correr, não em direção ao nada, mas em direção ao amor dos meus pais que sempre me protegeram e me apoiaram quando precisei. Corri durante muito tempo, minhas pernas pediam para descansar mais eu tentava voltar logo para meus pais, eles deviam estar preocupados. Várias lembranças passavam em minha mente, as lágrimas se misturavam ao suor e a água da chuva.

Ao longe eu via minha casa, pela minha obssessão naquele momento em fugir de casa, não percebi que andei muito, eu apenas dei várias voltas em torno de alguns quarteirões.

Vi meus pais na porta de casa me procurando, eu gritei e enquanto eles viam correndo em minha direção. Nos abraçamos e logo entramos e começamos a conversar. Um pedia perdão pro outro, novamente estavamos em família. E o amor reinava entre nós novamente.
Aurus Vignoli
Enviado por Aurus Vignoli em 26/11/2007
Código do texto: T753821
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Aurus Vignoli
Cidade Ocidental - Distrito Federal - Brasil, 28 anos
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