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UMA NOITE INESQUECIVEL

Noite inesquecível

Era uma noite chuvosa no árido sertão, numa casa de pau a pique composta de três cômodos e habitada por cinco pessoas adultas e uma criança.Acostumados com o sofrimento rural e a enfrentarem as maiores dificuldades que são peculiares do homem do campo, olhavam para uma pequena imagem de são José e numa prece desesperada   agradeciam por aqueles dois dias de chuvas que molhavam aquele tórrido território tão castigado por cinco anos de estiagem. Marquinhos um menino de quatro anos, nunca tinha visto um fenômeno daquele, estava parado junto ao umbral da porta da cozinha seus olhinhos fitos nas pequenas poças que se formavam na barrenta estrada, que tanta poeira esbanjava durante os dias causticantes do enfadonho verão. Sua admiração era tanta, que a todo instante  ele perguntava a sua mãe se podia beber daquela água que descia do céu.Dona Maura, sua mãe de forma carinhosa e  paciente lhe explicava que aquela água se chamava chuva...e era Deus que mandava durante um certo período de tempo chamado inverno. Passaram se algumas horas e a noite chegou dando uma forma diferente aquele quadro da paisagem sertaneja, reuniram-se em volta da pequena mesa de madeira rústica e bancos de três pés que pareciam nunca se firmarem naquele piso de barro batido. Na pequena cozinha de paredes enegrecidas pela fumaça do fogão a lenha estava o maior tesouro daquela família...os seus víveres que era a farinha de mandioca produzida de maneira primitiva torrada num pequeno forno de barro, que ficava no quintal.Alguma cordas sustentavam restos de pequenos animais que eram pegos em armadilhas artesanais.Alguns preás,gambás,pebas,nambus,camaleão e lagartos que eram abundantes naquelas paragens.O quarto era o aconchegante dormitório presidencial adornado por cinco redes coloridas com alguns desenhos para diferenciarem os donos de cada uma delas. No quintal havia um longo canteiro adubado por estercos de galinhas caipiras que produziam folhagens e legumes que davam sabor ao gostoso manjar diário daquela humilde família. Quando todos se preparavam para dormir...uma estranha luz penetrou pelas gretas daquela pequena casa, todos pularam de suas redes como se tivessem ensaiado um malabarismo inusitado para uma estréia no palco do municipal. Atordoados pelo clarão saíram do quarto e foram espreitar pela janela e viram algo que nunca imaginaram...lá estava um pequeno burrico, sob os seus lombos estava uma mulher com uma criança no colo, a frente um homem de semblante calmo e olhar paterno segurando uma lamparina de querosene cuja chama não se movia e nem se apagava mesmo sendo castigada pelos grossos pingos dágua que caiam sobre ela.
Convidaram-nos a entrarem e lhes ofereceram o que tinham para saciarem sua fome, eles aceitaram e pousaram ali naquela aconchegante casa, o pequeno marquinhos começou logo a gracejar com a criança de colo. Seu Amâncio o patriarca, observou que mesmo eles vindo da chuva estavam de roupas secas como se estivessem no meio do sol. Após se alimentarem e darem comida a criança, arrumaram um cantinho na sala para eles repousarem, o homem clamou aquela família que fizessem uma oração antes de dormirem...e nas suas singelas palavras ele disse:
- Sr. estive faminto e me deste comida....estava com frio e me deste agasalho...estava sem teto e me deste uma dormida...estava na solidão e foste meu companheiro, agora eu te suplico, aquele que me amparou seja por ti amparado todos os dias da sua vida...e que a água que matou minha sede nunca venha a faltar...amém.
Todos agradeceram e foram dormir...o sono naquela noite foi diferente, dormiram profundamente,nem as muriçocas com suas afinadas melodias e incômodas picadas foram capazes de desperta-los durante aquela noite. Ao amanhecer D. Maura levantou para preparar o desjejum, mas ao chegar a sala ficou estupefata com o que viu...um grito abafado ficou na sua garganta...com os olhos arregalados como se tivesse visto um fantasma balbuciava meu Deus...meu Deus...a sala estava arrumada como ela havia deixado, a porta trancada por dentro com a trava de madeira, não havia a cama arrumada como ela tinha deixado para aquele casal de viajante. Na frente da casa não havia pegadas de animais ou de pessoas...o pequeno marquinhos estava sorrindo olhando para o céu...seu pai lhe perguntou porque estava sorrindo, ele disse:
-Painho...eles estão lá em cima e disseram que nunca mais vai deixar agente sem água e sem comida...pois tudo que tínhamos oferecemos a eles...e eu vou ganhar um montão de presentes...pois o maior presente que eles poderiam ganhar nós demos a eles...o amor e a sinceridade...e hoje é natal...D. Maura caiu dura, o choro foi geral....mas a felicidade foi tanta que todos da redondeza vieram morar nos arredores daquela pequena fazenda.
Faça o bem sem olhar a quem....Quem dá aos pobres empresta a Deus...o milagre também pode acontecer na sua família.
ARTONILSON MACEDO BEZERRA
Enviado por ARTONILSON MACEDO BEZERRA em 05/12/2007
Código do texto: T766468

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Sobre o autor
ARTONILSON MACEDO BEZERRA
Angra dos Reis - Rio de Janeiro - Brasil
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ARTONILSON MACEDO BEZERRA