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Coincidências

Rosa, filha do Senhor João Carlos Viera, está a se casar, achando-se a mulher mais feliz do mundo. Filha prendada, de face rubra, de sorriso meigo e angelical. Era a mais bela e cobiçada jovem da sua cidade.
Conhecera Heitor, seu noivo e futuro marido, quando ainda tinha dezesseis anos e ele dezenove. Ambos eram de famílias distintas da sua cidade, a pequena Cactus.
Rosa e Heitor estavam aflitos com a proximidade do seu casamento. Os últimos preparativos estavam quase prontos.
Rosa e Heitor têm hoje dezenove e vinte e dois anos, respectivamente. Mostravam-se um casal apaixonado. E a cidade estava em festa com esta união.
Rosa, apenas tinha olhos para o seu noivo, jamais tivera namorado um outro rapaz, mostrou-se fiel e casta. De Heitor está atitude não se era esperada, apesar de se mostrar completamente apaixonado. Seu noivo dava toda demonstração de carinho possível, presenteando-lhe com flores, bombons e alguns jantares. Porém estes fatos foram ficando cada vez mais escassos
O noivo já tinha conhecido várias outras mulheres, e entre uma dessas aventuras se apaixonou por Ângela, uma mulher atraente e experiente, com seus vinte e oito anos. Esta mulher entrou na vida de Heitor, durante os dois anos em que o mesmo foi estudar em uma cidade vizinha, Quintal.
Ângela mostrou-se decidida em conquistar Heitor. Agradando-lhe de todas as maneiras. Heitor havia se deixado seduzir não só pela sua beleza, mas também por sua delicadeza, características comuns a nossa apaixonada Rosa.
Duas mulheres e um só desejo: tê-las; tão semelhantes e tão diferentes. A primeira sua noiva, e a segunda a amante. Heitor estava completamente apaixonado, enquanto esta indecisão toma o âmago de Heitor, os preparativos para o casamento continuam. Rosa já escolhera o vestido. Para Rosa sua vida estava acontecendo como num conto de fadas. Pena que o príncipe não viera em um cavalo branco, e logo conheceria a bruxa.
Heitor sentia-se pressionado.
- O que direi a ela? Como farei para não magoá-la?
Ângela o cobrava:
- Quando irá me apresentar à sua família? Do que tem medo?
Restavam dois dias para o casamento, quando Rosa foi provar o seu vestido em Quintal, mal sabendo que lá mora Ângela. Depois de provar o vestido viu-se que seriam necessários alguns simples ajustes. Rosa aproveitou à sua ida a Quintal e resolveu visitar sua tia. Durante o percurso entre o ateliê da costureira e a casa de sua tia se encontrou, trombou, com Ângela, porém ambas não se conhecia, quiçá sabiam que eram apaixonadas pelo mesmo homem.
O encontro entre as duas ocorreu de maneira inesperada. Rosa saíra da costureira distraída, imaginando o seu casamento, enquanto Ângela saíra de uma loja carregando algumas sacolas e caixas que acabara de comprar. Esbarraram-se. Rosa ajudou Ângela a recolherem os seus pertences e ambas conversaram durante o resgate.
- Desculpe-me, vinha distraída!
- Não se preocupe, eu também não estava conseguindo ver nada com tantos pacotes.
- Posso ajudá-la a carregar, como maneira de compensar a minha distração?
- Não irá te incomodar ou desviar do seu caminho?
- De maneira alguma! Para onde está indo?
- Para a Rua dos Aflitos.
- Também estou indo para aqueles lados, vou à Rua da Consolação, visitar a minha tia.
- Sendo assim, obrigada pela ajuda.
E as duas foram juntas e tiveram a rápida impressão que já se conheciam.
Rosa como seu jeito meigo começa a conversar com Ângela.
- Desculpe-me, como você se chama?
- Ângela e você?
- Rosa.
- Parece-me muito contente, Rosa?
- Sim, faltam dois dias para eu me casar. Vim provar o meu vestido, e esbarrei com você.
- Realmente é para se está contente.
Heitor se encontrava em Cactus, também aflito com o casamento, entretanto confuso com este passo. Três dias antes tivera em Quintal para a sua despedida de solteiro nos braços de Ângela. Foi uma das noites mais prazerosas que tiveram juntos, talvez fosse a última.
Heitor e Ângela amaram-se como se fossem jovens em sua primeira noite de núpcias. Seus corpos se encontraram freneticamente, suas bocas se entrelaçaram sugando um do outro o que de fluido possuíam. Seus abraços tornaram-se mais intensos. Despiram-se. Seus corpos funcionavam como imãs. Suas carícias foram tão suaves que sugeriram não mais sair daquela que por tantas outras noites tinha se tornado seu leito carnal.
Heitor nem imagina que às suas duas mulheres tinham se conhecido.
Rosa e Ângela continuaram por um bom tempo conversando. Ao se despedirem, Rosa convidou a sua nova amiga para o seu casamento.
- Ficaria feliz por você ir ao meu casamento.
Aos vinte e dois dias do ano mil novecentos e noventa e sete, acontecia o casamento dos jovens e a pequena cidade está em festa. Duas horas antes da cerimônia o inevitável aconteceu, o triângulo se encontrou.
Ângela chegou á cidade de Quintal e de imediato foi á casa de Rosa cumprimentar a noiva amiga.
- Rosa, vim compartilhar da sua alegria.
- Obrigada por ter aceitado o meu convite. Quero te apresentar meu noivo, Heitor.
Ângela ao ouvir este nome ficou atônita – Você disse, Heitor!?
- Sim, este é o nome do meu futuro esposo.
Heitor chega á sala e ao mesmo instante Rosa observou que Ângela mudara de expressão.
Ângela e Heitor ao se virem espantaram-se e gritaram em um único coro:
- Você!!!
E Rosa sem poder imaginar que eles eram amantes.
- Vocês já se conhecem?
- Não! Respondeu Heitor nervosamente.
Ângela ao lado retrucou:
- Sim o conheço, ele é meu namorado.
- Como seu namorado? De onde se conhecem?
Heitor sem ter o que responder saiu da sala rapidamente. As mulheres ficaram na sala, e Ângela contou-lhe toda a história.
- Eu o conheci em Quintal, há dois anos.
- Mas como?
- Foi durante a época em que ele estava estudando. E não foi só a mim que ele teve, outras mulheres ele possuiu.
- Outras?!
- Sim, mas nos apaixonamos. E eu não sabia que era noivo.
- Desgraçados! Como puderam fazer isto comigo!
- Eu juro, não sabia que ele era noivo. Ele nunca me contava muito sobre si mesmo, andava sempre muito reservado. Apenas fazia-me juras de amor.
- Mas por quê? Eu nunca fui infiel, nunca olhei para outro rapaz.
- Agora entendo porque ele nunca quis me apresentar á família.
- Dediquei-me durante três anos, esperando por este momento. Eu fui tão ingênua. Vi os sinais, mas achava que eram devido ao trabalho dele, que lhe tomava todo seu tempo.
- Cafajeste! Ambas afirmaram. Ângela saiu da sala e não mais foi vista durante aquela tarde ou em qualquer outro dia. Fora a sua primeira e única visita a Cactus.
Rosa saiu à procura de Heitor. Faltava apenas trinta minutos para a cerimônia. Heitor estava no quarto com um ar de desespero e aflição.
Rosa entrou no quarto gritando e todos que estavam na casa ouviram.
- Seu cafajeste, safado, mentiroso! Como pode fazer isto comigo?
- Perdoe-me, meu amor!
- Achou que poderia me enganar mais?
- Por favor, fale baixo, pois os convidados estão na sala e podem nos ouvir.
- Que ouçam, ao menos saberão que você é um crápula. E que me fez acreditar no seu amor.
- Calma Rosa, eu posso explicar!
- explicar o quê? Que tem outra? Que não me ama? Que me fez de tola durante dois anos?
- Mas eu Te Amo!
- Não me faça rir, seu... Agora eu entendo o porquê que as sua demonstrações de carinho foram diminuindo, e eu pensando que era pelo trabalho que lhe tomava o tempo.
- Acredite em mim. Eu te Amo!
- E a Ângela também? Como pôde me enganar este tempo todo? Deixar que eu imaginasse uma vida de conto de fadas. Se não mais me amava, por quê?
- Conheci Ângela na época em que fui à Quintal estudar.
- Eu já sei como se conheceram.
Heitor sem mais o que dizer e com os olhos cheios de lágrimas, perguntou;
- O que irá fazer?
Rosa rasgou seu vestido de noiva e saiu correndo pela casa e quem estava presente não compreendeu o que teria acontecido entre os dois. Rosa revelou a seu pai o que tinha acontecido entre ela e seu noivo.
Rosa resolve ir passar um tempo na casa de sua tia em Quintal. Talvez lá ela possa se permitir viver mais, e quem sabe se apaixonar novamente. Ângela casou-se com um médico da capital e foi embora.
Heitor continuou em Cactus tomando conta dos negócios da família, e se lamentando por ter perdido o amor das suas duas mulheres.
Rogevanio Alves Santana
Enviado por Rogevanio Alves Santana em 13/01/2006
Código do texto: T98382
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Sobre o autor
Rogevanio Alves Santana
Aracaju - Sergipe - Brasil, 37 anos
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Rogevanio Alves Santana