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O livro…


Tantas horas tinha passado na correcção daquele livro, que era o seu sonho, e tinha a certeza, era a realização do seu poeta e escritor; As aventuras, o delicioso mistério que o autor tinha impregnado na sua narrativa, seriam mais que suficiente para que o grande público se interessasse pela obra; Além de ser um testemunho da guerra que Portugal travara contra o terrorismo em Angola, que foi o inicio da verdadeira luta pela Independência deste grande país, como também pela maneira como a juventude Portuguesa daquele tempo, tinha aceite esta guerra e o que pensava dela.
Fernanda exultava de alegria finalmente o seu grande sonho ia realizar-se, o livro estava pronto e ia ser lançado numa grande sala em Lisboa com todas as honras para o seu poeta e escritor e ela ficaria feliz cá do outro lado do mar, agradecendo a Deus esta benesse, ter sido útil ao seu grande amigo e secreto amor.
Foi ela que o incentivou a terminar o livro, pois a forma descuidada como ele encarava a feitura da obra, nunca acabaria. Ela cobrava dele página por página e não raras eram as zangas que travava com ele pelo seu desinteresse e divagações, sabia das potencialidades daquele homem e sabia também que um dia ele seria inevitavelmente reconhecido pelo que escrevia. Muitas vezes pensativa dizia para com seus botões. Afinal esta minha luta e todo este meu trabalho tem alguma razão de ser? Após severa reflexão vinham sempre os mesmos pensamentos; Eu não só amo o homem, eu amo tudo o que ele é, amo tudo que ele faz, eu amo até o ar que ele respira e sei que nunca o vou ter, isto é uma insanidade, mas mesmo assim eu o quero.
Tivera a dita de o conhecer há cinco anos e desde então tomara conta de tudo que ele escrevia, orientava-o nos rumos a seguir e era a crítica mais severa para ele, aquele homem já com idade avançada era apenas um menino doce e traquinas que adorava exibir-se com seus poemas para todas as mulheres; Ela bem que tentava cercear este seu gosto exibicionista, mas era remar contra a maré, sabia que seus poemas de amor suscitavam paixões e o medo dela, era dele se enfeitiçar por uma qualquer e ela o perdesse para sempre.
Naquela noite o ecrã do seu Computador parecia ter mais luz e as suas palavras impressas na tela, de um conhecido programa, pareciam escritas a ouro.
- Estou tão feliz meu querido! Finalmente, como sempre sonhei, o nome do grande poeta e escritor José Dias vai ser conhecido e reconhecido pelo que escreve.
- Ora... É só o lançamento do livro, espero que tenha algum êxito, pois muitos dos homens de hoje, não conhecem o que os seus pais sofreram nessa guerra. Só lamento que tu, a alma deste livro, não estejas aqui.
- Como gostaria de estar podes crer.
- Eu sei! Bem, vou deitar estou um pouco cansado.
- Não vá às salinhas ok?
Ela sabia que ele acabaria por ir.
Chegou o grande dia... A sala engalanada por gente bem conhecida da gesta cultural do país; No palco bem decorado com as mais lindas flores encontravam-se os promotores da apresentação, que iniciaram a secção falando do autor e de sua obra com algumas explicações e exemplos, quando terminaram, muita gente se levantou dirigindo-se à mesa onde podiam adquirir a obra apresentada; De seguida alguns bons declamadores fizeram apresentação de poemas do autor.
Por fim ele subiu ao palco, como era charmoso nos seus abundantes cabelos brancos; Adorava aquele homem e nunca poderia ficar indiferente e longe deste acto; Como gostava de ouvir aquela voz forte e agradável, nas palavras simples que proferiu, mas sempre impregnadas de romantismo e muito conteúdo.
Quando terminou uma salva de palmas premiou as palavras carinhosas e brilhantes daquele novel autor, mas ela não se conteve:
- Bravo poeta!
A sua voz, da entrada da sala onde se encontrava escondida teve o condão de entoar pela sala e chegou nítida a José Dias que a  reconheceu, seus olhos percorreram ansiosos a sala localizando-a envergonhada deste seu arrebatamento.
Recolheu uma das rosas amarelas que enfeitavam o palco, era a cor preferida dela, caminhou para a saída onde se encontrava Fernanda; Ofereceu-lha, beijando-lhe as mãos que já não largara, mas delicadamente por elas a conduziu para fora do teatro, onde tinha sido apresentada a obra.
- Querido e a sessão de autógrafos?
- Os livros já estão autografados e depois tu estás primeiro que tudo.
Caminharam bem juntos, como se houvesse um conhecimento mútuo de longo tempo e já uma grande cumplicidade, no automóvel de Dias já comodamente instalados perguntou: – Em que hotel estás?
Depois de recebida a informação dirigiu-se para lá, já no quarto e longe de tudo e de todos, olharam-se com doçura e abraçaram-se.
- Agora quero todos os beijos que envias-te pela NET.
Ela... Olhando-o com profunda emoção, beijou carinhosamente aqueles lábios que tanto a fizeram sonhar.
Houve o normal de um relacionamento de muito amor entre os dois e que estava bem guardado neles para este dia.
Cansados olharam-se com carinho e ambos deleitaram-se nos beijos e carícias há tanto reprimidas. Fernanda cansada da viagem e da satisfação de um grande acto de amor, simplesmente adormeceu nos braços dele.
Quando acordou, abriu um longo sorriso e virou-se à procura do seu poeta e seu amor. Estava na sua própria cama e sozinha, tinha apenas sido um sonho: - Meu Deus! Eu sonhei... Sim fora apenas um sonho, mas que havia de realizar. Uma lágrima teimosa bailava viva nos seus olhos, era o fruto de uma grande saudade e por que não, de um grande e verdadeiro amor.

FIM

António Zumaia
Enviado por António Zumaia em 07/02/2006
Código do texto: T109076
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Sobre o autor
António Zumaia
Portugal
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