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Jogos de Amigos - Parte 01 de 02

A festa aconteceu sem maiores preparativos. Eram apenas amigos querendo rever amigos.
A casa era pequena, simples e modestamente localizada a beira da praia. Suas paredes eram de madeira já comida pelo tempo. Tábuas escurecidas pela umidade e pelo passar dos anos. Em seu interior não havia mobília, visto que estava desocupada a mais de seis meses, somente uns colchões no chão dos quartos para aqueles que ali iriam passar a noite.
Vejamos então quem estava presente neste encontro de amigos; Marcos - o anfitrião, um rapaz alto, forte como atleta, moreno claro, cabelo pretos curtos em um corte chanel, com uma pequena franja ciando sobre a testa larga. Era o mais alegre. Sempre o fora. Olhando-o víamos a satisfação que alguém sente quando está cercado de pessoas queridas. Abria um sorriso largo a cada palavra trocada.
João - Este estava cansado. Trabalhava de noite e via-se, apesar do seu esforço para divertir-se, que este esgotamento o vencia pouco a pouco. Gostava muito de todos ali, e por isso quando recebeu o convite não fez cerimônia, mesmo sabendo que estaria fatigado. Era moreno claro, com algumas pintas no rosto, sardento como o pai, baixo, com uma certa protuberância no estômago. Diria-se que era um gordinho.
Santiago - chegara de carro novo, o que causara um frisson entre os presentes. Não que o carro fosse novo de fábrica, pois ainda não tinha recursos para isso, mas era novo em suas mãos, um Scort 95, e trouxe João como carona. Era mais moreno que os outros, mas não chegava a ser negro. Dirse-ia bronzeado. Um pouco parecido fisicamente com o anfitrião no porte, ombros largos, sorriso aberto.
Vilmar - O mais fechado do pequeno grupo, apesar de também gostar dos que no local se encontravam. Homem de poucas risadas. Rosto liso, cabelo preto escovinha, liso curto, roupa justa. 1,73 , um pouco mais baixo que Santiago e Marcos, ambos perto de 1,80. Fala macia e sempre com gestos estudados, jeito correto de ser. Era o homem perfeito que as mulheres tanto sonham. Veio com seu gol 89 impecável.
Lucas - O mais despojado de todos. Não se importava com roupa ou a posição das pessoas que ali se encontravam. Adorava a todos e os admirava igualmente. Era o mais sentimental do grupo e também o com menor poder aquisitivo. Vestia-se simples e modestamente. Se sentia em casa naquele ambiente e com aquelas pessoas. Cabelos castanhos compridos, mal penteados, começando a encrespar nas pontas; barba por fazer a dois dias, perto dos 80 quilos em cima de 1.70. Certo disso podemos dizer que não estava em sua melhor forma física. Junto com João formava um par de barrigudos, apesar de ter menos massa no abdômen que o rapaz das sardas.
Feita a introdução a estes personagens vamos voltar a festa propriamente dita. Na área em frente a porta de entrada havia uma churrasqueira que Marcos tomava conta, virando os espetos e cuidando para que a carne não queimasse. João e Vilmar jogavam xadrez sentados em uma mesa de madeira colocada próxima da churrasqueira, enquanto isso Santiago e Lucas conversavam animadamente.
Santiago - E então? O que anda fazendo ultimamente? Tem ido acampar?
Lucas - Que nada. Tô maus. Faço uns bicos. Mas não reclamo, tem gente em estado pior. Quando menos esperar acho alguma coisa. Não adianta se desesperar. Ó, se tiver faltando alguém lá, me chama hein?! - ele se referia a pequena empresa de eletrônica que Santiago conseguira montar juntamente com um sócio.
Santiago ---- Claro bicho. Não se preocupe. Você não se importa de ficar levando cabo? - perguntou sério a Lucas.
---- Claro que não. cê sabe que não tem frescura pro meu.....
----- AHAHAHAHAHAHAH --- todos riram - HAHAHAHAHAH - risos soltos á vontade na pequena área de lazer.
Marcos - ----- Não se importa em ficar levando cabo!!??? - ria a não poder mais.
----- Caísse feio nessa, Lucas . - fala Vilmar o mais controlado nas risadas.
Lucas ---- Porra, vocês são uns bobos. E eu pensando que era papo sério. - faz cara de irado.
----- Que é isso amigo! te magoaram por dentro?!!! - aparece rindo Marcos, que abraça Lucas. Todos se descontraem.
Lucas ---- Pô Tiago ( era assim que chamavam Santiago), olha eu estava falando sério. Se aparecer alguma coisa me dá um toque. Não esquece hein!
Santiago --- tá limpo. Volta e meia a gente precisa de alguém
---- Você tem o telefone meu? - pergunta Lucas O moreno sacode a cabeça afirmativamente enquanto come um pedaço de carne envolta em farinha. ( já viram churrasco de pobre sem farinha?)
----- Xeque! - na mesa ao lado João comemora em voz alta a jogada.
Vilmar olha para o tabuleiro concentrado, como a não acreditar na jogada que o outro fizera. Sobre a mesa ao lado do tabuleiro seus dedos finos e longos, de unhas bem aparadas, brincam com as peças, arrumando-as cuidadosamente.
---- Bem feito, fui escutar as besteiras do Lucas. Mexe uma peça e salva o Rei ao mesmo tempo em que ameaça partir para o contra-ataque.
----- Êh, quero ver agora João! -- Diz Marcos batendo nas costas da cadeira deste.
----- Olha a mulherada aí gente! -- avisa Santiago.
Cabe agora, neste momento em que já fizemos uma rápida apresentação masculina, colocar-mos em cena as personagens femininas. ( até que enfim, afinal isso já estava ficando muito chato!)
Jana - É a esposa do anfitrião. Baixa estatura, cabelos loiros cacheados caindo sobre os ombros, como uma cascata de cabelos. Fala macia e sensual, veste uma blusa preta sem mangas e uma saia jeans, muito provocante. Já conhece a todos de outras festas. Um olá, alguns beijinhos no rosto e se coloca no meio da festa.
Jaqueline - Irmã de Marcos. Demonstra uma grande falta de cuidado para consigo própria, pois seu corpo se perde meio a tecidos adiposos. Meiga e carinhosa, esses adjetivos parecem tirar a impressão negativa que os olhos tem quando a percebem. Tem perto de 1,75, e cerca de quase cem quilos, cabelos pretos soltos. Um grande sorriso como o irmão.
Márcia - Tia de Marcos, em visita a cidade. Turismo. Perto dos 35 anos. Pele clara, 1,80, um corpo começando a repousar nas suas dobras, apesar da pouca idade. Cabelos pretos curtos na base da nuca. Veste uma peça única, preta. Um vestido um pouco acima dos joelhos. Essas três mulheres são só sorrisos. afinal sentem-se animadas com as visitas, ainda mais que estas são todas do sexo forte.
Íamos nos esquecendo de apresentar-mos Ingrid, a empregada de Márcia. Uma moça morena, de corpo bem delineado, talvez, sem pejuração e nem desmérito, o mais bonito corpo feminino nesta festa de amigos.
Há ainda uma menina pequena, filha de Márcia e um menino loiro, filho de Marcos. Ambos perto dos sete anos.
Quanto aos cachorros deixamo-os á parte.
Os gatos idem.
Como Mister Dumas já dizia : ( o quê? como assim que Dumas? Alexandre Dumas, seu estúpido miolo mole) Coloque-se uma dama em uma boa roda de cavaleiros, e logo a fidalguia entre estes ficará mais fraca., pois dito e feito, isso logo se verificou.
João e Vilmar pararam de jogar Xadrez, para prestar atenção ao que as mulheres diziam. Lucas e Santiago pararam de conversar e começaram a participar da conversa que as damas proferiam. Marcos ainda cuidava, embora nem tanto, da carne que assava ao fogo baixo.
Não queremos dizer com isso que esses amigos perderam a alegria da festa , eles nem sequer notaram o que faziam.. Um queria ser mais bem visto que o outro.
A cerveja rolava solta e logo chegou mais um convidado. Eram perto das dez da noite. Lúcio e sua esposa desceram do carro e foram recebidos em uma roda de abraços e beijoS ( nela é claro os homens, nele as mulheres), este casal, no começo ainda tímidos notaram que todos já tinham bebido um bom tanto e logo se soltaram às delicias das boas conversas sobre isso e aquilo. Assuntos sérios e nem tão sérios. Afinal onde já se viu uma festa com assuntos sérios?
Creio que está na hora de dizermos de onde estes rapazes se conheciam. Todos eles trabalharam juntos durante alguns anos. Se perguntados qual o melhor serviço que já tiveram, nenhum tinha dúvidas. Aquela turma tornava o serviço chato em uma brincadeira divertida. Nesses anos em que conviveram todos conheceram o íntimo de cada um. E só assim, se entregaram a esta amizade duradoura. Ali a amizade cresceu e se perpetuava nesses encontros anuais que realizavam. Sempre tinham historias para contar. Novidades para serem comemoradas.
A maior novidade nesse encontro foi o casamento de Lúcio e o carro novo de Santiago. (novo? Um Scort95? Seja um pobre e descobrirá a alegria de ter um fusca 69).
Lúcio é magro, 1,75, cabelos castanhos curtos, de sorriso fácil e bem alegre, extrovertido e simples, assim como Samara, sua esposa, uma loira magra de cabelos compridos lisos, corpo esguio e com quase a mesma altura de Lúcio. Era um casal bonito de se ver. Combinavam.
Bem, toda alegria chega ao fim uma hora
. Duas da manhã.
Nessa hora Lucas já tinha conseguido ficar em uma pequena sala com Márcia e já haviam transado. Ela se impressionou com a força, vontade e virilidade dele. Não o imaginara assim, quase selvagem, quando chegara de manhã, enquanto ainda não tinha ninguém para a festa. Ela estava alojada na casa ao lado de onde se realizaria a festa e ali Jana e Marcos, na noite anterior, deixaram a carne e a cerveja para a ocasião.
Ele, lucas,  chegou junto com Jana pela manhã . Vieram de ônibus.
Márcia o viu carregar aquela mochila enorme nas costas e nem imaginou que ele poderia estar trazendo duas caixas de cerveja no lombo. Na hora em que o viu abrir a mochila e tirar a cerveja se perguntou como ele fez para colocar tanta coisa ali.
Ao cumprimentarem-se ele sorriu. Dentes brancos e grandes. Um hálito agradável. Seu rosto com barba rala roçou o dela ao darem os beijos de apresentação. Ela teve a sensação que ele fez seus lábios deslizarem pela sua boca de propósito. Que cafajeste safado. Safado e bonito.
Não era tão másculo na aparência como ela o via agora. Sob o calção ele guardava seu maior trunfo pensou ela. Imaginou que entre ele e Jana havia algo pois ela o tratava intimamente e nem tinha medo de suas reações, quase tímidas, ao brincar com ele sobre assuntos pessoais.
Assim que chegara tirara a calça jeans surrada e colocara um calção daqueles de jogador. Mais tarde ,à noite, ficaria sabendo que eram dois, pois ele não usava cueca e sim outro calção por baixo. A seguir se pôs a cortar a grama no quintal da casa onde fariam a pequena festa. Enquanto cortava a grama as duas, Jana e Jaqueline, comentavam sobre a qualidade das suas pernas. Fortes, grossas e peludas. Primeiro pediram para ele tirar a camisa, pois estava muito quente , ele fez que não as ouviu, depois, mais tarde quando sentiu realmente o calor, atirou para longe a camiseta.
Jana já o tinha visto sem camisa em outras ocasiões, nos jogos de futebol em que ia junto com seu marido, mas Jaqueline e Ingrid, que se ajuntara a elas, lograram um OHH de decepção. Ele desenvolvera uma massa gordurosa no abdômen e seu plexo solar era um pouco parecido com o de uma mulher, com as mamas saltadas, o que diferenciava eram os pêlos  que desciam até seu umbigo.
Na hora do almoço ele sentou-se, suando, na beira da porta e comeu com voracidade. Esse jeito brusco e grosso ao mesmo tempo, realçava seu charme um tanto rural, como diziam as mulheres. Se via que apesar de trabalhar em salas fechadas se sentia á vontade mesmo era quando estava ao ar livre.
Logo após o almoço saiu para dar uma caminhada na praia. Ao voltar Vilmar e Marcos já haviam chego e preparavam o local onde iriam assar a carne. Puxavam uma mesa, arrumavam os bancos, colocavam as cervejas para gelar.
Lucas voltou ao presente, olhou ao lado e viu Jaqueline com os olhos fechados. Pensava ele: E agora? Não deveria ter feito, mas já fiz, será que foi direito? Afinal ela é casada. Ora, vai ver ela gostou, está quase desmaiada. Aposto que o marido dela é um velho seboso que nunca deu prazer a ela. Esse sorriso é de satisfação, mas... e se a filha dela contar pro marido? Meu Deus, os outros já devem estar sabendo. Que se dane! Agora só resta aproveitar. Putz, já tá tudo quieto, será que foram todos dormir? E a Jana? Caramba, ele não deveria ter derramado cerveja nela.- lembrou-se da discussão de Marcos e Jana - Coitada.
Ouviu um ruído de carro. O Lúcio ele vira indo embora, portanto ficaram Santiago e Vilmar que tinham carro. Levantou-se só de calção, descalço, e foi até o banheiro. Pela janela do pequeno cômodo constatou que o único carro que ainda estava ali era de Vilmar. Aonde ele está? Será que foi dormir? Tenho que pegar as cobertas, pelo menos um lençol. Vou dormir no sofá aqui fora, na área, conforme combinei com eles, mas preciso me cobrir, senão esses pernilongos acabam comigo. Vou pegar o ventilador também. Ele deve estar no outro quarto.
Alguma coisa lhe dizia para não ir até o outro quarto, mas ele ignorou esse prévio aviso. ------ Vilmar! Heei Vilmar? - bateu na porta do quarto. Ouviu vozes ali dentro. Uma voz feminina. Alguns minutos se passaram.
Jana saiu a porta. Ele olhou espantado e incrédulo para ela.
----- As .... as cobertas... - falou tentando dar a impressão de que não estava impressionado ao ficar sabendo que a esposa do amigo dormia com outro amigo.
Ivair Antonio Gomes
Enviado por Ivair Antonio Gomes em 26/02/2006
Código do texto: T116202

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Sobre o autor
Ivair Antonio Gomes
Palhoça - Santa Catarina - Brasil, 47 anos
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Ivair Antonio Gomes