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INVERNO


 
É inverno.
Eu odeio inverno, bom, nem tanto, ainda mais quando eu tenho um bom filé de carne humana ao meu lado. Como a que acabou de sair daqui, cantando uma música como se fosse a coisa mais normal ela trepar tres horas sem parar. Haja folêgo. Estou vivo, isso é o que importa. Mas o que eu estava falando mesmo? haa sim, o inverno, pois é, eu detesto. Ainda mais quando estou sozinho.

Agora mesmo eu me pego sentado na beira da cama, que por milagre ainda está em inteira, a pensar como costurar minha meia furada. Não...eu não posso ficar assim... tenho que me reanimar...não foi culpa minha...será? Droga, é só eu ficar sem ninguém do meu lado que já me bate o remorso. Até parece que minha caspa aumenta por causa disso, minha úlcera ataca mais forte, minha unha encravada dói, meu...aahhh pára com isso.

Eita, antes era tão bom. Tudo tinha sentido. Meu pé de tomate tinha frutos vermelhos e me lembrava, sempre que os via, dos biquinho dela...e o inverno naqueles tempos,,ahhh como era bom.. Droga, será que esta porcaria de tv não tem nada mais decente pra passar nesse horário? aposto como ela vai chupar? Piranha....lá vou eu de novo. Pulo da cama e mudo de canal.


Essas cenas deturpam meus pensamentos. Preciso de um conhaque. Vou até a geladeira e só vejo uma coIsinha branca. Eu a olho com olhos de desejo e sorvo a merda do Orloff em dois goles.. arrre, que gosto , como a gente pode tomar essas coisas? Será que isso consegue nos fazer esquecer mesmo? ou é só desculpa para tomar outro gole.

O sutiã da garota que fingia muito bem, ainda está no costado do sofá. Cheiro de morango, ou será de suor mesmo? Sei lá, eu acho que perdi todos os meus oito sentidos? Oito? voce me pergunta, sim oito. O olfato, a audição, a visão, o paladar, o tato, o sentido de direção, o sentido do orgulho e o sentido da vida. Que droga não sou nenhum Sócrates por que estou pensando assim?

Olho ao meu redor e vejo que devo aumentar minha lista para nove, perdi também o sentido de limpeza da casa. É meia e calcas em cima das cadeiras, e camisas no chão, isso sem falar no cheiro dos sapatos, muitos gambás iam sentir inveja desse lugar.


Fico mudando de canal a toa, em parte nenhuma tem alguma coisa que valha a pena ver. Em um tem uns peitões que dariam para acabar com a fome na áfrica, em outro tem um criolo fingindo que sabe cantar com uma loira mostrando seu cérebro ao público, ops...não é o cérebro , é a fabrica do que ela tem no cérebro.


A garrafa de vodca está vazia outra vez. Tenho que sair senão vou acabar louco. Desço pelas escadas devagar, procurando não fazer barulho ,para não acordar a baleia que dorme com um cd de porcos ligado, é o que parece a ode que ela faz ao dormir...rooonnncc,,roooonnnnc,..


Ufa...enfim ar livre.. Coff...coff.. maldito carro velho...coff coff... Não é por causa disso que eu vou desistir dessa noite linda.... O céu.. as estrelas... Espere aí...que lugar é esse? Cadê as estrelas, será que o sol as convidou para passear no lado escuro da lua?


Droga, que merda, lá vem aqueles veados punks e sua lingua enrolada, coitados, ainda não aprenderam a falar. Quem sabe alguém um dia desses fica com pena e os esmurra até soltarem a lingua. Tenho que fazer um sorriso quando a garota de bunda de fora, me olha com seus olhos pintados como um enorme farol dizendo "ridiculo é tua mãe". Que se danem. Por mim podem se entupir de coca, ou farinha mesmo, afinal o nariz é deles, ou melhor, dos seus pingentes.


Agora eu sinto falta daquele golzinho bonitinho que eu tinha. Pena que não andava dois dias sem dar problema. Já deve ter virado porta de geladeira a essas horas.


Adoro andar de noite. A gente ve melhor como são as pessoas. De dia aquela moça timida, mal arrumada atrás de um balcão, a noite, uma fêmea capaz de deixar um batalhão fora de combate. E aqueles filhinhos de papai então, falam de trivialidades e nem sabem limpar a bunda direito. Quanta hipocrisia... lá vou eu de novo, dando uma de sócrates, o que você não conhece sócrates? Não, não o doutor Sócrates, ex jogador atual-pretensioso-comentarista no futuro. Ora se não conhece vá se danar. Eu o conheci quando eu e ela...putz é brincadeira, já estou com dor no dedo mindinho, meu remorso causa isso.


Passo em frente a um bar. Deviam prender as babás que deixam esses nenens sairem de casa. Um mais macho que o outro. Se eu der um tiro aqui, vão ter muito trabalho as mães para lavarem essas calcas molhadas de 'cerveja'. Vejo um Out Door. Ela sempre foi linda. E aqui ela .... Detesto quando alguém começa a contar uma coisa e pula de assunto. Você é assim também? Um brinde a nós dois então.

 
Que merda, será que não vou encontrar um bom boteco pra encher a cara essa noite? Daqueles barra pesada, quer dizer, nem tanto né, afinal dois balaços ainda brincam dentro das minhas costas, tentando fazer plim-plim entre aquele batuque do meu coração.


Fiuuuu...fiiiuuuu... ainda não aprendi assoviar direito, mas que importa, o que essas duas menos querem é assovio, elas querem o apito.


Até que enfim, até que enfim, até...musica ridicula. Bar ridiculo. Eu estou ridiculo aqui dentro.
Uma mesa no canto, uns tres sujeitos no balcao, segurando-o para não cair,e fazendo um concurso de quem tinha a cara mais feia. Sem ar condicionado. Umas garotas mostrando suas carnes(, eu disse carnes?, que bonzinho que sou, ) passeiam entre as mesas fingindo querer se desviar das mãos que as tocam. Será que elas não sentem frio? do que elas são feitas, gelatina? Toco uma so para sentir sua frieza. Ela pode estar fria, mas eu já estou me esquentando.


Lá vem minha loira. Fica parada na minha frente, querendo se mostrar em cima da mesa, ao seu lado o cavalheiro copo vazio. Eu faço os dois se encontrarem e então eles se despedem, dentro de mim.

 Lá pelas quatro da manhã eu sinto uma pequena tontura. O diacho do MOrfeu começa a me incomodar. Eu já lutei muitas vezes com ele, mas no final o safado sempre ganha. Jà aguentei mais de 52 horas, dai capotei. Miserável, se acha o máximo, só porque ninguém pode com ele.

Peço um copo de vinho. Fora do gelo. Não, peço uma garrafa. A garconete se aproxima e meus beiços provam o frio do chão. Caramba, mis universo trabalhando de garçonete, essa é boa. Ela sorri e eu vejo sua amigdala, que droga se errei você entendeu né. Afinal tô bebâdo.

 Pede que leve a garrafa por que já vão fechar o bar. Eu lhe dirijo meu olhar pidão e ela senta-se comigo.
Seu nome é Norma e é casada.. nnãããoooo, esqueça essa parte, bebâdo ...

ela disse que é norma da casa...seu nome é Marta,,,por mim poderia se chamar Kim Basinger. Eu podia acreditar que ela estivesse sentada ali comigo. Se pudesse pediria ao meu mordomo para levá-la até meu palácio e tratá-la bem, mas eu não tenho mordomo, e o palácio eu perdi quando lutei contra o Poderoso Thor...putz não acredito que disse isso.


Ela fica me dizendo algo, mas meus ouvidos estão muito cheios de cera, porque não ouço nada, ou é por que eu só consigo olhar para suas pernas morenas e roliças, seus lábios grossos, hahmm hahammm...logo vou precisar do titanic para me tirar desse mar de baba.

 Encho meu copo e ofereço para ela. Claro que é o meu copo, afinal eu estava tomando sozinho, como ia ter dois copos na mesa?
 
O gordo que imita a Free Willy a chama até o balcão, onde agora uma turma de oito a dez o segura( o balcão). Deve ter ficado mais pesado.

Antes de sair eu lhe dou meu endereço. Saio e vou de volta a minha batcaverna, levando de baixo do braço meu pequeno menino prodigio engarrafado. Uma bela dupla. Acabou. Droga de inverno. Me lembra dela.
Da garrafa que quebrei. Tão linda. Seu biquinho tão durinho... .....
Ivair Antonio Gomes
Enviado por Ivair Antonio Gomes em 11/03/2006
Código do texto: T121901

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Sobre o autor
Ivair Antonio Gomes
Palhoça - Santa Catarina - Brasil, 47 anos
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Ivair Antonio Gomes