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A Mulher Só - capítulo I

         Havia uma semana que ela estava sentindo aquela dor. Sua barriga doía muito e estava inchada. A menstruação, atrasada.
         Sua irmã já estava desconfiada, jogava indiretas.
         Iria ao médico.
         Todos estavam pensando que estava grávida. Olhavam-na como se ela fosse um bicho. Iria calar a boca de todos...
         Para ajudar, estava a pensar em um proposta que Tião havia feito. Pedira para que ela se casasse com ele.
         Estava em dúvida, não o amava. Queria ter sua casinha, ter um marido, filhos, parar de trabalhar na casa dos outros, afinal desde os doze anos, sua vida era essa.
Iria sair da casa da Dona Elza e ter seu próprio lar!

 **********

         A desconfiança dos parentes foi o fator decisivo para o seu casamento.

 **********

         Voltou do médico triste, com um envelope na mão. Encontrou Jandira lavando roupas e disse:
         "Tá aqui o filho que você achou que eu estava esperando."
         Jandira abriu o envelope e leu o resultado: ovário policístico. Necessária intervenção cirúrgica.
         Teria que operar o mais rápido possível.
         Sua angústia maior não era a cirurgia, mas sim os olhares maldosos em direção à ela. Queria gritar para todos que ainda era virgem, mas calou-se. Já havia passado por tantas humilhações, uma a mais...

  **********

          Sebastião era um homem bonito. Forte, alto, bom de papo. Mulherengo que só. Gostava de uma pinguinha também. Fazia sucesso com a mulherada. Tinha um carro de praça, comprado com parte do dinheiro que seu pai havia ganho na Loteria Federal. Era um Maverick que vivia quebrando. Tião sentia-se forte naquele carro. Quando não tinha dinheiro para consertá-lo, pendurava a conta, mas não ficava sem rodar. O Maverick dava sorte!
          Lembrava-se bem da primeira transa dentro dele há uns meses atrás. A moça era uma nissei, pequenininha e carente que ele ganhara no papo, dentro da padaria do Léo.
Não tinha a menor intenção de ficar com ela mas prometera-lhe mil e uma coisas... A coitadinha caiu como um patinho.
Depois de ter conseguido o que queria, saiu com ela mais algumas vezes e sumiu. Sai fora, japa, pensava ele, meu negócio é a Maria, ela sim é pra casar. Estavam namorando há mais de um ano e ela não o deixava avançar o sinal e olha que ele tentava... Sempre nas folgas dela, a cada quinze dias eles se viam. Iam ao cinema, tomavam sorvete, ficavam na pracinha, só que dentro do carro, a Maria só entrava para ir embora, namorar lá dentro, nem pensar!
                 
  **********

           Tião andava preocupado, só naquela semana, o carro quebrara duas vezes. Já estava devendo muito na oficina do Pedrão. O pior de tudo, é que os móveis que havia comprado depois que Maria tinha aceitado casar-se com ele, estavam guardados em um galpão ao lado da oficina. O lugar pertencia ao irmão do Pedrão, que cedera o espaço para guardar os móveis por tempo indeterminado. Bah! Não ia ficar encucado com isso, arrumaria dinheiro e pagaria tudo o que estava devendo.

CONTINUA....



         
CRISTIANE DONIZETE
Enviado por CRISTIANE DONIZETE em 13/03/2006
Reeditado em 15/03/2006
Código do texto: T122406
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Sobre a autora
CRISTIANE DONIZETE
São Paulo - São Paulo - Brasil
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CRISTIANE DONIZETE