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Fragmentos Urbanos - Não sou mais criança

FRAGMENTO 01 - Não sou mais criança

          No meio do congestionamento, Elisa resolve ligar para sua filha Letícia, que está dentro do ônibus lotado, para falar sobre um teste de gravidez que ela encontrou ontem no lixo do quarto da filha.
_ Alô! – disse Letícia depois que atendeu ao toque alto e chamativo do telefone celular chamando a atenção de todos ao redor.
_ Filha, é a mãe.
_ Oi mãe, o que foi? – perguntou Letícia sem ter idéia do sermão e puxão de orelha que viria pela frente.
_ Como assim o que foi? Pensa que me engana dona Letícia Barros, eu encontrei algo e não gostei nem um pouco. – disse a mãe alterando a voz e repercutindo dentro do ônibus.
_ Do que você ta falando? Encontrou o quê?
_ Oras, não se faça de desentendida, encontrei o teste de gravidez! Como pode isso ter acontecido, você só tem 17 anos e já teve relações!? Quem é o cachorro que conseguiu te convencer!? Espero que seja um rapaz de alta classe.
_ Calma mãe! Não precisa gritar poxa! Ah quer saber! Eu fiz mesmo e fiz o teste porque o cara tava sem camisinha e tinha que ser naquela hora. – disse ela causando comoção naqueles que a escutaram.
_ Como assim sem camisinha? Ficou louca Letícia? Foi isso que te ensinei? Me diga, é assim que você encara a situação!? – perguntou Elisa transtornada e já sem atenção alguma no volante e logo o semáforo irá abrir.
_ Mas o teste deu negativo! Não terá problema. Olha dona Elisa eu não sou mais criança, a maioria das minhas amigas já fizeram isso aos quinze, dezesseis e eu to passando da idade já!
_ Respeito menina! Sou sua mãe! Você não respondeu quem é o menino!
_ É o Janderson!
_ Que Janderson? Não me diga que é o filho da nossa empregada?
_ O próprio!
Nesse momento Elisa ficou estática e sem resposta. O semáforo abriu e ela simplesmente não se deu conta, os carros começaram a buzinar, alguns homens começaram a xingar, a filha ficou falando sozinha e Elisa nem piscava até que apareceu um guarda que bateu no vidro e fez com que Elisa saísse do transe.
_ Tudo bem com a senhora? – perguntou o guarda depois de ela ter aberto o vidro.
_ Nada está bem quando sua filha perde a virgindade pro filho da empregada.
_ Pô, tira a mão da minha bunda – disse Letícia bem alto ao sentir uma mão resvalando suas costas, só que bem lá embaixo. Do outro lado da linha a mãe nem reagiu enquanto que o policial que ouviu tudo, devido ao sistema viva voz, só lamentou balançando a cabeça.

FIM
Miguel Rodrigues
Enviado por Miguel Rodrigues em 08/04/2006
Código do texto: T135926
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Miguel Rodrigues
Barueri - São Paulo - Brasil, 33 anos
1434 textos (42679 leituras)
6 e-livros (1681 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/12/16 19:55)
Miguel Rodrigues