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Hesitação




Ah! Como me arrependo de não ter degustado do que poderia ser a minha libertação. Triste momento quando hesitei. Hoje poderia está livre das minhas angústias, dos meus medos, das incertezas que agora já são tantas!

Pequei por ser humano, um fraco. O vi servido em bandeja de prata e em uma linda taça de cristal, mas o recusei na esperança ou na ingenuidade de que o amor me erguesse. Foi uma mera sensação momentânea, hoje percebi que tudo não passou de um flash de preenchimento. Adiei apenas o inevitável, pois logo percebi que uma parte de mim já estava morta, sem ter que beber o líquido amargo que antes tivera recusado. Ela foi morrendo aos poucos e sendo preenchida por sombras que a todo instante invadiam meus sonhos.

Ah! Se eu tivesse degustado daquele néctar, que de longe me pareceu tão saboroso, hoje não estaria tão confuso, tão só. Quem ou o que me impediu?

Apeguei-me ao fio de esperança que ainda puder perceber minutos antes do brinde. Ela, a morte aguardava-me ansiosa. Levantei a taça. Recortes da minha vida surgiram do meu inconsciente, fazendo-me ver e perceber que está não seria a melhor solução, porém a mais rápida.

Ainda me pergunto por que cheguei a tal ponto? Sou consciente de que a sociedade é injusta, individualista, mesquinha e oportunista. Eu queria me livrar de um fardo, não queria fazer parte deste ciclo, que destrói e corrompe a todos. Despedi-me de todos.

Hesitei! Meu Deus hesitei!

O Amor salvou-me, ms por um curto espaço de tempo depois percebi que foi mais um estado de exultação da alma.

Todos fugiram à minha volta. A solidão alastrou-se, ocupando espaços que nem eu mesmo conhecia. Fiquei inseguro, assustei-me quando não encontrava ninguém. Sufoquei-me na minha própria solidão, não que quisesse, mas tornou-se inevitável. Vestia-se como um anjo. Rondou-me. Cercou-me. Esgotou-me aos poucos, fui me entregando, e, então decidir saciar a minha sede dce liberdade. Tomei a taça na minha mão. Todos estavam lá. Brindamos. Levei a taça até os meus lábios e não fui capaz de beber...Busquei  outras maneiras e não tive coragem de ir até o fim.

Uma nova esperança surgira. Reconciliei-me como o meu íntimo. Decidi reparar as feridas que o desafeto, o rancor, as ofensas, a inveja, a desilusão provocaram na minha alma. Retornei à vida, resgatado pela certeza de que sou humano, não um ser diferente a dor, ao sofrimento. Um ser humano que surgiu das próprias cicatrizes.

Desistir, depois que percebi que a minha volta há humanos como eu e que também há pessoas que se importam e me amam. Redescobrir todos. Talvez não seja só o amor capaz de curar, mas sim a certeza de que somos capazes de amar e de sermos amados.

Ah! Como fui tolo, só agora percebi a inconstância da vida. As amarguras da alma humana. Deixei-me preencher por energias obscuras e devastadoras. Deveria ter-te saboreado, apresentou-me como um remédio, um alento, um remanso, uma solução para minha alma que se preencheu de desesperança, desânimo.

Em meio a tantas sombras, enxerguei olhos que tinham um brilho inebriante, braços que me buscavam acalentar, um coração que batia ritmado de alegria, um corpo que se ofertava para em aquecer. Aí então percebi que valeria viver. Deixei cair à taça e com ela o amargo doce sabor da morte, que ainda me espera. E irá sentir falta da minha companhia por longo tempo.
Rogevanio Alves Santana
Enviado por Rogevanio Alves Santana em 09/04/2006
Código do texto: T136400
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Sobre o autor
Rogevanio Alves Santana
Aracaju - Sergipe - Brasil, 37 anos
67 textos (3454 leituras)
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Rogevanio Alves Santana